domingo, julho 01, 2007

Já não é vergonha
Vasco Pulido Valente
Público

Depois do "caso Charrua" (que, para espanto de quem se julga num país democrático, acabou mesmo condenado), aparece agora um novo caso. As circunstâncias são parecidas. Parece que o médico António Salgado de Almeida, vereador da CDU, durante um fim-de-semana, resolveu pôr numa parede do Centro de Saúde de Vieira do Minho uma entrevista do ministro Correia de Campos. Nessa entrevista, Correia de Campos dizia que, no caso de ter a vida em risco, não iria a um Centro. O crime estava em que, por baixo desta declaração, alguém escrevera "Façam como ele. Vão a uma urgência de Braga" ou coisa equivalente. Aqui apareceu uma figura já típica do regime, o denunciante, na previsível pele de "um membro do PS". O denunciante fotografou a entrevista, agora promovida a "cartaz", "pediu o Livro Amarelo para fazer um queixa" e comunicou o escândalo à autoridade política, ou seja, à Administração Regional de Saúde (ARS/Norte). A directora do Centro de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, não sabia do cartaz. Mas, quando soube, "repreendeu" o médico (não se percebe muito bem porquê). Infelizmente, a ARS/Norte não se deu por satisfeita. A "repreensão" não bastava para um acto tão grave. A ARS/Norte queria esmagar o celerado; queria nomeadamente que Maria Celeste Cardoso instaurasse um processo disciplinar ao médico. E, como ela se recusou, foi demitida por um ofício de Correia de Campos. Para tudo ser perfeito, Maria Celeste Cardoso é casada com um PSD, vice-presidente da Câmara de Vieira do Minho, e o Governo nomeou para a substituir um vereador ("independente") do PS de Ponte de Barca. A moral da história é simples: o PS, que os portugueses se habituaram a ver como o defensor da liberdade e da democracia, não passa hoje de um partido intolerante e persecutório, que age por denúncia (aqui como na DREN) e tem uma rede potencial de esbirros, pronta a punir e a liquidar qualquer português por puro delito de opinião. Pior ainda, personagens como Correia de Campos colaboram pessoalmente nesta lamentável empresa de intimidação. Não admira. Nem o eng. Sócrates nem o dr. Cavaco manifestamente compreendem que a repressão da dissidência e da crítica começa a corromper o regime e torna inevitável o futuro "saneamento" dos "saneadores". O silêncio de cima encoraja o miserável trabalho de baixo. Em Portugal, a colaboração do Estado com os pequenos pides do PS já não é uma vergonha.

sábado, fevereiro 03, 2007

A promoção de Portugal como o país da mão-de-obra barata feita pelo ministro da Economia nada tem de novo, há décadas que os políticos deste país o fazem. O mesmo não se pode dizer de o ministro ter acrescentado que os trabalhadores portugueses além de ganharem pouco são mansos, mas não me parece que as palavra do ministro mereçam muita atenção, trata-se de uma figura anedótica da governação portuguesa, todos os governos têm os seus bobos, em vez de questionarmos Sócrates pelas suas políticas vamos batendo no bobo da corte.

Mas é muito grave que um governo supostamente de esquerda estruture os seus projectos num modelo económico assente em salários miseráveis, quando um membro do governo diz as potenciais investidores estrangeiros que venham para Portugal porque cá os salários são baixos está a partir do pressuposto de que essa realidade é para manter, as decisões dos investidores são adoptadas tendo em conta cenários que vão para além do longo prazo.

Isso significa que Sócrates e o seu governo ainda não entenderam que enquanto este país apostar na mão-de-obra barata não sairá do círculo vicioso do subdesenvolvimento, passadas décadas a economia portuguesa ainda não conseguiu romper com o modelo económico herdado do salazarismo. Quando Pinho garante aos empresários chineses que os trabalhadores portugueses são mansos está, afinal, a dizer que a democracia e o discurso político de Sócrates conseguiu a paz social, algo que a ditadura não conseguiu com meios policiais.

O ministro Manuel Pinho deveria demitir-se, não por aquilo que disse mas por o dizer de uma forma que fez de nós idiotas. Que ganhamos mal todos sabemos, mas um ministro ir para a China dizer que somos mansos já é demais.

a ler n'o Jumento

terça-feira, janeiro 23, 2007

SIM

sábado, janeiro 20, 2007

o aborto e os impostos

E que tal contribuir com os meus impostos para:
- pagar os actos médicos que implicam trazer ao mundo crianças não desejadas e rejeitadas pelos pais?- pagar os anos de institucionalização das mesmas em colégios e centros de acolhimento? ou, então,- pagar as contas de hospital, muitas vezes os enterros, destas crianças, quando são deixadas a cargo dos tais pais contrariados que, em combinação com personalidades disfuncionais, alcoolismo, drogas e crueldade pura, as negligenciam, maltratam fisica e psicologicamente e, por vezes, as matam?- pagar a diária da prisão (consta que é um balúrdio...) destes pais que maltratam, quando a Justiça, por acaso, é mais ou menos justa e os consegue alcançar?- pagar a alimentação, o vestuário, a educação especial, as televisões e as playstation de adolescentes grávidas que brincam às bonecas em casas de acolhimento e às quais não foi dada qualquer hipótese de escolha? E que passarão os anos seguintes das suas vidas a viver à custa do Estado, até não saberem fazer outra coisa que não sorver subsídios?- pagar a liberdade, sempre vinda antes de tempo, dos pais maltratantes, com subsídios de "desemprego", de "exclusão", ou lá o que é, e pagar-lhes a renda vitalícia do realojamento no bairro social?
(e é que não saíamos daqui...)
Olhem, filhos, gastar os meus impostos a alimentar os podres de um sistema que, basicamente, se está a cagar para o destino das criancinhas, uma vez fora do útero, e que permite que andem em bolandas de sofrimentos vários, isso é que NÃO, OBRIGADA. Tenham juízo (ou, ao menos tenham bom-senso nas mensagens ridículas e demagógicas que escolhem para os vossos mupis e outdoors.
escrito por vieira do mar, na controversa maresia (clicar no texto)
O mistério dos preços da electricidade e dos combustíveis

José Gomes Ferreira
Sic Online

Começo por confessar: não conheço muito em pormenor a regulação do mercado da electricidade, tal como imagino que muitos jornalistas, apesar de especializados na área económica, também não conheçam profundamente esta matéria bastante complexa. Mas há factos que só podem ter uma interpretação: durante muito tempo, várias entidades andaram a esconder a realidade aos consumidores portugueses de energia, seja de electricidade, gás ou outros combustíveis. Factos: a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos propôs ao Governo, no final do ano passado, um aumento de 15,7 por cento no preço da electricidade para os consumidores domésticos. O presidente da ERSE era Jorge Vasconcelos. Primeiro, o Governo entrou em contradições. Depois anunciou que o aumento máximo não podia ultrapassar os seis por cento. Zangado, Jorge Vasconcelos viria a bater com a porta porque estava em causa a independência do regulador do mercado. Na altura, comentei na antena da SIC que a questão de fundo, que ninguém queria discutir em Portugal, era a elevada margem de lucro dos produtores de electricidade. Lembrei que, em Espanha, o também elevado aumento do preço da electricidade proposto pelo regulador tinha sido evitado pelo Governo de Madrid, porque se sentou à mesa com os produtores e convenceu-os a reduzirem as suas margens. Lembrei que os lucros da EDP iam atingir um valor recorde em 2006, tal como os da Galpenergia, num ano em que o preço do crude tinha disparado. Isto é, os consumidores de electricidade, gás, gasolina e gasóleo estavam a ser duplamente penalizados. Na altura, sobre estas observações, fez-se um silêncio incómodo. Nem EDP, nem Galpenergia, nem Governo, nem reguladores, ninguém disse uma palavra. Apenas recebi um telefonema de um responsável de uma produtora de electricidade, para uma conversa em off, dizendo-me que eu não tinha razão. Mas não quis prestar declarações públicas... Já no início deste ano, o Governo disse que era necessário investigar a eventual concertação dos preços dos combustíveis e a Autoridade da Concorrência anunciou a abertura de uma investigação. A mesma entidade publicou entretanto um relatório a dar conta da coincidência de preços dos combustíveis e a dizer que os preços do gás engarrafado em Portugal - antes de impostos - são muito elevados face a outros países europeus. Esta quarta-feira, o presidente da ERSE foi ao Parlamento dizer que o aumento das tarifas eléctricas para os consumidores domésticos em 2007 podia ter sido inferior a 6 por cento e que o Governo podia ter negociado com os produtores uma redução dos proveitos. Disse também que "todos os Governos, sem excepção, desde 1997 até hoje, beneficiaram os produtores de electricidade à custa dos consumidores". Finalmente, Jorge Vasconcelos pôs o dedo na ferida. Ainda bem que o fez. Mas fê-lo quando já não é presidente da ERSE. Não podia ter levantado a questão antes, quando propôs os tais 15,7 por cento de aumento da electricidade? E o Ministério da Economia, de que está à espera para lançar a discussão sobre este assunto em Portugal?

sexta-feira, janeiro 05, 2007

a propósito do referendo do aborto

O comentário de João Pinto e Castro no http://blogoexisto.blogspot.com/:
O argumento a favor do "não" descambou recentemente do discutível mas respeitável plano da defesa da vida para um outro mais mesquinho de defesa do bolso do contribuinte. Para além de os custos médios de um aborto apresentados por Maria José Nogueira Pinto serem completamente fantasiosos, faltaria ainda saber se, mesmo numa perspectiva de mero cálculo económico, não se revelarão ainda maiores os custos de tratamento de mulheres vítimas de abortos clandestinos feitos em precárias condições de higiene e segurança. Mas é claro que, quando António Borges, com aquele seu arzinho de quem percebe de tudo menos do que interessa, explica aos alunos que na ideia dele todos somos, que, por cada 2,6 abortos há uma operação que deixa de se fazer, a gente entende que o que está em causa é outra coisa.A insensibilidade revelada pelos que assim argumentam face aos sofrimentos provocados pelo aborto clandestino é, afinal, da mesma natureza que aquela que incita a populaça a recusar que o "seu dinheiro", o dinheiro "dos seus impostos", alimente, por exemplo, programas de rendimento mínimo garantido. Admito que esta inflexão táctica renda votos aos partidários do não; mas parece-me que se trata de um argumento indigno pelo que revela de cego egoismo social e, afinal, de desprezo pela vida de pessoas que se encontram, de facto, vivas.

quarta-feira, abril 05, 2006

Não apaguem a memória

A imobiliária que negoceia o condomínio de luxo da António Maria Cardoso, antiga sede da PIDE-DGS, apresenta, como mais-valia, o carácter histórico do edifício. Curiosamente, a versão da história termina em 1640, como poderão verificar visitando a página Paço do Duque.
Porque nunca é demais recordar:
Movimento 'Não apaguem a memória'
No passado dia 5 de Outubro, um conjunto de cidadãos reuniu-se junto à antiga Sede da PIDE/DGS, reafirmando o protesto público contra a conversão daquele edifício em condomínio fechado e contra o apagamento da memória do fascismo e do sofrimento causado aos portugueses. No local, ficou então uma faixa com os nomes de muitos dos que foram assassinados pela ditadura que oprimiu Portugal durante quase 50 anos.
É finalidade desta iniciativa cívica continuar essa acção, convertendo-a no impulso simbólico dum vasto movimento de cidadãos, plural e aberto, de exigência da salvaguarda, investigação e divulgação da memória do fascismo e da resistência, como responsabilidade do Estado, do conjunto dos poderes públicos e da sociedade.
http://maismemoria.org/




A "Pirataria" - II

comentários e reacções

Purple escreveu:

Ora muito bem dito.
Levem-me a mim, também, que saco música. Levem-me a mim. Prendam-me, porque multas não pagarei. Ponham-me lá dentro e deixem ficar cá fora os assassinos, os traficantes e os violadores porque é em mim que reside todo o mal da sociedade.

Prendam-me!

Prendam-me porque eu, vil demónio, prejudico os autores, porque ouço a música deles sem a pagar. Como ouviria num qualquer rádio, se as rádios por cá passassem mais vezes BOA música
. Prendam-me porque eu saco álbums que raramente encontro em lojas em Portugal e porque para pagar taxa alfandegária me bastou uma vez. Prendam-me porque o meu primeiro álbum dos dEUS é um CD-R da BASF. E o meu primeiro álbum dos Gomez e dos Dresden Dolls também. Prendam-me porque, claramente, os prejudiquei, mesmo tendo adquirido depois a sua discografia completa e ido assistir aos seus concertos em Portugal. Eu não mereço a liberdade! Prendam-me porque guardo uma música ao invés de apenas a ouvir legalmente, em sites, e com a mesma qualidade, como a posso ouvir no pandora.com ou no last.fm... Prendam-me porque eu, mãos largas como sou, permito que outros ouçam a mesma música que eu gosto. Prendam-me de uma vez por todas antes que eu conheça mais música que as nossas rádios de merda não passam e as nossas lojas não vendem. Prendam-me, metam-me na prisão e deitem a chave fora, porque a culpa é minha. A culpa do poder de compra de um português não lhe permitir comprar o mesmo número de CDs que um Norueguês pode comprar. Porque a culpa é minha, de um CD ser considerado um artigo de luxo e ter um imposto como tal. Prendam-me, porque eu sou daqueles que justifica a ínfima taxa que a SPA cobra por cada suporte virgem (seja CD, DVD, K7, papel branco) partindo do pressuposto que tal suporte será utilizado para fazer pirataria. Prendam-me. Sou mau. Sou má pessoa. Sou eu que dou royalties de merda aos artistas, mesmo que depois, gostando, pague 30 ou 40 Euros para ir ver um concerto deles. Prendam-me, porque sou eu, confesso, que deixei de comprar os cds originais da Ágata, dos Diapasão, do Nel Monteiro, do Iran Costa, e do raio que o parta. Sou má pessoa, confesso!


gohan escreveu:

Eu confesso-me culpado. Sou culpado de tirar música da internet para a ouvir as vezes que possa. Sou culpado de não comprar as músicas em lojas online que só permitem 10 cópias e cada vez que formato o pc, gasto 2 dessas cópias, quando a 10 for feita, a música já não pode ser ouvida.Sou culpado por ter 20 cds no meu pc e só ter comprado 5 deles, pelos quais paguei 18 euros por cada um.
Sou culpado de ir aos concertos de artistas que conheci na internet. Sou culpado de dar dinheiro aos músicos nos concertos e não comprar os seus cds porque só gosto de 2 ou 3 músicas.Sou culpado de ouvir música sem pagar à industria fonográfica para os seus dirigentes comprarem aviões, barcos, férias na patagónia, etc etc etc. Sou culpado por não pagar para as empresas explorarem os artistas até ao osso e depois os largarem no mundo para ver se eles sobrevivem sozinhos. Se sobreviverem então vão-lhe oferecer mais uns cêntimos por cada cd vendido.Disto tudo confesso-me culpado. E ainda me considero culpado por adquirir cds/dvds virgens pelos quais pago o valor e uma taxa para o que vou gravar neles (já supondo que vou usá-los para a pirataria) e, os quais, são fabricados em fábricas das mesmas empresas fonográficas que dizem que os piratas são o "cancro da sociedade". Os lucros deles continuam em valores ao bom estilo de bancos. Eles não perdem nada. Quem perde são os artistas. Mas são estas empresas que se queixam e depois puxam os artistas para este mundo. Quando os artistas sabem que 35% dos que vão aos seus concertos pagarem o bilhete, nunca compraram um cd deles. Mas estão ali a vê-los cantar. Estão ali a apoiá-los.

Boss, do renas e veados propõe:

A campanha de intimidação da indústria fonográfica portuguesa está pelo menos a resultar junto dos jornalistas. "Roubam"? Sem umas aspas sequer? Notar ainda que a esmagadora maioria dos mp3 a circular na net não poderiam nunca ser adquiridos legalmente pois ninguém os vendia. Alguém comprava um cd, transformava o seu conteúdo em mp3 e partilhava-o gratuitamente na net - era, é, este o sistema. Chamar "roubo" a isto é no mínimo abusivo e insultuoso para as pessoas. (...) Resta ainda saber quantas leis não serão violadas para que a indústria fonográfica tenha acesso aos dados privados dos internautas e às informações sobre as suas alegadas acções on-line. Da minha parte iniciei um boicote total à indústria fonográfica, i.e., nem um tostão em cds ou mp3 pagos enquanto persistir esta campanha de intimidação e insulto a quem ouve música. Ouve-se o que já se tem e para as novidades há a rádio (apesar dela própria estar "manipulada" pelos interesses da referida indústria).

A "Pirataria"

Porque isto merece ser divulgado:

rip & burn

O senhor Eduardo Simões, Secretário-geral da Associação Fonográfica Portuguesa promete, no jornal Expresso do passado sábado, apresentar queixas-crime contra cidadãos que tenham utilizado programas de partilha de música, Peer to Peer ou comummente conhecidos por P2P.

Pois senhor Eduardo Simões, chamo-me João Oliveira Santos (joaoliveirasantos@gmail.com para as demais informações que necessite para levar avante esse seu tão sublime propósito!) e desde há anos que sou “cliente” desse P2P. É verdade, confesso integralmente e sem reservas que fui um utilizador do saudoso Napster, mudando-me depois para o Kazaa e estando hoje completamente "agarrado" ao eMule. A propósito esse eMule está agora mesmo a trazer-me um álbum de Uri Caine, mas não sei se fará o seu género. Depois, quando me contactar e se pretender, eu mando-lhe...

Pois esta é a minha confissão: Confesso que tenho terabytes de música. Tenho músicas até vir a mulher da fava-rica! Umas que ouço quase todos os dias, outras que ouço raramente e outras que as tenho apenas por ter, porque sou preguiçoso e tenho pena de as deitar fora. Por outro lado, não só empresto essas carradas de música (não todas, por limitação de espaço do meu pc mas uma grande parte delas, as que ouço com maior frequência) como procuro sistematicamente mais fontes para esse meu vício. De vez em quando, gosto tanto de uma ou outra música que as chego mesmo a comprar! E digo-lhe já, que vai ser preciso mexer um bocadinho mais esse seu cuzinho que adivinho gordo, para me barrar o P2P. Vou continuar neste meu vício e até já iniciei na coisa a minha filha mais velha, que assim já sabe procurar a sua Madonna e os foleiros dos D’zert.

Devo dizer-lhe que não tenho o prazer de o conhecer (de contrário garanto-lhe que me lembraria) e por isso não entendo de todo, essa animosidade que guarda contra mim. Queixas-crime!? Música «ilegal»!? Não entendo porque é que diz que a música que ouço não é «legal» (experimente dizer isso com sotaque brasileiro e vai ver que lhe soa melhor!) Também não entendo o folheto explicativo que a sua associação entendeu lançar, nem o tom contraceptivo e profiláctico da mesma, supostamente para alertar os “adultos” (eu sou adulto, não sou é idiota, caraças!) sobre os perigos dos serviços P2P, designadamente a possibilidade de descarregar conteúdo pernicioso, pornográfico e ofensivo. E se eu lhe disser senhor Eduardo Simões, que são exactamente os seus amigos, dessas suas Associações manhosas a que o meu amigo pertence, esses senhores que se dizem o último bastião, os cavaleiros protectores dos direitos dos autores e dos artistas e da dita música «legal», quem está a inundar a rede com ficheiros de conteúdo pernicioso, pornográfico e ofensivo. São os seus amigos, os da indústria fonográfica, os que papam a maior fatia do bolo (quanto ganha um autor por comparação com a editora?) que não conseguindo licitamente estancar o fenómeno (leia-se manter o statu quo) o fazem de forma ilícita. Já agora e por falar em conteúdo pernicioso, devo avisá-lo que considero esse seu discurso do «ilegal» completamente boçal e salazarento e essa sua postura arrogante altamente perniciosa, pelo que vou tentar manter as suas palavras e o seu folheto bem longe das minhas filhas, adultos, amigos e de todos os cidadãos que conseguir.

Não vou teorizar sobre o direito de propriedade. Quando estudei direito dizia-se que a propriedade, paradigma do direito, continha em si três outros direitos, o ius utendi, o ius fruendi e o ius abutendi ou ius disponendi ie, o direito de usar, o direito de gozar ou usufruir e ainda o direito de dispor do bem, ou seja vender ou simplesmente transmiti-lo sem contraprestação, dá-lo. Bem sei que nestas matérias imperará uma outra propriedade, a intelectual, que nascendo da primeira apresentará contudo ligeiras nuances, mas da mãe, da original que lhe deu origem, convirá não perder o rumo!

Não resisto a perguntar ao senhor Eduardo Simões e aos amiguinhos dele o que me impedirá de emprestar, a conhecidos e mesmo a desconhecidos os CDs* que acabei de comprar? São meus, faço com eles o que eu quiser. E se para tanto os deixar numa pasta do meu computador ao invés de os entregar em mão a essas pessoas, qual é a diferença!? Os meus CDs (e bato-me também pela desprotecção dos CDs) copio-os as vezes que entender necessárias (o gang a que pertenço diz queimar Cds, do inglês burn) e ninguém tem nada com isso! Claro que não é para vender - aí meu amigo estaremos de acordo, persiga-se esses bandidos! Mas já pensou que em vez de perder tempo no encalço dos piratas, devia antes repensar a margem ou não estando para isso, a estrutura dos custos de produção dos CDs!? Estou seguro que quer do lado das receitas, como na vertente dos custos encontraria muita gordura! Mas como lhe dizia, naturalmente que não queimo CDs para os vender. Eu queimo os meus CDs para os poder ouvir onde quiser, para os ouvir nos meus carros ou no meu barco, nas minhas casas de campo ou de praia, no meu abrigo de montanha, nos meus sistemas hi-fi cá em casa, ou no meu escritório, et cetera, et cetera. E guardo-os, aos CD’s, depois de copiados para formato digital (nós dizemos ripar, do inglês rip) numa pasta do meu pc, que partilho com um grupo de tipos e tipas que, tal como eu, gostam de música.
Bem sei que já lhe terei feito muitas perguntas e agora o senhor secretário-geral da AFP deve estar atarefadíssimo a reunir espiões, polícias, investigadores, juízes e carcereiros para estraçalharem todos os criminosos infames que, como eu, usam o tal perigosíssimo P2P. Mas senhor Eduardo Simões acorde! O mundo mudou! Isto é uma verdade em todos os sectores de actividade, porque é que a indústria fonográfica insiste em tirar os proveitos da globalização mantendo a lógica de mercado tradicional? Não me responda senhor, que esta minha pergunta é retórica!

O álbum de música, seja em cassete, CD ou noutro suporte tradicional, assente no modelo de artista tradicional, sujeito a um trabalho de produção e de distribuição tradicionais para um consumo igualmente tradicional, se ainda não acabou é, definitivamente, uma espécie ameaçada de extinção!

O mundo funciona como um enorme ecossistema e existem apenas três alternativas para qualquer espécie em extinção: migrar, adaptar-se ou morrer.
Boa sorte!


* Questão bem diferente é o de surgirem na rede P2P filmes e álbuns que nem sequer chegaram ao mercado! Mas mesmo nesse caso aconselho que tente falar novamente com os seus amigos da indústria fonográfica e cinematográfica, que ao que parece não conseguem guardar um segredo!

Felix Oberholzer-Gee, Professor da Harvard Business School e o Professor Koleman Strumpf da Universidade da Carolina do Norte defendem, com base no estudo por eles efectuado no Outono/Inverno de 2002, que mesmo a pirataria pouco influi nas vendas de CDs quando comparam os volumes de download de faixas musicais com a venda de álbuns em CD.

Há muitas formas de compensar artistas. Ver por todos a Electronic Frontier Foundation.

no turno da noite

(bolds meus)

domingo, março 26, 2006

Political compass

Economic Left/Right: -6.63
Social Libertarian/Authoritarian: -7.08

ver gráfico:

http://www.digitalronin.f2s.com/politicalcompass/printablegraph.php?ec=-6.63&soc=-7.08

(não sei porque raio não consigo fazer upload da imagem)

É o capitalismo, estúpido!

Há coisas que, estupidamente, me custam a compreender que façam a euforia de um Governo socialista


VAI por aí uma euforia tonta com as OPA e a Bolsa de Lisboa. Em tom entusiasmado, garantem-nos que estão de volta os bons tempos do optimismo económico e da «dinamização» da sempre letárgica Bolsa de Lisboa, e juram até que os simpaticamente chamados «investidores internacionais» estão de volta ao mercado de capitais português. Confesso que não percebo tanta euforia: quando os abutres financeiros voltam a pairar no céu é porque há carne fresca para engolir. Como habitualmente, as vítimas vão ser os ingénuos que ouviram dizer que «a bolsa está a dar» e que, sem tempo, conhecimentos e «contactos», vão meter lá as suas poupanças só para perceber que chegaram tarde e a más horas, porque os «investidores internacionais» e os especuladores nacionais já «realizaram mais-valias» e, ala que se faz tarde, foram-se para outras paragens. Já assisti, pelo menos, a duas conjunturas de euforia bolsista entre nós, e não me lembro que a bolsa tenha saído credibilizada ou que o país tenha visto a sua riqueza acrescida, as suas empresas mais competitivas ou a economia mais sólida. Lembro-me, sim, de algumas fortunas feitas em «over-night» e de algumas empresas sem futuro capitalizadas até ao absurdo, e logo vendidas pelos seus proprietários.

Mas a verdade é que andam todos eufóricos, com estes jogos de OPA e contra-OPA. Ensinam-nos, até às décimas, a composição societária da Sonae, da PT, da EDP, do BPI, do BCP, do BES, ficamos a saber quem está por trás de quem, quem está com os espanhóis e quem é suspeito de «patriotismo», quais são os negócios com marca da Opus Dei e os da Maçonaria, e, em tom íntimo, ouvimos dissertar sobre as intenções do Paulo, do Belmiro, do Ricardo, do Fernando e do Engenheiro. Espantados, vemos o acossado presidente da PT discursar às tropas comparando-se ao general Kutuzov resistindo ao Napoleão-Belmiro às portas de Moscovo, e vemos os amigos de ontem acusarem-se de ataques «hostis» e, entrelinhas, de quererem roubar à má-fila o negócio alheio. A paz implodiu entre os cavalheiros da finança, mas, aparentemente, isto é um bem para o país, tão bom que os ministros do Governo não disfarçam a sua satisfação com o que consideram «a retoma da confiança» e «a demonstração de que o mercado funciona». Não compreendo: não foi Marx quem ensinou que é assim que o capitalismo caminha para a sua autodestruição, engolindo-se todos uns aos outros? E não são estes, apesar de tudo, ministros de um governo socialista?

Mas há mais coisas que, estupidamente, me custam a compreender que façam a euforia de um Governo socialista, observando de fora, e deleitado, este espectáculo de miúdos a jogar Monopólio. Vejamos: se, depois de sucessivas fusões e aquisições, só restam praticamente três bancos privados portugueses, não é mau para a concorrência e para os consumidores que um deles engula outro? Com mais de meio milhão de desempregados, não é pior que as anunciadas OPA resultem também em já anunciados despedimentos? Quando se quer impor o aumento da idade da reforma, é saudável que se anunciem, como resultante das OPA, reformas antecipadas, chamadas tecnicamente de «aproveitamento de sinergias»?

E, já agora, o principal: de onde vem tanto dinheiro? À custa de quem foram obtidos os astronómicos lucros da EDP? É sem dúvida louvável que o presidente-cessante da empresa se despeça dando um bónus de 120 euros a cada um dos seus 8.000 trabalhadores (além dos tradicionais e infinitamente mais generosos prémios aos administradores, decididos por um órgão societário, hoje determinante, chamado «comissão de vencimentos»): mas não seria mais louvável que tivéssemos a electricidade mais barata, conforme foi solenemente prometido quando se privatizou a EDP? E o que andava a PT a fazer com tanto dinheiro que, só agora, sob ameaça, resolveu dobrar o dividendo dos accionistas, assim como só agora se dispõe a aceitar o fim do seu confortável monopólio de facto na rede fixa? Não teria sido possível, sem OPA, ter aberto o sector à concorrência muito antes, para que o telefone tivesse deixado de ser entre nós um produto de luxo e os portugueses não fossem obrigados a sofrer o pior e mais caro serviço de telefone fixo de toda a Europa?

E os lucros dos bancos, santo Deus?! Como é que num país onde o PIB cresce 0,5% e os depósitos dos clientes, geridos «private» e profissionalmente, pouco mais valorizam do que a taxa de inflação (e, vá lá, vá lá...), os bancos conseguem apresentar lucros de 60 e 70%? E como podem pagar em média 10% de IRC sobre os lucros - graças ao «off-shore» da Madeira, à «consolidação fiscal» e a uma série de bonificações e isenções - enquanto os seus clientes pagam até 42% de IRS e o porteiro do banco alguns 20%? Onde está a riqueza do país correspondente à riqueza destes gigantes nacionais? Onde estão as empresas que crescem e criam empregos e riqueza graças a financiamento acessível, energia a preços concorrenciais e telecomunicações eficientes e baratas?

Sim, eu sei: lá fora, dizem-nos, é igual. «Lá fora», e «na vizinha Espanha», em particular, também há OPA e «off-shores» e fusões e lucros absurdos no sector financeiro. Já me explicaram isso vários economistas, vários ministros, vários pragmáticos - e eu continuo sem perceber bem. Também sei que há a «globalização» e a necessidade de as nossas principais empresas ganharem «dimensão crítica», para resistirem a investidas do estrangeiro e não termos de cair na situação onde agora se encontram espanhóis e franceses, inventando legislação retroactiva e batotas de emergência engendradas pelos governos, para defenderem os seus «campeões nacionais». Mas, permitem-me um desabafo? A finalidade do capitalismo, como aliás a de toda a economia, não é a satisfação das necessidades individuais? Pois se assim é e se vivemos num incontornável mundo globalizado, a mim, enquanto consumidor e destinatário final das politicas económicas, é-me indiferente a nacionalidade da operadora telefónica, da seguradora do meu carro ou do banco que me financia o crédito à habitação: quero é poder escolher entre quem melhor me sirva.

Por teimosia patriótica ou por necessidade estratégica, acho prudente não abrirmos mão de algumas coisas, mas de outra natureza: a água, a língua e a cultura, a paisagem natural e o património, as 200 milhas, as leis e tradições de vida em sociedade, a Justiça pública, a Caixa Geral de Depósitos, a Selecção Nacional de Futebol e o arquipélago dos Açores. Acrescento, por razões de pura política, mais duas instituições, que acho que devem ser defendidas e até subsidiadas: a agricultura e o Vasco Pulido Valente. A agricultura, por razões à vista de preservação da vida rural e da paisagem e de povoamento e ordenamento do território; o Vasco Pulido Valente, porque, sem o seu pessimismo extremo, temo que já não restassem, por oposição, quaisquer razões para optimismos.

Agora, de duas uma: ou se quer ver o mercado funcionar a sério e então não são admissíveis distorções à concorrência nem situações de favor e privilégio; ou isto não é a sério e não finjam que é, quando dá jeito, e que já não é quando aqui d’el rei que vêm aí os espanhóis engolir os nossos «campeões nacionais».


Miguel Sousa Tavares
(Expresso)

quinta-feira, março 16, 2006

Auschwitz de cartolina

Segundo o Público (...), a sub-directora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou que «cem mil portugueses considerados 'fundamentais para o país', devido aos cargos que ocupam, vão receber antivirais em caso de pandemia provocada pelo vírus da gripe das aves». Mesmo tendo em conta que «as recomendações técnicas apontam para a vacinação universal em Portugal». Isto tem diversos nomes: falta de humanidade e de sentido do público, vertigem da eugenia, atitude política de nazi (para atalhar nos epítetos). Se tal se vier a concretizar, serão assim prioritários os serviços do Estado, com os profissionais de saúde e da segurança à cabeça. Sabendo-se como funcionam as coisas, haverá porém, com toda a certeza, umas cunhazitas para aparatchiks partidários, motoristas e barbeiros do poder conseguirem aceder a esta lista de Schindler. Para não falar das reservas para figuras imprescindíveis da República, naturalmente «vacináveis», como o futebolista Cristiano Ronaldo, o cientista político João Carlos Espada, o apresentador Jorge Gabriel ou a multifacetada Clara Ferreira Alves (e seus heterónimos). Neste Auschwitz de cartolina todo o delírio é possível.

n'a terceira noite
http://aterceiranoite.blogspot.com/2006/03/auschwitz-de-cartolina.html

sábado, dezembro 03, 2005

Homofobia e hipocrisia

Texto do blog 'Em Chávena Fria':

Como é do conhecimento geral, a Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, proibiu qualquer manifestação de afecto entre alunos. Esta medida surge em resposta ao namoro de duas alunas. Uma medida anti-abraço, anti-afectos, com vigilância permanente. Uma medida que, segundo o Presidente do Conselho Executivo, quer implementar a decência. Decência numa cabeça podre. Tão podre que indigna qualquer pessoa. As alunas têm o apoio da Associação de Estudantes e dos restantes colegas. Parece que só na cabeça dos alunos reina a “decência” de valores e atitudes.
Não nos podemos deixar de escandalizar. A medida é homofóbica e coberta por uma hipocrisia tremenda e nojenta.
Não sabemos que medidas tomou o Ministério da Educação. Sabemos que o Bloco de Esquerda fez um requerimento à Ministra da Educação.
Na nossa opinião, há uma medida a ser tomada: instauração de um processo disciplinar a professores e à auxiliar que insultou uma das raparigas. Podem ler aqui a carta aberta ao executivo da referida escola escrita pela Equipa do Projecto Educação e pela Direcção da rede ex aequo.

http://emchavenafria.blogspot.com/

Mário Cesariny de Vasconcelos

Prémio Vida Literária e Ordem da Liberdade.

Finalmente.

Fernando Pessoa




13 de junho de 1888 - 30 de novembro de 1935

Memória e vergonha

Direita da moda

A história de uma certa direita portuguesa em liberdade é trágica. Para não dizer cómica. Nunca se livrou da tutela ideológica e psicológica de Salazar. E como foi apanhada de calças na mão no 25 de Abril, a primeira coisa que fez, à bomba e nos bastidores, foi defender os seus privilégios. Com a demissão de responsabilidades por parte de uns, a corrupção de outros e a reciclagem de vários adversários de caminho, lá conseguiu. Sempre abençoada pelo divino Espírito Santo e pelo outro, cá na terra. Alguma arraia-miúda, nem sempre ignorante, mas sempre sabuja, fez o servicinho sujo. Sem praticamente sentar o rabinho no banco dos réus.

Com o passar do tempo, a democracia revelou-se um bom negócio para a direita portuguesa. Sem a maçada das prisões, da censura, da ausência de liberdades e da repressão - coisas que, à luz dos critérios eurocratas de hoje, significariam uma despesona e engordariam o défice – a direita refez-se, recompôs-se, endireitou-se.

Com falinhas mansas, proclamações diárias de fidelidade à democracia e ao mercado, a direita portuguesa recuperou facilmente os cordelinhos da nação. E onde lhe faltou arte, engenho ou, pura e simplesmente, teve pudor e vergonha, contou sempre com a prestimosa ajuda do PS. Se a sua memória não fosse selectiva, Mário Soares lembrar-se-ia certamente disto.

Entretanto, eis que desponta uma nova geração.

A intelectualidade de direita está na moda, nos blogues, nos jornais, na capa das revistas. Metaforicamente, também chegou ao poder. Polémicos, irreverentes, aparentemente indomáveis, são os novos gurus. Não querem sequer fazer justiça. Só dizer mal dela nas horas de tédio. E falar de filosofia entre biquinis. Para isso e por isso, dizem as coisas originais de sempre, aprendidas com a velha guarda da direita escrivona: Portugal não presta, os portugueses são uma tribo inqualificável, os governantes deviam estar todos presos, as guerras lá longe são todas justas... e vamos jantar que se faz tarde, que isto de chocar e pasmar dá muito trabalho e apetite.

A direita portuguesa já tinha governantes, gestores e jovens empreendedores. Agora, pelos vistos, descobriu-se que também sabe escrever. Não é novidade, mas agradece-se o lembrete. O que eu pergunto é se essa direita terá memória. E vergonha. Dava jeito.


(Miguel Carvalho)


http://visaoonline.clix.pt

quarta-feira, outubro 19, 2005

Curti que nem um texugo

Fui a uma loja e ouvi isto a tocar. Hip-hop 'tuga'. Curti que nem um texugo!


Boss Ac - Farto De

Tou farto de ser artista, foda-se...
Tou farto destas merdas
Farto deles todos, farto destes cabrões
Farto do Bush, farto de guerra
Cambada de filhos da puta
Farto de ser culpado sem ter culpa de nada
Ser rejeitado, farto de conversa fiada
Farto deste sistema de merda que nos engole
Farto destes políticos a coçar colhões ao sol
Farto de promessas da treta
Sobem ao poder, metem as promessas na gaveta
Farto de ver o país parado como uma lesma
Ver as moscas mudarem e a merda ser a mesma
Farto dos ver saltar quando os barcos naufragam
Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam
Farto de rir quando me apetece chorar
Farto de comer calado e calado ficar
Farto das notícias na televisão
Farto de guerras, conflitos, fome, destruição
Farto de injustiças, tanta desigualdade
Cegos são os que fingem que não vêem a verdade
Injustiça, guerra, racismo, fome, desemprego, pobreza
E eu tou farto
Mentiras, traição, inveja, cinismo, maldade, tristeza
E eu tou farto
Injustiça, guerra, racismo, fome, desemprego, pobreza
E eu tou farto
Mentiras, traição, inveja, cinismo, maldade, tristeza
Já chega...
Farto de miséria, o povo na pobreza
Uns deitam comida fora, outros não a têm à mesa
Farto de rótulos, estigmas, preconceitos
Abrir os olhos e não ver os mesmos direitos
Farto de mentiras, farto de tentar acreditar
Farto de esperar sem ver nada a melhorar
Farto de ser a carta fora do baralho
Farto destes cabrões, deste sistema do caralho
Injustiça, guerra, racismo, fome, desemprego, pobreza
E eu tou farto
Mentiras, traição, inveja, cinismo, maldade, tristeza
E eu tou farto
Injustiça, guerra, racismo, fome, desemprego, pobreza
E eu tou farto
Mentiras, traição, inveja, cinismo, maldade, tristeza
Já chega...
Ver roubar o que é nosso e eu impávido e sereno
Acusado de coisas que eu próprio condeno
Farto de ser político quando só quero ser MC
Não te iludas, ninguém quer saber de ti
Todos falam da crise, mas nem todos a sentem
Todos com razão, mas muitos deles apenas mentem
Vês camuflar durante anos a fio
Tavam lá todos mas ninguém viu
Não foi ninguém, ninguém fez nada
Se por acaso perguntarem, ninguém diz nada
Farto de ver intocáveis saírem impunes
Dizem que a justiça é para todos, mas todos são imunes
Dois pesos, duas medidas
Fazem o que fazem, seguem com as suas vidas
Para o povo não há facilidades
E os verdadeiros criminosos do lado errado das grades
Injustiça, guerra, racismo, fome, desemprego, pobreza
E eu tou farto
Mentiras, traição, inveja, cinismo, maldade, tristeza
E eu tou farto
Injustiça, guerra, racismo, fome, desemprego, pobreza
E eu tou farto
Mentiras, traição, inveja, cinismo, maldade, tristeza
Já chega...
Tou farto destes filhos da puta...
Farto de cínicos, farto de guerra
Governo de merda

domingo, setembro 18, 2005

Novos horizontes II

Bioteca

Uma empresa de biotecnologia apresentou-se ontem como a primeira com laboratório em Portugal para conservar as células estaminais do cordão umbilical e investigar nesta área, com a qual espera ganhar um milhão de euros no próximo ano. A Bioteca desenvolve a sua actividade no Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, onde oferece infra-estruturas (laboratório) para a implementação da tecnologia de criopreservação de células estaminais do cordão umbilical, que são uma esperança para a regeneração de tecidos afectados por várias doenças.

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Novos horizontes

Cientistas criam spray para tratar queimaduras

Uma nova técnica para o tratamento de queimaduras à base de um dispositivo em spray criado na Austrália e desenvolvido na Grã-Bretanha pode significar tratamentos mais rápidos e efectivos para as vítimas.
O novo método utiliza amostras de tecido saudável, tal como a prática tradicional, mas mistura-o numa solução que é borrifada na queimadura do paciente. O novo tratamento pode cobrir áreas maiores, de forma mais rápida e com menos cicatrizes.
O método actual de tratamento para queimaduras sérias é usar partes não afectadas de tecido do paciente, expandi-las mecanicamente e cobrir as partes queimadas como se fosse uma espécie de remendo que, com o tempo, se funde com a pele do resto do corpo.

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