quinta-feira, julho 21, 2005

Ignorância e tacanhez americana

Contestação ao Nobel de Egas Moniz nos EUA
Fundação Nobel diz não às exigências de alguns familiares de lobotomizados



Setenta anos depois de o primeiro Prémio Nobel português ter iniciado as suas investigações sobre psicocirurgia, reacende-se o debate sobre a prática da lobotomia. Familiares de pacientes que foram submetidos a lobotomias querem que o Nobel atribuído a Egas Moniz seja revogado. A fundação que atribui o prémio mais prestigiado do mundo já garantiu que isso "é impossível".

Para o neurologista e investigador português Alexandre Castro Caldas, que nos últimos 25 anos dirigiu o Centro de Estudos Egas Moniz, no Hospital de Santa Maria, a reivindicação desse grupo de familiares revela "uma grande ignorância científica". E explica "O prémio Nobel foi-lhe atribuído por um trabalho que abriu portas a um desenvolvimento científico e não pela prática clínica. Nos anos 30, a leucotomia representou um progresso enorme no conhecimento de funções cerebrais. Foi aí que se estabeleceu pela primeira vez uma relação directa entre a doença mental e a estrutura cerebral".

Egas Moniz começou a praticar a leucotomia pré-frontal em 1936, em Lisboa, em pacientes com problemas psiquiátricos graves. A operação consistia em realizar incisões em fibras nervosas que ligam o lobo frontal a outras regiões do cérebro e era praticada através de orifícios feitos no crânio.

Pioneiro da angiografia cerebral, e internacionalmente respeitado por isso, Egas Moniz participara em 1935 no II Congresso Internacional de Neurologia, em Londres, onde foram apresentados os trabalhos de James Watts e Carlyle Jacobson, da Universidade de Yale, sobre os resultados da destruição em laboratório dos lobos frontais de chimpanzés. A capacidade de aprendizagem dos animais ficava substancialmente reduzida e os seus estados emocionais alterados. Isso levou Egas Moniz a perguntar se a remoção do lobo frontal poderia evitar o desenvolvimento de neuroses experimentais em animais, eliminando os sintomas de frustração. "Não será viável diminuir os estados de ansiedade no homem por meios cirúrgicos?", questionou o neurologista português. A resposta de Watts de que isso seria "um passo formidável", levou-o a iniciar os estudos que conduziriam à leucotomia, assim que regressou a Lisboa. Em 1949 recebia o Nobel.

Ao saber das experiências realizadas em Portugal, o médico americano Walter Freeman apressou--se a divulgar o método nos Estados Unidos. A leucotomia, que foi depois designada por lobotomia, tornou-se ali muito popular e nos 40 anos seguintes foram feitas umas 50 mil lobotomias nos EUA.

Freeman fazia-as onde calhava. Primeiro no seu escritório, depois numa carrinha transformada, na qual percorria o país, o "lobotomobile". Watts, que inicialmente fez parelha com Freeman, afastou-se por não concordar com a rudeza dos instrumentos usados por aquele para fazer as aberturas nos crânios, por vezes com picões de gelo e maletes de borracha comprados na loja da esquina.

Em 10% das cirurgias os pacientes mostraram melhoras. Mas nos outros 90% os resultados foram mais ou menos desastrosos. Familiares de alguns desses casos de insucesso querem agora o que consideram ser a reposição da justiça. Como é tarde para compensações financeiras ou outras, lançaram um movimento para que seja retirado o Nobel a Egas Moniz.

Iniciado por Christine Johnson, cuja avó, Behula Jones, foi lobotomizada em 1954 e passou o resto da vida internada em estabelecimentos psiquiátricos, até morrer, em 1989, o movimento para tirar o prestigiado galardão a Egas Moniz ganho terreno.

Michael Sohl, o director-executivo da Fundação Nobel, já descartou completamente, no entanto, essa hipótese. "Não há qualquer possibilidade de o fazermos", garantiu publicamente. E sublinhou não se recordar de nenhum outro Nobel da Medicina que tenha sido contestado.

A Carta Nobel, por outro lado, não contém nenhuma cláusula que preveja a revogação de um prémio e a fundação ignora habitualmente as críticas, como aconteceu quando foi atribuído a Yasser Arafat o Nobel da Paz.

Depois disso, o movimento liderado por Johnson tentou que fosse retirado do site da Fundação Nobel o artigo em que Bengt Jansson faz o elogio do cientista português, e no qual explica que o português "iniciou e conseguiu entusiasmo para a importância da leucotomia pré-frontal no tratamento de algumas psicoses". Para concluir "De facto, não tenho dúvidas de que Moniz mereceu o Prémio Nobel".

Mas também a essa pretensão do grupo de familiares a fundação já respondeu com um rotundo não. Perante esta nova recusa, Johnson quer agora obter a adesão de outros galardoados com o Nobel à sua campanha. Aparentemente sem qualquer sucesso, também.

"A aplicação errada da técnica desenvolvida por Egas Moniz não lhe pode ser imputada", sublinha, por seu lado, Castro Caldas.

De outra maneira - ironia das ironias - Alfred Nobel, que por testamento deixou ao mundo o prémio com o seu nome, sairia beliscado pela sua própria invenção da dinamite.



Enquanto neurologista, Egas Moniz escreveu diversos livros , destacando-se Diagnóstico dos tumores cerebrais (1931), Angiografia cerebral (1934), Leucotomia prefrontal (1937) e Ao lado da Medicina (1940). Egas Moniz recebeu diversas condecorações. Faleceu seis anos depois de ter recebido o Nobel,a 13 de Dezembro de 1955.

(DN online)


(angiografia cerebral - foto do 'Barnabé')

Contra a limitação das liberdades individuais



Com a 'Linha dos Nodos': Ferozmente contra a limitação das liberdades individuais

Igualdade na morte

1/3 dos 25.000 civis mortos no Iraque desde o início da intervenção para acabar com o terrorismo internacional foram vítimas das tropas da coligação.
São mais de oito mil mortos civis.
Esta notícia mereceu breves segundos nos serviços informativos das várias televisões.
Fica uma pergunta inspirada noutra de Sartre em "O Diabo e o Bom Deus": quantos mortos civis iraquianos serão precisos para se obter o impacto informativo das bombas de Londres?
E isto não quer dizer que eu apoie o terrorismo ou o considere justificado pelas mortes iraquianas ou a questão da Palestina, seus comentadores precipitados: apenas acho que os civis iraquianos e os londrinos são igualmente pessoas.
Ou não?
Ou os fins justificam os meios? E as vítimas...

Texto do 'Votem nas putas que nos filhos não resultou'



(Thomas Dworzak - IRAQ. Falluja. June 13, 2005. al-Anbar province. Joint patrol. 2nd MEF (Second Marine Expeditionary Force), US Marines from Camp Lejune, North Carolina. 4th Marine Reserve)

quarta-feira, julho 20, 2005

Fronteiras

ARAME FARPADO: 1 - POEIRA PARA OS OLHOS: Já se sabe que os tempos não estão para liberdades. Ainda assim, surpreende-me que ninguém esteja muito ralado com a suspensão dos Acordos de Schengen pela França. Por várias razões.
Em primeiro lugar, porque não devemos olhar para aquela decisão como meros observadores externos, que comentam actos alheios: Portugal é Parte na Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen. Uma convenção cria direitos e obrigações e, até ao momento, os cidadãos portugueses tinham direito a entrar em França sem estar sujeitos a controlos fronteiriços (obviamente, desde que não viessem de fora do Espaço Schengen). O que significa que a decisão da França afecta a liberdade de circulação dos cidadãos portugueses.
Seguidamente, há que saber se ela foi tomada de acordo com o que se prevê na Convenção de Aplicação (art. 2º, nº 2), onde, de facto, se permite a reintrodução temporária dos controlos fronteiriços por razões de "ordem pública ou de segurança nacional". A este propósito, é elucidativo o soundbyte emitido por Sarkozy: "se não reforçarmos os controlos nas fronteiras quando cerca de 50 pessoas são mortas em Londres, não sei quando o faremos".
Sim, esta justificação é muito apelativa na sua manhosa simplicidade. Mas se a olharmos mais detidamente, vemos que: 1) a França não reintroduziu os controlos fronteiriços no 11 de Março, onde morreu mais gente, mais perto, e não parece que isso lhe tenha trazido grandes problemas; 2) o problema da França com as bombas de Londres não parece ser maior do que o (ou diferente do) dos restantes países europeus - pode até ser menor, atendendo à sua política externa relativamente ao Iraque e ao conflito israelo-palestiniano; 3) é uma manipulação levantar o medo contra o que vem de fora a propósito de atentados cometidos por quem era de dentro; 4) ninguém no seu perfeito juízo acredita que os controlos fronteiriços sejam um meio eficaz de evitar a entrada de terroristas daquele calibre.
De maneira que a França, dando rédea solta ao pior da sua tradicional pulsão isolacionista, acaba de violar, com o beneplácito dos restantes Países, os deveres que assumiu na Convenção de Aplicação de Schengen.
Claro, há sempre quem se sinta mais seguro por ter de mostrar o passaporte quando vai comprar caramelos a Fuentes d'Oñoro.


PS: A suspensão da liberdade de circulação não implica a suspensão do Sistema de Informação Schengen (SIS), que continua a funcionar em pleno. Obviamente.

No 'Mar Salgado'

O Regresso do 'Lápis Azul' ?...ou pior?

O Governo quer dar poderes à nova Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) para entrar nas redacções e instalações das empresas dos media sem mandado judicial, para proceder à sua fiscalização. De acordo com a proposta de lei do Governo, colocada online pelo Executivo no seu portal, a ERC fica livre para proceder à "divulgação das informações obtidas" e da "identidade dos operadores sujeitos a processos ainda em fase de investigação", bem como da "matéria a investigar".

O mesmo documento propõe que "os funcionários e agentes da ERC, os respectivos mandatários, bem como as pessoas ou entidades qualificadas devidamente credenciadas que desempenhem funções de fiscalização no exercício das suas funções e que apresentem título comprovativo" possam "aceder às instalações, equipamentos e serviços das entidades sujeitas à supervisão e regulação da ERC; requisitar documentos para analisar e requerer informações escritas; identificar todos os indivíduos que infrinjam a legislação e regulamentação, cuja observância devem respeitar, para posterior abertura de procedimento".

Os artigos 40.º ( Funções de Fiscalização) e 48.º (Exercício da Supervisão, alíneas 5 e 6) da proposta de lei definem ainda que os agentes da ERC podem, depois das investigações nas redacções, "reclamar a colaboração das autoridades competentes quando o julguem necessário ao desempenho das suas funções".

CRÍTICAS. Estes artigos, entre muitos outros, já mereceram da Confederação Portuguesa de Meios de Comunicação Social (CPMCS) duras críticas, em documento entregue ao Governo e num resumo enviado aos diferentes grupos parlamentares. Segundo esta associa- ção, que agrega ainda a Associação Portuguesa de Imprensa (AIND), os dois artigos "permitem buscas (que devem, em todos os casos, ser objecto de mandado judicial) sem qualquer aviso prévio, desproporcionais, pelo que é indispensável salvaguardar o segredo comercial, o segredo das fontes de informação e o próprio funcionamento normal da actividade comunicacional".

"De qualquer forma", acrescenta a mesma associação, "esta competência não é adequada aos objectivos da regulação do sector dos meios de comunicação social", sublinhando que "as referidas buscas só deverão ter lugar mediante a exibição de mandado judicial para o efeito, nos termos do Código de Processo Penal, e sob pena de violação de direitos constitucionalmente consagrados". Relativamente à divulgação das informações recolhidas nas buscas, da identidade dos operadores ou da matéria a investigar, a Confederação de Meios considera-a uma situação inaceitável. Sobretudo "enquanto não houver qualquer acusação ou imputação formal", pelo que "estes números devem ser eliminados da lei", conclui.

Em declarações ao DN, o secretário-geral da confederação, Francisco van Zeller, reforça a dúvida quanto a legalidade da proposta, acrescentando que a mesma reflecte "alguma falta de bom senso".

INCONSTITUCIONAL? Consultado pelo DN, o constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia explica que a lei "pode ser inconstitucional no caso de a intervenção da ERC afectar os direitos fundamentais da inviolabilidade do domicílio ou do sigilo profissional, ambos passíveis de ser investigados apenas com autorização dos juízes". Porém, "a partir do momento em que a Assembleia da República proceda a uma alteração constitucional para criação de uma entidade reguladora, é legítimo que esta exija a cooperação de todos", conclui.

Sindicato. Para o Sindicato dos Jornalistas (SJ), a questão do sigilo profissional é incontornável e limita qualquer tipo de fiscalização.

"O sigilo profissional preserva a redacção ou os arquivos do jornal. Mas um motorista também está impedido de dizer aonde se deslocou com uma equipa de reportagem", disse ao DN Alfredo Maia, presidente do SJ. O jornalista referiu que a questão do sigilo foi acolhida pelo Governo em alguns pontos do projecto de lei da ERC.

O dirigente sindical frisa que esse tipo de fiscalização só pode ser feito com um mandado judicial autorizado por um juiz , segundo critérios precisos, quer se trate da Entidade Reguladora ou da PJ".

(DN online)

E os cidadãos só se lembram de processar as tabaqueiras...

Existem 28 mil pacemakers com problemas de fabrico implantados em doentes de todo o mundo, de nove tipos de aparelhos fabricados entre 1997 e 2000 pela empresa norte-americana Guident. O número de portugueses com estes dispositivos defeituosos - que podem provocar complicações cardíacas graves -, rondará "algumas centenas", afirmou ontem ao DN o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia. Manuel Carrageta acrescentou que os hospitais estão a fazer o levantamento e vão contactar os doentes para substituir o aparelho. Contudo, a Guident recusou-se ontem a adiantar informações.

A empresa anunciou ter detectado problemas em pacemakers de uma geração anterior que não são comercializados há quatro anos. Um material que serve para selar hermeticamente o dispositivo deteriora-se com o passar do tempo, "provocando uma concentração de humidade superior ao normal". Foram identificados 69 casos em que os pacemakers falharam depois de 44 meses de funcionamento. Um deles poderá mesmo ter levado à morte de um paciente.

Aquele que é o segundo maior fabricante mundial de aparelhos para o coração adianta ainda que houve 20 registos de perda de estimulação cardíaca, incluindo cinco doentes que registaram síncopes e pré-sincopes que tiveram de ser hospitalizados.

Os vários hospitais portugueses que fazem esta intervenção estão a recolher informação sobre os doentes que podem ter os modelos com defeito para depois procederem à sua substituição. É o caso de Santa Marta, que já identificou 85 pacientes. Os modelos em causa são o Pulsar Max, Pulsar, Discovery, Meridian, Pulsar II, Discovery II, Virtus Plus II, Intelis e Contak TR. Ao todo, foram comercializados 78 mil, existindo ainda 28 mil implantados em doentes, 18 mil só nos Estados Unidos. No site da empresa estão ainda disponíveis os lotes em causa.

A Guident anunciou que, até ao final do ano, vai substituir gratuitamente os pacemaker e reembolsará os doentes afectados em cerca de dois mil euros. Mas Manuel Carrageta considera que isto não chega. "Há também as despesas de hospitalização e trabalho médico. O Ministério da Saúde devia tomar uma posição sobre a questão". Mesmo porque estas representam metade do custo de uma cirurgia deste tipo, que ronda os cinco mil euros.

Em Portugal, a fiscalização deste tipo de aparelhos está a cargo do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge. Contudo, ontem, até ao fecho desta edição, não foi possível obter qualquer esclarecimento por parte do organismo.

(DN online)

Um pequeno passo

Há 36 anos atrás três homens davam voltas em torno da Lua dentro de duas pequenas naves. Depois o Eagle separou-se do Columbia e começou lentamente a descer em direcção à Lua. Dentro da nave seguiam Armstrong e Aldrin prestes a dar um pequeno passo para o Homem, mas um salto gigantesco para a Humanidade.

Em 'Estrela Cansada'

E uma carga de porrada no Ratz?

Terrorismo na enfermidade

O Papa Ratzinger exortou os médicos a ensinarem aos doentes «o sentido transcendente da dor e da enfermidade». Nessa carta, B16 incita «os médicos católicos a exercerem sua profissão acompanhando os enfermos com uma atitude de caridade, ensinando-os a aceitar os próprios limites humanos e a enfermidade e animando-os a oferecer ao Senhor seus sofrimentos, unindo assim ao sacrifício redentor de Cristo».

Olhando para o nosso pequeno país à beira-mar plantado, o pedido de Ratzinger, antes de acontecer, já tinha visto acolhimento nos nossos hospitais: temos capelanias hospitalares, assistência espiritual e religiosa, objecções de consciência por parte de médicos que se recusam a praticar o aborto permitido ou cópias da Bíblia. Como se isto não bastasse, e para além da doença, corremos o sério risco de encontrarmos um médico que nos quer fazer ver o «sentido transcendente da dor e da enfermidade».

um artigo de Mariana Pereira da Costa, visto em 'Diário Ateísta'

EU ACHO QUE ALGUÉM DEVERIA OFERECER OS SEUS PRÉSTIMOS NO SENTIDO DE DAR A EXPERIMENTAR AO RATZ O 'SENTIDO TRANSCENDENTE DA DOR'.

Cinema

"Olá, sou o Albertino, director de uma empresa de distribuição de cinema e sou atrasado mental..."

Esta frase não é uma citação fidedigna, mas é quase... Quando existe tanto cinema mundial de qualidade e somos brindados com filmes como "O filho da Máscara" ou aquele da Jennifer Lopez que vai estrear, algo vai mal. Desde filmes de qualidade com anos de atraso, à inserção nas salas de todas as comédias românticas que conseguem arranjar (mesmo que não apareça o Hugh Grant), as salas de cinema portuguesas continuam a ser uma desolação sem fim à vista.

Já ouvi várias teorias de que temos o cinema que o público merece, mas também não há educação, um certo brio das distribuidoras nacionais. É o sindrome tipicamente português de quem abre um negócio: ganhar tudo de uma vez sem pensar em futuros ou no cliente. A crítica também não ajuda, porque o elitismo tem atingido pontos quase gritantes por parte dos profissionais.

O cinema nas nossas salas resume-se a produções em massa baseadas em templates testados e comprovados. Tudo americano e de Hollywood. Cinematografias asiáticas, europeias e sul-americanas quase nem aparecem. E são cinematografias comerciais... Já nem falo em cinema africano, iraniano ou Indiano, já ficava satisfeito com qualquer coisa que não me faça lembrar os actores do Dallas. Não admira que o pessoal "importe" cada vez mais cinema, passando ao lado do circuito nacional da distribuição.

visto no 'Cinema Xunga'

Reputações

Noventa por cento dos políticos dão aos restantes dez por cento uma péssima reputação.

(Henry Kissinger)

visto no 'A Razão tem sempre cliente'

Silly Season

O mais forte indício de que já começou a silly season é a SIC noticiar que foram apreendidos 23 quilos de salsichas e uma quantidade indeterminada de vinho (uns bons garrafões imagino) ocultados num camião que transportava palha para a Suiça.

(visto na 'Grande Loja dos Trezentos')

Esclareçam-me...será que a 'silly season' dos noticiários da SIC e (arrgh) da TVI não é todo o ano?

segunda-feira, julho 18, 2005

'Robotarium'

Primeiro 'robotarium' do mundo abre no Outono



O que será o primeiro robotarium do mundo está a ser instalado num novo jardim de Alverca, estando a inauguração deste projecto inovador, que alia a arte à ciência, previsto para o próximo Outono. A comunidade robótica que vai nascer no Jardim de Arcena/Bom Sucesso, nos arredores de Alverca, será constituída por 30 a 40 elementos de várias espécies e tamanhos, com formas de pequenos carrinhos, de bolas, de insectos e outros animais de pequeno porte. Os robots, que vão usar tecnologia em tudo semelhante à dos congéneres da NASA, terão capacidade para se movimentarem e irão identificar obstáculos. Este projecto de arte pública, que começou a ser desenvolvido em Maio de 2004, pelo arquitecto e artista plástico Leonel Moura, será incluído no programa de requalificação urbana Proqual em curso nos dois bairros alverquenses. A implementação de robótica está a cargo da empresa portuguesa IdMind, com o apoio da Câmara de Vila Franca de Xira. Para demonstrar como irão circular os robots que idealizou, o autor usa a imagem de um aquário gigante que "em vez de ter peixes tem robots lá dentro". Para distinguir as várias espécies de robots que vão viver no "robotarium", Leonel Moura utiliza "aquilo que é mais relevante na sua existência o movimento; isto é, se usam rodas, rastejam, dão saltos. Também são usadas referências de tipo genético: alguns robots simulam comportamentos parecidos com insectos, outros com veículos, outros imaginários", descreve. Os robots foram concebidos de forma a resistirem ao tempo, aos embates e à poluição, na perspectiva de terem uma "esperança de vida" longa. Os autómatos serão movidos a energia solar e por isso as estruturas terão limitações na sua forma, no peso e no modo de se deslocarem. Para poupar a energia que acumulam com a luz do sol, descansam à noite. Leonel Moura diz que esta intervenção artística é indissociável do lado lúdico gerado por este projecto, porque "as pessoas vão ver os robots a movimentarem-se e será também uma forma de estimular o interesse dos jovens pela ciência". O autor já divulgou o "robotarium" em várias cidades europeias e meios universitários estrangeiros. Évora, Pequim, Berlim, Roterdão, Lyon e Paris foram algumas delas. Também Madrid e Bolonha já estiveram na rota do projecto.



(Kim Hunter)

RAPOSA

Robô teleoperado para auxílio aos bombeiros em operações de busca e salvamento, o RAPOSA foi criado no Instituto Superior Técnico (IST), em parceria com a empresa IDMind, e "chega onde o homem não pode", nas palavras de Isabel Ribeiro, directora do projecto.

Na apresentação da máquina, na semana passada, no IST, Pedro Lima, do Instituto de Sistemas e Robótica, do Técnico, garantiu que o robô será um parceiro fundamental dos bombeiros. "Um prédio cai, e o RAPOSA vai para o terreno para ver se há sobreviventes, transmitindo através dos seus sensores todas as informações ao operador. Um bombeiro demora mais tempo porque pode também correr perigo", explicou o investigador.

O RAPOSA foi concebido para actuar em ambientes tóxicos, de fraca visibilidade e irrespiráveis, como os escombros de um prédio. Com as medidas perfeitas para poder aceder a espaços pequenos, o robô está equipado com duas webcam, ligação com e sem cabo, câmara térmica, sensores de inclinação, humidade, temperatura e gases nocivos, e envia informações ao operador através do computador de bordo.

Depois de vários testes, que decorreram na Escola do Regimento de Sapadores dos Bombeiros, em Chelas, Isabel Ribeiro garantiu que o RAPOSA já pode ser usado num cenário real de desastre. "Vamos melhorá-lo, queremos instalar um microfone para que se ouça a vítima, mas já está em condições de ajudar". No fim da apresentação, houve alguma dificuldade em pôr o RAPOSA a funcionar, mas Isabel Ribeiro não se mostrou preocupada. "As máquinas também podem falhar, não são só os homens".



(Fredrick Marsh)

Lisboa - Dakar

O Rally Lisboa/Dakar, cuja partida está marcada para 1 de Janeiro de 2006, sob o impulso do empresário João Lagos, vai proporcionar um fim de ano em grande na cidade de Portimão, que será a sede algarvia do mítico evento, o qual, ao fim de 27 anos, passará pela primeira vez em Portugal. O programa de animação, a cargo da câmara local, da Região de Turismo do Algarve (RTA) e de associações empresariais do sector, só ficará concluído no final de Agosto. Mas segundo apurou o DN está em aberto a possibilidade de estender um vasto leque de iniciativas por toda a região, nessa altura - desde a gastronomia até acções lúdicas, culturais e outras de música popular, como por exemplo o folclore e um Festival de Charolas (provavelmente em Estói, no concelho de Faro). Isto além de incluir no programa o habitual concerto de final de ano em Albufeira.

O "circo" do rally será montado na zona ribeirinha de Portimão, que, de resto, tem funcionado como palco de eventos internacionais. "Queremos ter aquele espaço disponível para as pessoas contactarem com as máquinas e com os pilotos. E pretendemos ter ali, também, uma animação muito grande de passagem-de-ano, provavelmente um grande concerto com artistas portugueses ou estrangeiros", disse ao DN Manuel da Luz, presidente da autarquia portimonense, que investe cerca de 350 mil euros naquela organização. O Parque de Feiras e Exposições da cidade poderá receber parte da animação.

O rally, que nesta edição alcançou o número máximo de inscrições com um total de 725 veículos, entre automóveis, motos, camiões e viaturas de assistência, deverá juntar no Algarve cerca de 3 mil pessoas, nomeadamente pilotos, co-pilotos, mecânicos e outros acompanhantes. Hélder Martins, presidente da RTA, aposta em dois tipos de animação uma voltada para a classe A, com um concerto de topo de fim-de-ano, "para atrair empresários e outras pessoas que apreciam um produto de grande qualidade de forma a transmitir a imagem do Algarve como destino onde se realizam grandes eventos"; e em paralelo uma "animação sobretudo de massas", com um espectáculo musical e o contacto com o "circo" que poucas horas estará a caminho de Espanha para atravessar o continente africano.

A caravela Boa Esperança vai estar iluminada e atracada em Portimão, podendo ser visitada por quem o desejar. E se as condições atmosféricas o permitirem, haverá festa e animação no interior. Por outro lado, estuda-se a hipótese de o Douro Azul, navio hotel que inaugurou cruzeiros no litoral algarvio, proporcionar um réveillon no rio Arade. "Esperamos encher o Algarve no fim-de-ano e caberá no pacote de animação tudo o que são eventos a esse nível nesta região, a qual, terá de se rever neste projecto", sublinha Hélder Martins.

O responsável da RTA só espera que os hoteleiros saibam aproveitar as oportunidades de negócios, proporcionando preços equilibrados, por exemplo entre o Natal e fim-de-ano, para "não acontecer o que sucedeu no Euro-2004, em que muitos visitantes foram dormir a Espanha". Para a divulgação deste rally, a Associação para a Promoção do Turismo Algarve, de que fazem parte a RTA e empresários, vai despender 500 mil euros. "O Algarve recebe o Dakar" deverá ser o slogan.



(Tim Andrews)

domingo, julho 17, 2005

Eles 'andem' aí...

Octopus Dei

Robert Hutchinson, um jornalista inglês radicado na Suíça, escreveu há alguns anos um livro polémico sobre a Opus Dei. Nesse livro, ele sustenta a tese que "a Opus Dei permanece vivamente interessada em influenciar a opinião pública ao colocar determinados dos seus membros em posições chave dos media". Para dar corpo à tese, o autor também cita um relatório sobre a composição da Opus Dei enviado ao Papa João Paulo II há quase 20 anos. Os números falam por si: "(o documento) apresentava estatísticas incluindo a força exacta da Opus Dei-72 375 membros, casados ou solteiros, homens ou mulheres, representando 87 nacionalidades, dos quais apenas dois por cento eram sacerdotes(...)". O memorando desvendava também alguns pormenores das actividades do Opus Dei: "Membros do Opus Dei trabalham já nos seguintes empreendimentos profissionais... 479 universidades e institutos de ensino superior em cinco continentes; 604 jornais, revistas e publicações científicas; 52 estações de rádio e televisão; 38 agências de notícias e publicidade; 12 companhias produtoras e distribuidoras de filmes".

Palavra de honra que dava dinheiro para saber quais são as estatísticas actualizadas e quem são estes senhores das sombras.

Copiado da 'Grande Loja dos Trezentos'



(Janet Neuhauser)

E a Madeira é um Jardim...

Finalmente, Alberto João Jardim começa a ser reconhecido no estrangeiro, como figura(o) de vulto! Conseguiu a contracapa do El Mundo da passada 5ª feira.

Via: Diário de Notícias da Madeira



El Mundo apelida Jardim de "professor do insulto"

Um artigo publicado quinta-feira no matutino espanhol, fala dos «excessos verbais» de Alberto João Jardim

Alberto João Jardim anda, a bem dizer, nas bocas d’"El Mundo". Um artigo publicado anteontem, naquele que é um dos maiores jornais espanhóis, faz o retrato do presidente do Governo Regional da Madeira, através da escrita da jornalista Sonia Dominguez. Com o título «O professor português do insulto», a página começa com uma frase de apresentação «o zoo do século XXI: Alberto João Jardim/ O presidente regional da Madeira caracteriza-se pelos seus excessos verbais e pelo seu ataque sistemático à metrópole».

Começando a peça jornalística com uma caracterização do povo português, o "El Mundo" considera que este é um povo «muito diplomático que, todavia, mantém tratamentos como "senhor doutor" e "se me dá licença". No entanto, o país treme sempre que ressoam ecos da Madeira, uma vez que o seu presidente tem um comportamento contrário ao do povo português, «dizendo o que lhe chega directamente à cabeça». Na óptica da jornalista, chamar «loucos e incompetentes» aos políticos de Lisboa é apenas o início de «uma lista de impropérios» que pelo meio conta com os «bastardos e filhos da puta» e que nos últimos dias tem culminado com as críticas aos comerciantes chineses. O "El Mundo" refere, neste extenso artigo, que os comentários do líder insular têm provocado uma crise interna e externa que se converteu na actualidade política do Verão. O artigo recorda ainda que o actual líder do partido de Alberto João Jardim foi recentemente eleito e já é considerado pelo madeirense como «"persona non grata" na ilha».

Os espanhóis consideram que esta atitude não é estranha e recordam que, ao longo de todos estes anos de governação, Jardim enfrentou Presidentes da República, primeiros-ministros e líderes do seu próprio partido e há 27 anos que «os portugueses tratam de lidar com as suas excentricidades». Apesar de Jardim ser interpretado como um «cacique, arrogante, autoritário e populista», o artigo do "El Mundo" também refere que lhe é reconhecido o valor de ter fomentado o desenvolvimento económico das ilhas que governa no Atlântico.

As desavenças com Freitas do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros, a propósito do pedido de desculpas à China, também são abordadas neste artigo que foi publicado na última página do matutino espanhol. A jornalista deixa ainda a expectativa de Jardim voltar a ser «demasiado expressivo» na festa do Chão da Lagoa. A peça jornalística de Sonia Dominguez termina com a explicação de que «em casa, o defendem com capa e espada» e com o reconhecimento de que o Governo Regional da Madeira «tem sabido transformar uma região empobrecida, que vivia do comércio das bananas, num pólo turístico de primeira».

(Miguel Torres Cunha)



visto no 'Fumaças'

Portugal visto de fora

DESARROLLO-PORTUGAL:
Lejos de Europa. Mario de Queiroz

LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986 el ”club de los ricos” del continente.

Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.

La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.

A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del ”grupo de los pobres” de la UE), Portugal no supo aprovechar para su desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y económicos.

En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el ranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del bloque.

”La convergencia de la economía portuguesa con las más avanzadas de la OCE pareció detenerse en los últimos años, dejando una brecha significativa en los ingresos por persona”, afirma la organización.

En el sector privado, ”los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican con eficacia y las nuevas tecnologías no son rápidamente adoptadas”, afirma la OCDE.

”La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa central y oriental”, señala el documento.

Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos.

Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servicios.

Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas con el resto de los países industrializados.

En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas hoy indican mayor distancia.

¿Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera de quienes ya tenían más.

Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.

También es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos.

El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que ”el mercado decide los salarios”. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta teoría. ”Son los propios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado”, dijo.

En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, ”los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia”, explicó Cravinho.

Estos mismos grandes accionistas, ”son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los directivos”, lamentó el ex ministro.

La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años ”está siendo pagada por las clases menos favorecidas”, dijo.

Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados. El último es el de la crisis del sector automotriz.

Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000 dólares.

Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares), lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda.

Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes para actualizarla. Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro cuadrado que Italia.

Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos ”están más interesados en la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo”.

Para muchos ”es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión”, dijo Felipe, aclarando que hay excepciones.

”Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país”, opinó.

La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa.

Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas cabezas, manteniendo situaciones ”obscenas” y ”escandalosas”, según el economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello.

”En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose en la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, y deja incólume la nebulosa de los fugitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro”, criticó Metello.

La prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheiros, aparecida este martes en el diario Público de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los llamados profesionales liberales.

Según esos documentos entregados al fisco, médicos y dentistas declararon ingresos anuales promedio de 17.680 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares), los arquitectos de 9.277 (11.410 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares).

Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, ”le roban nueve a la comunidad”, pues estos profesionales no dependientes deberían contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.

Con la devolución de impuestos al cerrar un ejercicio fiscal, éstos ”roban más de lo que pagan, como si un carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar un kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo”, comentó con sarcasmo.

Si un país ”permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos, significa que el sistema no tiene ninguna moralidad”, sentenció. (FIN/2004)

visto no 'Gotika'


(Cynthia Greig)

África

A propósito das comemorações do 30º aniversário da independência do seu país, o escritor moçambicano Mia Couto proferiu na Suiça, no passado dia 16 de Junho, uma conferência subordinada ao tema: 'No passado, o futuro era melhor?' onde aborda alguns dos difíceis problemas da construção da soberania daquele país. Aqui fica um extracto para aguçar a curiosidade:

«O FALSO SENTIMENTO DE DESPERDÍCIO

A opinião pública na Europa e nos EUA mantém a ideia de que África pode sair da situação de crise se gerir bem os fundos doados. A ajuda apenas é insuficiente porque é mal usada.

É certo que parte das doações tem sido desviada em benefício de elites minoritárias. Algumas dessas fortunas roubadas estão aqui, bem no coração da Europa, na forma de criminosas contas bancárias. Mas a grande verdade é que, mesmo bem usada, a actual ajuda não resolveria os problemas vitais das nações empobrecidas. Pelo contrário, o actual quadro da ajuda poderá estar agravando a condição de miséria do Terceiro Mundo.

Regressemos à ideia dominante de que os valores da ajuda são astronómicos. Na verdade, é necessário colocar essas quantias no devido contexto. Os cidadãos americanos acreditam, por exemplo, que o seu país destina 15 a 20 por cento do seu Orçamento para a ajuda externa. Estão errados. Os EUA gastam menos de 1 por cento nessa ajuda, uma ninharia comparada com os milhões que o governo paga por ano aos fornecedores de armamento.

Um escritor sabe contar, não sabe fazer contas. Mas um economista amigo ajudou-me a fazer umas somas e gostaria de partilhar os resultados convosco. Com os 175 biliões de USD que os EUA já gastaram na guerra do Iraque desde Marco de 2003 seria possível fazer o seguinte:

1) Instalar 40.000 pequenas e médias empresas produtivas relativamente modernas e competitivas na África Sub-Sahariana, gerando directamente 12 milhões de novos postos de trabalho com salários e condições de trabalho acima da actual média. Deste modo se arrancaria de forma permanente cerca de 60 milhões de Africanos das malhas da pobreza. Além disto, este investimento tornaria possível às economias africanas tirarem proveito efectivo das oportunidades comerciais que hoje já existem, como sejam o caso do AGOA (comércio preferencial com os EUA) e o EBA (everything-but-arms, comércio preferencial com a União Europeia). Isto significa que num espaço de tempo relativamente curto, o Produto Interno Bruto per capita da África Sub-Sahariana poderia ser triplicado, não à custa de ajuda mas com base em desenvolvimento e crescimento real da economia e uma melhor distribuição do rendimento gerado.

2) Além dessas empresas, com o dinheiro gasto no Iraque seria possível também construir mais 600 escolas técnico-profissionais de alta qualidade, onde poderiam ser formados, todos os anos, cerca de 300.000 trabalhadores qualificados para impulsionarem o desenvolvimento da agricultura, agro-indústria, pesca, indústria, turismo, serviços, etc. Este treinamento permitiria que as empresas mencionadas acima pudessem funcionar bem com força de trabalho qualificada, com repercussões imediatas na produtividade e do nível de vida da maioria dos Africanos.

Ou refazendo as contas: os biliões de dólares gastos no Iraque são suficientes para empregar mais 4 milhões de professores primários por um ano, ou para imunizar todas as crianças do Mundo contra diferentes doenças por 58 anos, ou para alimentar o Mundo durante os próximos 7 anos, ou ainda para terminar com o flagelo da malária em África e construir 2 milhões de novas habitações básicas.

Estes outros destinos a serem concedidos aos biliões de dólares talvez fossem uma forma mais efectiva de combater a insegurança. Porque há um terror invisível que pode estar alimentando o terrorismo internacional. Esse é o terror da fome, da pobreza, da ignorância, o terrorismo do desespero perante a impossibilidade de mudar a vida.

Caros senhores,

Finalmente, quase nenhuma das nações desenvolvidas cumpriu aquilo que foi estipulado há trinta anos pelas Nações Unidas: destinar 0.7 por cento do seu orçamento para a ajuda externa. Em média, esse apoio não ultrapassa hoje os 0.25 por cento. Como se pode ver, não são apenas os países pobres que não estão cumprindo as obrigações internacionalmente assumidas.

O mais grave, porém, é que aquilo que nos é dado numa mão nos é retirado pela outra mão. Calcula-se que o proteccionismo e os subsídios retiram aos países pobres 2050 milhões de euros. Ou seja muitíssimo mais daquilo que é o valor da ajuda. Para além disso, os subsídios agrícolas na Europa e EUA representam um contra-senso na lógica que nos é imposta em relação aos mecanismos reguladores da economia. Numa palavra, os profetas do liberalismo de mercado não fazem em casa aquilo que propalam publicamente.

Mais grave ainda: está provado que 40 por cento do valor que se acredita dar aos países pobres é destinado a pagar a consultores internacionais. Na realidade, há hoje mais expatriados em África do que havia no tempo colonial. Quer dizer: uma parte do dinheiro está sendo absorvido pelo circuito dos países ricos. Com este dado, o valor da ajuda desce de 0.25 do orçamento para menos de 0.1 por cento. Afinal, não se está dando tanto quanto os cidadãos dos países ricos acreditam.»



(Frank Baudino)

Imprevistos...

O sistema informático do Centro Hospitalar de Lisboa (H. São José, S. António dos Capuchos e Desterro) não funciona desde o dia 08 de Julho.
Segundo Jornal Público (on line, 17.07.05), José Carneiro de Almeida, assessor de Nuno Cordeiro Ferreira, coordenador do grupo Hospitais Civis de Lisboa, a avaria constitui um imprevisto cuja solução "não está nas mãos da administração do centro hospitalar" e "não tem tido qualquer efeito sobre o funcionamento normal dos serviços, excepto uma maior demora no registo dos doentes, que é feito manualmente."
A avaria constitui um imprevisto e a solução não está nas mãos da Administração do Centro Hospitalar !
Esta é boa! Um imprevisto ?
Um imprevisto era se tivesse caído um raio sobre o Hospital de São José. Um imprevisto era se os Hospitais de São José, Santo António dos Capuchios e Desterro tivessem sido alvo de ataques terroristas. Onde poderá estar o imprevisto do funcionamento de um sistema informático que foi adquirido, montado, assistido de acordo com as decisões dos órgãos de gestão do Centro Hospitalar?
Não está nas mãos do Centro Hospitalar ?
Então está nas mãos de quem ?
Se os ventiladores da Unidade de Cuidados intensivos pararem, este senhor vem dizer que foi um imprevisto e que não está nas mãos da Administração do Hospital salvar a vida dos doentes ventilados ...
Para que situações destas não aconteçam é que existem nos Hospitais do SNS, gestores para cuidarem da gestão de compras de molde a seleccionarem os fornecedores mais aptos, com capacidade de assegurar a continuidade do funcionamento dos equipamentos. Para cuidarem da gestão da assistência Técnica, responsável pela supervisão dos contratos de assistência técnica contratados com empresas externas. No SPA não há "holdings" que obriguem a contratar empresas sem qualidade (limpeza, assistência técnica, alimentação, distribuição de produtos) só pelo facto de pertencerem ao grupo.
Mais um disparate: A paragem do sistema informático não tem qualquer influência no funcionamento normal do hospital.
Se estão a fazer a inscrição dos doentes da Urgência à mão e não processam pagamentos a fornecedores desde o dia 08 de Julho. Será isto funcionamento normal?
A situação que vivemos leva-nos a pensar que não podemos ter contemplações por desempenhos incompetentes da Gestão Hospitalar, incapazes de assegurar o "normal" funcionamento dos Hospitais do SNS.

Visto no 'Saúde SA'

Nota: Parece que pode ser ainda pior, se a falha informática tiver 'apagado' as informações sobre os dontes, as listas de espera, etc...



(Quino)

A Esquerda e as Presidenciais

Por serem tão bons, texto e imagem literalmente roubados do 'Tugir':

"Godot, o candidato presidencial da esquerda

A esquerda está a perder, isto é se não perdeu já, o comboio presidencial.
Criam-se conjecturas, avança o deputado ou o Ministro?
O deputado manifestou disponibilidade e até agora apenas os mudos lhe respondem. O Ministro não se prenunciou e, quanto a mim, é melhor nem dizer nada. Mais vale um bom Ministro que um candidato perdedor, de acordo a máxima de um pássaro na mão do que dois a voar.
No caso do deputado, seria interessante ter um Presidente poeta, nesta pátria de poetas. Se a Checoslováquia e depois a República Checa já teve um Presidente dramaturgo, um defensor da Liberdade, e o Chefe de Estado conseguiu dar uma enorme projecção ao país, pela carreira profissional do seu Presidente, por que não Portugal ter um homem de letras como Chefe de Estado?
Que diferença! Entre um tecnocrata e um homem de letras. A forma como a política é exercida por cada um é da noite para o dia. Um sabe que para trabalhar apenas lhe basta a secretária e que lhe cheguem os dados necessários para fazer o seu serviço. O outro, para trabalhar, precisa, indispensavelmente, de ir à rua, sentir o que nela se passa, ouvir, falar, em suma, dialogar, para depois expressar o ponto de vista.
O Ministro tem surpreendido pela positiva. Confesso. Coloquei algumas reticências no início, não quanto à competência pessoal, essa jamais estaria em causa, mas quanto à pasta, muito por causa de um eixo indispensável para os Assuntos Externos portugueses: o Atlântico norte. Esta semana ficou patente na capital norte-americana que há posições que se alteram (como sempre). Um nas palavras, os outros nos actos. Ambos alteraram de posição e convergem no mesmo objectivo. Porém, o passado ideológico conta. Duas décadas em política não são nada. E quem se recorda, a maioria dos eleitores, pode entender ser incompreensível apostar numa corrida na pista completamente diferente daquela que foi percorrida, sem sucesso, há 20 anos.
Os dois dariam excelentes Presidentes. Disso não tenho dúvidas. Só que se a discussão fosse entre estes dois senhores, tudo estaria bem, para a esquerda. Todavia a esquerda perdeu três anos. Abriu e entregou à direita um caminho triunfal. Hoje, a direita, sem candidato assumido na praça pública, praticamente tem a corrida presidencial assegurada.
O candidato da esquerda já devia estar no terreno. A falar com e do país. A desmantelar uma candidatura que praticamente nada fez mas que surge como imbatível, fruto de três anos consecutivos a passar a mensagem: o nosso candidato é o melhor. Sabe-se, diz-nos o adágio, água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E o furo, no eleitorado, está feito e bem aberto, com poucas probabilidade de ser fechado ou confrontado por outra candidatura.
Recorde-se, foram três anos ao longo dos quais se foi consolidando uma candidatura sem o candidato nunca ter expresso uma palavra. Há ano e meio havia uma pessoa que queria dar o salto em Lisboa. Pretendia, então, o inquilino do edifício público próximo da Praça do Comércio saltar para Belém. O mundo dá muitas voltas e no meio do percurso, entre o Terreiro do Paço e Belém fica São Bento. Numa reviravolta inesperada, o salto foi mais curto. E como fui curto, também foi de pouca duração. Constatou-se (para os que ainda duvidavam das capacidades da personalidade) que havia mais barriga do que olhos. Quando o estômago não está preparado para trabalhos de maior carga este não aguenta. E não resistiu. Num dia tinha tudo e noutro nada.
É bem certo que em política muito muda. O último ano é prova disso. Até Janeiro muito pode acontecer, contudo no caso presidencial duvido que haja significativas alterações. Ao candidato (da direita) ainda não assumido, basta-lhe seguir com precauções, aliás precaução é palavra e princípio característico da personalidade referida, para que a candidatura tenha uma maioria absoluta na primeira volta.
A esquerda despede o tempo, pensando que este poderá jogar a seu favor. Mas o tempo não joga. E quanto mais adiar uma candidatura, mais favorece o candidato que não se assume. E não se assumirá, pelo menos enquanto não houver adversário para esgrimir no campo político e enquanto o adversário não o incomodar. Para quê gastar energia?
Por este andar e com esta atitude seria mais sensato, à esquerda, propor uma cerimónia de passagem administrativa no Palácio Ratton em meados de Janeiro de 2006.
Umas fatias de bolo-rei acompanhadas de um Porto de honra, ficaria muito mais barato aos cofres nacionais que realizar uma campanha.
Se a esquerda perder as presidenciais, como tudo indica, pode agradecer a si mesma.
Talvez Godot venha a ser o candidato presidencial da esquerda. Para já é o único que se perfila."

Censura na net

A Microsoft e a Cisco Systems apoiam o governo da República Popular da China na limitação das liberdades individuais e colectivas do seu povo. Neste caso, está em causa a liberdade de acesso à informação e, eventualmente, de expressão. É a falta de consciência social do capitalismo no seu melhor (ou pior, conforme se queira ver a coisa) — o que interessa são os dólares.

(visto no 'viagens em terra alheia')

sexta-feira, julho 15, 2005

In Memoriam

"Os grandes vultos de Azeredo e Madalena Perdigão foram os motores de uma instituição com um prestígio e dignidade notáveis. O amor pelas pessoas e pela cultura de Azeredo Perdigão obrigava a preços muito económicos nos concertos, Perdigão se visse pessoas à porta do grande auditório sem bilhete, muitas vezes jovens sem dinheiro, dizia aos porteiros: “deixem entrar toda a gente, não fica ninguém à porta na Fundação Gulbenkian”. Longe estão os dias de Azeredo Perdigão, longe está a elegância e a qualidade do homem que fez da instituição o verdadeiro ministério da cultura de Portugal. Hoje em dia a administração da Gulbenkian decide acabar com um património, que já não é pertença de uma instituição mas universal, de um dia para o outro, sem reflexão pública, de forma autoritária e como se tratasse de uma empresa que se quer deslocalizar. O respeito pelo público e pelos artistas foi o primeiro património a desaparecer o que se seguirá?"

Texto de http://criticomusical.blogspot.com

Publicidade

Estreia hoje na Espanha documentário "Cineastas contra magnates" do realizador catalão Carlos Benpar. Seria interessante divulgar por cá este documentário, fomentar a polémica e confrontar as autoridades que regulam a comunicação social.

"Se compro um Picasso, isso não me dá o direito de o cortar ou de pintar sobre ele e alterar as suas cores sob o pretexto de que é meu, de que o paguei e me pertence", Woody Allen.

"Interromper um filme, mortifica-lo com a inserção de spots publicitários, é uma acção criminal que deve ser regulada pelo código penal", Federico Fellini.

(notícia vista em 'o vicio da arte')



(Quino)

Bússola política

Vi no blog da Carla de Elsinore a bússola política do 'Público'
Resultados sem surpresas:

Esquerda / Direita: -7.38
Autoritarismo / Libertarianismo: -6.82


de esquerda e libertária, pois claro!

quarta-feira, julho 13, 2005

Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não

Manuel Alegre celebra 40 anos de vida literária


«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.



(Manuel Alegre)


(Jessica Jacobs)

terça-feira, julho 12, 2005

Citador volta a ser notícia

O site Citador (www.citador.pt) é um banco de informação sobre temas relacionados com a leitura e o pensamento, cujo objectivo é despertar ou aumentar o interesse por estas áreas. Esta página comporta milhares de citações catalogadas por autor e tema, com constante actualização mensal de novas aquisições, permitindo ainda ao utilizador criar o seu próprio Citário (colecção de citações preferidas). "Navegue. Simplesmente navegue", são estas as instruções dadas pelos seus criadores, para que a viagem por este site seja tão interessante e construtiva quanto possível. O acesso a este sítio pode ter diversos focos de interesse, seja ele profissional, seja por lazer ou por curiosidade. É garantida a descoberta de novidades, que irão enriquecer a carteira de conhecimentos dos visitantes do Citador.

(DN online)

RTP 1 - Grande Entrevista

A irmã de Álvaro Cunhal, Maria Eugénia Cunhal, é a convidada de Judite de Sousa no Especial Grande Entrevista, amanhã às 23.30, na RTP1. Para além da irmã do antigo líder do Partido Comunista Português, participa no programa o escritor Urbano Tavares Rodrigues, amigo de Álvaro Cunhal.

Os créditos de Diana Andringa

Na era das novas tecnologias, foi a Internet que arrastou a polémica sobre os incidentes verificados em Carcavelos a 10 de Junho. O caso começou no dia 30 do mês passado, quando a jornalista Diana Andringa, antiga profissional da RTP e presidente do sindicato da classe entre 1996 e 98, apresentou na Videoteca de Lisboa um documentário sobre o alegado arrastão naquela praia da Linha.

O documentário "Era uma vez um arrastão", disponível no site www.eraumavezumarrastão.net, "passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa", conforme é descrito no texto de apresentação.

A divulgação do trabalho jornalístico, coordenado por Diana Andringa, actualmente desempregada e portadora da carteira profissional 169, correu célere na Web, de
e-mail em e-mail e com várias remissões e hiperligações em sites e blogues diversos. O site oficial do Bloco de Esquerda, pelo qual a jornalista se candidatará, como independente, à Câmara Municipal da Amadora, foi uma das páginas que divulgaram o trabalho, dando azo a discussões de natureza deontológica e político-partidária.

A entrevista ao comandante da PSP de Lisboa, efectuada a 7 de Julho último, foi o rastilho final que incendiou o processo. A sua disponibilização na Rede amplificou a controvérsia. A jornalista refuta, porém, as críticas. "Estou desempregada, mas não deixei de ser cidadã deste País."


VALE A PENA LER A ENTREVISTA:


Jornalista e candidata do Bloco de Esquerda à Amadora, Diana Andringa está debaixo de fogo. Em entrevista ao DN, explica que fez tudo por cidadania e critica a classe profissional dos jornalistas


Porque decidiu fazer um documentário sobre o arrastão e uma entrevista ao comandante da PSP de Lisboa?

Quando se deram os incidentes em Carcavelos, verificámos que se estava a levantar um clima de racismo e entendemos que era necessária, por um lado, uma reflexão sobre o caso e, por outro, fazer uma defesa dos direitos das minorias étnicas residentes em Portugal.

Foi apenas um acto de cidadania?

Sim, claro. Porque achámos que ali havia qualquer coisa mal contada. Inclusivamente, pareceu-nos que o comandante Oliveira Pereira, nos dias que se seguiram aos incidentes, já estava a diminuir a dimensão dos acontecimentos e ninguém na imprensa ligou ao assunto.

Porquê?

Porque, apesar dos relatos contraditórios, ninguém quis investigar. A pressa e a concorrência criam um clima de imprensa de pacote. Investigam em pacote e tiram conclusões em pacote. Há que parar para pensar e os jornalistas não fizeram isso.

Falta sentido crítico ao jornalismo?

Claro que falta. Há muito tempo que falta. Eu não critico os jornalistas que estão no terreno. Faltam é editores com experiência e sangue frio, que pensem. E foi por isso que achámos que podíamos e devíamos fazer um documentário para desmontar toda essa situação.

Depois do documentário veio a entrevista ao comandante da PSP de Lisboa.

Foi uma entrevista de grande urbanidade e muita coragem. É preciso que isto se diga num país onde é tão raro reconhecer os erros, ele merece ser prezado, reconheceu que tinha havido um excesso da polícia e reafirmou-nos tudo aquilo que tinha tentado explicar nos dias seguintes aos incidentes.

Mas fez a entrevista a que título? Como jornalista?

Sim, claro. Eu sou jornalista. Estou no desemprego, mas não deixei de ser jornalista.

Em declarações ao Expresso deste sábado, Oliveira Pereira diz-se indignado com o "inqualificável aproveitamento político" das suas declarações, "prestadas a alguém que pensava ser uma jornalista com ética"...

Pois, fico triste. Quase aos 58 anos, depois de ter sido presidente do Sindicato dos Jornalistas, ser primeira página do Expresso não me deixa feliz. Nunca tinham colocado em causa a minha ética profissional.

Explicou ao comandante Oliveira Pereira os objectivos do seu trabalho?

Claro que sim. Não percebo como é que ele diz que pensou que a entrevista era para um estudo. Ele perguntou-me se ia para alguma televisão e eu disse-lhe que não, que ia ser apresentado publicamente e, depois, provavelmente seria colocado num site na Internet.

E quanto às críticas de aproveitamento político que lhe fazem, pelo facto de ser candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal da Amadora?

Mas qual aproveitamento político? É mentira que os documentários estejam no site do Bloco. O que há lá, e há desde o primeiro documentário, a 30 de Junho, é uma remissão para o site "Era Uma Vez um Arrastão", onde colocámos esses conteúdos.

Foi a Diana que ligou para o Expresso a dar a informação da entrevista?

Quando saímos do encontro com o comandante, pensámos que tínhamos ali uma grande entrevista. E ligámos para vários jornais, para dizer que a íamos colocar online. O Expresso foi um deles.

E trouxe a história na primeira página...

E só por isso é que voltou a ser notícia. E é falso que a entrevista tenha sido colocada no site do Bloco. Isso sim, é manipulação política. Há uma espécie de loucura da classe jornalística, sempre que um dos seus entra num combate político.

Porquê?

Não sei, é intrínseco à classe. Ora, o que acontece é que não é a primeira vez que eu me meto em política. Passei a minha vida em comissões de trabalhadores, fui presidente do Sindicato dos Jornalistas, estive presa com 22 anos. Sempre estive do lado da cidadania política.

É diferente de um combate político, como candidata a uma autarquia...

E qual é o mal? Parece que estar ligada à política é uma peste. Parece que fazer política é um acto feio, como a pedofilia.

Mas é inegável que lhe trouxe notoriedade pública...

Notoriedade, sim, mas não foi boa. Nem rende votos. Todos nós sabemos que os imigrantes e os de segunda geração, que não têm nacionalidade portuguesa, não votam. Portanto, não estou a garantir mais votos. É um pensamento mesquinho. Nunca variei, sempre assumi as minhas opções políticas.

Se não fosse candidata do Bloco de Esquerda à Câmara da Amadora teria feito à mesma estas reportagens?

Claro que sim. Não tem nada a ver. Aborrece-me, sinceramente, que passem essas coisas pela cabeça das pessoas.

Mas não se livra, pelo menos, de haver quem pense que é falta de ética...

Não vejo porquê. Estou desempregada. Eu não estou no exercício da profissão, estou no exercício do desemprego. Pouco ético era se eu estivesse a fazer política na RTP, acompanhar uma acção do PSD e, ao mesmo tempo, candidatar-me pelo Bloco de Esquerda.

E a campanha eleitoral?

Ainda não começou. E só vou anunciar a candidatura em breve. Tenho toda a liberdade de ser candidata.

Vai entregar a carteira profissional de jornalista, suspendendo assim a sua actividade profissional?

Enquanto candidata, não tenho de entregar a carteira. Apenas não posso fazer coisas incompatíveis. E por lei só terei de entregar a carteira profissional se for eleita para a vereação da autarquia.

Portanto, não vai suspender a actividade a partir do momento em que assumir a candidatura?

Ainda estou a pensar. Não sou obrigada, mas perante o mal-estar que isto causa, admito que sim.

(DN online)

O estranho caso do arrastão que morreu na praia...

O arrastão que ninguém viu foi desmentido sem ninguém ouvir?


O arrastão nunca existiu? Um mês após os acontecimentos de 10 de Junho, na praia de Carcavelos, os actores que intervieram na mediatização da mensagem estão de acordo. Como explicar, então, que o País tenha estado em choque durante vários dias? Como se construiu a ilusão?

O caso regressou à actualidade através de uma entrevista do comandante da PSP de Lisboa a Diana Andringa, divulgada no sábado pelo Expresso. O comandante Oliveira Pereira afirmava que a polícia fora "pressionada" para falar num arrastão e assumia que a PSP errou ao falar em 400 a 500 pessoas, num primeiro comunicado emitido a 10. Mas adiantou ter corrigido o teor desse comunicado no mesmo dia, na TVI, e três dias mais tarde, no Jornal da Noite (SIC). Contactado ontem pelo DN, o mesmo responsável não quis falar, dado o impacto da publicação das suas declarações anteriores no semanário e na página da Internet do Bloco de Esquerda, através de um link.

A primeira notícia, da agência Lusa, chegou às redacções às 16.10. Incluía declarações atribuídas ao comandante Gonçalves Pereira, da PSP de Cascais, de acordo com o qual "500 adultos e jovens constituídos em gangs entraram hoje às 15.00 na praia de Carcavelos (...) e começaram a assaltar e a agredir os banhistas". A Lusa soube dos acontecimentos através de um jornalista, acidentalmente no local, que constatou o movimento anormal de ambulâncias e polícias.

A referência a "centenas de jovens" foi decisiva para a mobilização dos media. Um comunicado da PSP, enviado às 21.00, fala em arrastão. A polícia considera que esses comunicados foram um erro, segundo disse fonte policial ao DN. "A polícia não está presente quando o crime acontece", acrescentou a mesma fonte. A PSP contactou vários especialistas, nomeadamente dois jornalistas. Mas afirma não ter sido a primeira a falar em arrastão. Um termo que a Agência Lusa não usou nesse dia, mas apenas "quando a expressão entrou na gíria", disse fonte da agência a este jornal. Afinal, onde nasceu a palavra arrastão?

O termo entrou no discurso mediático apoiado nas fotografias obtidas pelo dono de um restaurante da praia. António Capucho, presidente da Câmara de Cascais, critica "o que as televisões fizeram naquele dia". E nega ter alguma vez falado em "centenas de marginais", uma expressão que lhe foi atribuída, no próprio dia, pela Lusa. "Conheço esta situação há anos", disse o autarca, para quem a ausência, este ano, do Corpo de Intervenção da PSP nas praias da Linha é a causa do problema.

Alcides Vieira, director de informação da SIC, afirma que a sua estação desmontou os acontecimentos na segunda-feira seguinte, num noticiário onde esteve o comandante Oliveira Pereira. "Investigámos o assunto e verificámos que só havia duas queixas, o que não fazia sentido, perante a hipótese do arrastão. Também não se compreendia como é que 400 ou 500 pessoas tinham chegado à praia sem serem detectadas. E ouvimos testemunhas que punham em causa o arrastão". O jornalista considerou "um erro" que essa palavra tenha sido usada nos oráculos dos noticiários da SIC para identificar o acontecimento.

O jornalista Nuno Guedes, de A Capital, foi para o terreno e regressou ao jornal no mesmo dia com o título que fez manchete O arrastão nunca existiu. "Pensava que tinha havido uma acção organizada por causa do 10 de Junho. Entrevistei dois dos quatro detidos, falei com pessoas na praia e vi que tinha acontecido uma grande confusão, mas não um arrastão", disse. "Um dos detidos era branco e eles pediram licença à família para falar comigo", acrescentou.

Diana Andringa e a sua equipa movimentaram-se no mesmo sentido, coligindo imagens das televisões, nas quais as comparações com os arrastões do Brasil dominavam os noticiários.

O extraordinário é a noção de que o arrastão existiu ter-se instalado no senso comum, mesmo depois de a PSP ter começado a falar apenas em 40 a 50 pessoas que causaram problemas. Isso aconteceu na TVI, no dia 10, na SIC, no dia 13, e também num comunicado oficial da PSP, divulgado no dia 17 pela Agência Lusa. Fonte policial disse ao DN não ter dúvidas de que a confusão captada na fotografia que ilustra esta página aconteceu "já depois de a polícia ter chegado".

Se houve precipitação dos media ao falarem em arrastão, também parece haver precipitação na notícia do desmentido do arrastão. Se a própria PSP negou a primeira versão dos incidentes que divulgou, como é possível que o desmentido tenha sido arrastado para o silêncio?

(DN online)


PERGUNTA-SE: A QUEM PODERIA INTERESSAR ESTA CONFUSÃO? PURA COINCIDÊNCIA A 'JUSTIFICAR' A MANIFESTAÇÃO NEONAZI DO MARTIM MONIZ?




(Ian Berry)

Srebrenica - 10 anos depois do massacre

O Presidente da Sérvia, Boris Tadic, inclinou-se ontem perante os restos mortais de 610 vítimas dos fuzilamentos de Srebrenica, no momento em que os corpos eram sepultados, perto desta cidade da Bósnia-Herzegovina. O gesto representou o momento mais alto das cerimónias que marcaram o décimo aniversário do massacre.

O episódio de Julho de 1995 é um dos mais sombrios da História recente da Europa, envolvendo a morte sumária de 8 mil homens e rapazes muçulmanos bósnios, às mãos de membros de milícias sérvias bósnias cujos líderes máximos nunca foram julgados. Na cerimónia de ontem, que pretendia lembrar a tragédia, Tadic disse ter esperança de que os acusados de responsabilidade pelo massacre, Radovan Karadzic e Radko Mladic, sejam detidos em breve.

Srebrenica evoca um dos maiores fracassos recentes da comunidade internacional, é hoje um dos exemplos da infame expressão "limpeza étnica", o último dos massacres europeus. Mas ontem, a evocação do décimo aniversário desta barbaridade foi também uma oportunidade para a reconciliação.

A presença de Tadic no enterro das 610 vítimas não foi aceite de forma consensual na Sérvia, mas o momento foi transmitido em directo por três televisões privadas, apesar de ser ignorado pela generalidade dos meios de comunicação.

Foi a primeira vez que um chefe de Estado sérvio visitou o local dos massacres. "Vou a Srebrenica para prestar homenagem às vítimas inocentes e para mostrar dessa forma a atitude da Sérvia em relação aos crimes cometidos contra os muçulmanos", explicou Tadic, antes de partir de Belgrado. A visita não foi apreciada pelos partidos nacionalistas, os quais consideram que os sérvios foram as principais vítimas das guerras nos Balcãs.

Nas cerimónias do décimo aniversário estavam presentes individualidades internacionais e mais de 50 mil pessoas, muçulmanos vindos de toda a Bósnia, incluindo muitos familiares dos mortos.

Caía uma chuva miudinha no cemitério de Potocari, onde já repousam 1300 habitantes de Srebrenica mortos nos terríveis dias de Julho de 1995. Construído à beira da cidade, este cemitério deverá constituir um memorial e receber todos os corpos, quando estes forem recuperados das inúmeras valas comuns.

A cerimónia de ontem foi muito emotiva. As feridas que permanecem são terríveis. Algumas famílias já não têm homens. A maioria dos sobreviventes nunca regressou a Srebrenica, cidade ainda hoje amputada de toda uma comunidade.

O massacre ocorreu no ponto mais violento das guerras da ex-Jugoslávia, no conflito da Bósnia, que começara três anos antes. Transformada em enclave muçulmano, a cidade estava repleta, incluindo muitos refugiados que tinham fugido das limpezas étnicas.

Srebrenica foi então cercada pelas milícias dos sérvios bósnios e tomada em poucos dias, sem qualquer oposição significativa do contingente das Nações Unidas que deveria ter protegido o local.
Fracassaram todas as tentativas militares de obrigar os sérvios bósnios a retirar, pois os milicianos ameaçavam matar os capacetes azuis que detinham como reféns.

Com a queda da cidade, a população foi reunida e separados os indivíduos do sexo masculino entre os 14 e os 75 anos. O que se seguiu foi uma impiedosa marcha da morte para 8 mil muçulmanos, escondida durante semanas pela comunidade internacional.

"Não fizemos o suficiente", reconheceu ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw, considerando que isso "representa uma vergonha para a comunidade internacional". E Straw acrescentou "Lamento, do fundo do meu coração, estou verdadeiramente desolado."

Para os sobreviventes e familiares, a única coisa que resta é justiça. Mladic era o comandante das forças militares que tomaram Srebrenica e Karadzic era então o líder político da República Srpska (sérvios bósnios). Os dois homens são procurados por genocídio, mas continuam a monte. Quando forem detidos, Mladic e Karadzic têm encontro marcado com os juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) que está a julgar os crimes da ex-Jugoslávia.

(DN online)



Há que dizê-lo com frontalidade!

Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.

Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo. (...)

(Baptista-Bastos)

visto no Blogo social português

Esclarecimento

"Só para esclarecer...

-Sou a favor da possibilidade da mulher abortar quando assim o julgar necessário.

-Sou a favor do casamento dos homossexuais e adopção de crianças por qualquer tipo de casal que tenha condições, vontade e bondade para o fazer.

-Sou a favor da eutanásia.

-Sou a favor da utilização de células estaminais na investigação científica.

-Sou a favor da educação sexual nas escolas.

-Sou a favor da utilização de qualquer método contraceptivo.

-Sou contra todos aqueles que acham que se podem intrometer na vida privada do vizinho do lado.

Entendido???"

(Post de Francisco na 'Grande Loja dos Trezentos')

Entendido, meu caro Francisco, que eu não conheço. Tenho pena que não sejam muitos mais a pensar assim. Pela minha parte, subscrevo e destaco.


(Dan Kramer)

sábado, julho 09, 2005

Mudanças na sociedade da informação - Blogs e Telemóveis

A nova era dos fotógrafos de telemóvel


Alexander Chadwik fotografou os passageiros do metro de Londres a caminhar pelo túnel, rumo à estação de King's Cross. Bettina Strenke mostrou um movimento de fuga idêntico, na plataforma. Matt Dunn captou o momento a seguir à explosão numa das carruagens. Nenhum deles é jornalista profissional. Todos usaram o telemóvel para fotografar. Ao mesmo tempo, os repórteres e operadores de câmara das agências de informação e das estações televisivas captavam o movimento à superfície. Mas o underground era um exclusivo dos amadores que se viram envolvidos nos acontecimentos. A BBC e a Sky News publicaram parte destas imagens nos seus sites e difundiram-as nos ecrãs. Além de fotografias, divulgaram também vídeos captados por telemóveis. As imagens obtidas por amadores eram os documentos mais fortes daqueles operadores, que pediram ao público que lhes enviasse as suas imagens. Um outro site de partilha de imagens, o Flickr, (www.flickr.com) guarda um acervo vasto de imagens deste tipo.


Mais de 1300 'posts' colocados em 90 minutos


"O sistema foi todo abaixo. Parece que houve uma colisão em Edwgare Road e há feridos. Estejam atentos às notícias." Às 09.55, Geoff colocou o primeiro post sobre os atentados no Going Underground's Blog. Um dos muitos blogues londrinos onde a informação foi actualizada por amadores, ao longo da manhã. 90 minutos após a primeira deflagração, já tinham sido colocados na Internet 1300 posts sobre os atentados, de acordo com o site Technorati. Também os sites dos principais órgãos de comunicação social britânicos - que resistiram ao aumento exponencial do movimento - publicaram posts dos jornalistas no terreno e de testemunhas.

quarta-feira, julho 06, 2005

Lamento, mas tenho de concordar.

"Tenho vindo a ganhar uma antipatia crescente pelo segundo mandato de Jorge Sampaio. Nomeadamente, desde o convite endereçado a Santana Lopes para formar governo. Na altura teria sido preferível legitimar um novo governo com a convocação de eleições antecipadas. Era este o meu entendimento. Outras leituras eram possíveis, e Sampaio foi um dos que entendeu ler a conjuntura de forma diferente. Tinha toda a legitimidade para o fazer, assim como é legítimo que quem atribui uma importância fundamental ao episódio já não deposite qualquer confiança política em Jorge Sampaio.
Os silêncios do Presidente da República perante os dislates de Alberto João Jardim não são de agora. Mas quando o presidente do governo regional da Madeira vem insultar todo o sistema político da nação, quando vem insultar grupos inteiros de pessoas ao sabor da sua xenofobia, quando vem desrespeitar alarvemente as leis do país, o que se pedia ao Presidente da República era mais do que um recado. Pedia-se uma intervenção séria, inequívoca e directa ao cerne da questão. Pedia-se que Sampaio defendesse a honra das instituições deste país, do qual é o mais alto representante, que defendesse a dignidade dos seus habitantes, independentemente da sua origem geográfica, tal como estipula a CRP. No fundo, não se pedia de Jorge Sampaio nada que não fosse o pleno exercício das suas funções. Neste caso não havia margem para interpretações políticas. Tudo o que ficasse aquém de uma intervenção neste sentido pecaria por defeito. Não foi esta a leitura do PR. Mais uma vez, saiu recado. Pífio."

(in http://vivaespanha.blogspot.com)

domingo, julho 03, 2005

António Ramos Rosa

O poeta António Ramos Rosa foi distinguido com a primeira edição do Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen. O prémio foi atribuído à Antologia Portátil de Ramos Rosa, intitulada O Poeta na Rua.

(DN online)

Termómetro da homofobia

Na semana em que se celebrou o Dia do Orgulho Gay e Lésbico, a associação portuguesa de combate à homofobia Panteras Rosa quis pôr à prova a homofobia dos lisboetas. Um casal homossexual percorreu as ruas da capital de mãos dadas, trocando beijos e abraços, numa acção pública intitulada "Termómetro da homofobia lisboeta". O DN acompanhou o teste e apresenta aqui os resultados a que este chegou.


O termómetro da homofobia dispara sempre que dois rapazes dão as mãos em Lisboa "Queres que te diga qual é o macho e qual é a fêmea?" O gesto é condenado por quem passa, que discrimina e esconde a cara. Quem insulta a meia voz diz que o mundo está perdido, mas nega o preconceito. Na semana em que se celebrou o Dia do Orgulho Gay e Lésbico, a associação de combate à homofobia Panteras Rosa de-senvolveu uma acção pública inti-tulada "Termómetro da homofobia lisboeta" para perceber "se, em Portugal, não vivemos todos um bocadinho em Viseu" - cidade onde, recentemente, foram reportadas à polícia queixas de perseguições homofóbicas. O DN esteve à espreita e avança aqui o que ouviu nas suas costas.

As esplanadas portuguesas não são, habitualmente, testemunhas de manifestações de afecto entre homossexuais. Por isso, o teste à homofobia lisboeta começa numa mesa de café da Rua Augusta, centro da capital. Dois homens com ar de rapazes pedem, de mãos dadas, um café e uma água. Um beijo mais tarde, há já mais comentadores de serviço do que transeuntes desinteressados. Entre os turistas estrangeiros que passeiam pela Baixa, a reacção mais persistente é a da indiferença. Um único apontamento, em inglês "Aquele tem umas calças iguais às minhas."

Um aniversário fictício é o pretexto para experimentar as vendedoras de flores da rua. Um dos "actores" pede três rosas vermelhas, que lhe são vendidas com um meio sorriso quase natural. A oferta é feita à frente da banca, selada com um beijo nos lábios e observada pelo canto do olho. Na estação de metropolitano dos Restauradores, a distracção preferida de quem aguarda é olhar o casal homossexual, que não fala alto, não usa roupa colorida nem traz sinais luminosos consigo. Dentro da carruagem, o teste continua e dois adolescentes iniciam um diálogo exemplar. Ela garante que "são mutações genéticas", mas recua depois "Não são nada, estou a brincar, cada um faz o que quer." Ele hesita, e questiona: "E se fosse teu filho?" A jovem conclui com expressão grave: "Isso era diferente."

Alguns lugares à frente, uma jovem mãe brasileira adverte o filho, espantado com o beijo entre dois homens "Meu filho, se você vira desse jeito, te dou um cacete." As rosas na mão de um dos namorados são o elemento cénico que mais impressiona. Um grupo de raparigas que se cruza com eles sorri. Depois do toque no braço e da pergunta obrigatória - "Viste?" -, uma reage: "Bué da queridos!"

No segundo café em que o casal entra, o profissionalismo de um grupo de empregados de mesa não é beliscado durante o atendimento. À saída, no entanto, há comentários como "vejam lá isto, de mãozinha dada" e "assim sobram mais mulheres para nós" - ditos quando os dois rapazes já não os podem ouvir. Em pleno Rossio, um beijo e um abraço provocam as reacções mais audíveis "Paneleiros d'um cabrão! Raio que os parta a todos!"

revelações. Para a Associação Panteras Rosa, era já evidente, antes de começar o teste, que seriam muitas as reacções homofóbicas expressas nas ruas de Lisboa, mas nunca assumidas. O confronto directo dos autores dos insultos com as suas palavras confirmou as expectativas. "É normalíssimo, tenho muitos amigos homossexuais, e aqui na Baixa estou habituado a vê-los, não me faz confusão nenhuma", disse um destes ao DN, negando comentários homofóbicos proferidos uma hora antes.

Deolinda Ramos, de 68 anos, vendedora de flores na Rua Augusta, "não disse nada" quando vendeu o ramo de rosas ao casal homossexual porque "eles compraram, pagaram, e cada um é como cada qual". Diz que "a mulher fez-se para o homem e o homem para a mulher", mas que no seu tempo "já havia, só era tudo mais fechado". Hoje, "eles tratam-se bem, ninguém pode abrir a boca". Não gosta "daqueles mais descarados", mas "alguns são uns senhores". Tem a certeza "Nunca vi isto como está."

Segundo António Antunes, 48 anos, gerente do último estabelecimento comercial onde o teste foi levado a cabo, "os homossexuais são sempre atendidos como pessoas normalíssimas". No entanto, "não se pode mudar a maneira de pensar de cada um dos empregados". É que "há pessoas que gostam de dar nas vistas, de fazer espalhafato". Para este gerente é certo que "não pode haver discriminação e quem trabalha no atendimento pode pensar o que quiser mas não pode manifestar nada".

Para Sérgio Vitorino, da Associação Panteras Rosa e um dos responsáveis pelo "Termómetro da homofobia lisboeta", esta é a atitude mais habitual "Andamos a combater fantasmas, porque a homofobia acontece sempre nas nossas costas, nunca de frente." De acordo com Sérgio Vitorino, "esta discriminação é tão invisível quanto a presença das vivências homossexuais no espaço público". Por isso, "acções como esta devem repetir-se, porque cumprem uma função pedagógica". E "é preciso trazer à luz essa homofobia para confrontar e dar visibilidade


(Todd Gardner)

sábado, julho 02, 2005

Centros de detenção para imigrantes sem papéis

Por MIGUEL PORTAS - DN online


Noticia o Público de 29 de Junho que o Governo estuda a instalação, em Portugal, de um centro de detenção para imigrantes sem papéis. Há vários pela Europa. Até já há "especialistas" do assunto. Um foi convidado para vir a Portugal explicar como funcionam. Não sei o que disse a sumidade. Suspeito que prefiro não saber. Porque esta semana visitei um desses centros. Vi. E tive vergonha. Vergonha e raiva. Foi em Lampedusa, uma minúscula ilha situada a sul de Malta e ao largo da costa leste da Tunísia. Aqui seguem alguns fragmentos do relato dessa visita. Julgue por si mesmo

"Rodeiam-nos em círculos cada vez mais estreitos. Há sempre alguém que fala francês, arranha o inglês ou se desenrasca em alemão. São quase todos jovens. Prematuros atirados para a vida adulta no fio da navalha. Num dos círculos, a advogada que nos acompanha retira um papel e pede a alguém que nele escreva o nome e nacionalidade declaradas. Em seguida dá-lhe um número de telefone. A roda estreita-se. Mãos frenéticas descobrem naquele papel meio amarrotado o seu passaporte para a vida. Impossível conter a ansiedade. Algumas folhas rasgam-se, disputadas por mãos concorrentes. "Há para todos!", alguém diz. Mas não adianta. O círculo continua a crescer. Visto de cima, deve parecer anárquico. Visto de onde estamos, é danado.

Fazemos o que podemos. Alguns deputados pegam em papéis. A esperança distribui-se em formato A4. As canetas não chegam. São apenas as nossas. Os cigarros também se esgotam. Árabes, aquelas 197 almas estão habituadas a fumar como chaminés. Aqui têm direito a cinco cigarros por dia. O meu bloco de notas regista outras regalias uma carta telefónica de cinco euros por cada dez dias; um litro de água diária por cada dois; um litro de leite por cada seis; um brioche pela manhã e macarrão ao almoço e ao jantar.

Os duches são de água do mar, que outra não existe ali. A farmácia, que trata das equimoses e problemas de pele, só tem 'burro', ou seja, manteiga de cacau. Quanto a abcessos, pés inchados e maleitas várias, Alá que desenrasque.

A maioria está ali, nas traseiras do aeroporto de Lampedusa, há mais de um mês. O campo tem quatro camaratas prefabricadas, cada uma com 40 a 50 camas com lençóis esfarrapados. São as únicas sombras do lugar. Sombras metálicas, que suportam temperaturas de 40 graus...

Não há refeitório. Para comerem, os 'hóspedes' sentam-se no chão, junto às grades do portão, com toalhas protegendo as cabeças da impiedade do Sol. Líderes informais garantem a disciplina possível naquelas circunstâncias. Uma semana no centro equivale a um certificado de antiguidade.

Não há que fazer nem para onde ir. Exíguo, o campo é inteiramente murado e rematado a arame farpado. Numa das extremidades, um pedaço de chão tem lajes de pedra lisa. É o lugar de oração, explica um dos responsáveis. 'Decerto por tolerância e respeito, meu filho da puta', estive para comentar. Mas não disse. Não saiu. O humor negro não cola ao lugar. 'Aquilo' é a pior e a mais precária das prisões que vi. Precisão é um campo temporário de concentração.

Os deputados visitaram-no num 'dia bom'. Cinco dias antes, o campo tinha mais de 900 pessoas. Cinco vezes a lotação máxima. Fosse por causa da visita, fosse porque esta é a regra em Lampedusa, os excedentes foram sucessivamente transferidos para outros campos em Itália. Ou recambiados para a Líbia. 'Quantos foram para a Líbia, sr. director?', perguntamos. 'Não sabemos. Não sabemos para onde vão os transferidos. Terão de perguntar ao ministro do Interior'. É mentira. Entre as centenas de transferidos, tínhamos informação de fonte segura de que pelo menos 45 foram recolocados na Líbia. Aí, são colocados noutros campos, enquanto aguardam repatriamento para o Sudão ou para o Chade. Uma nova odisseia. 800 quilómetros de Via Ápia, pela estrada dos sudaneses, atravessando o Sara em condições de transporte que não é difícil imaginar. Impróprias até para gado."

O resto do relato poderá encontrá-la no site com que este texto se encerra. Mas é preciso mais? Se odiasse, diria que estagiem nestes centros de desumanidade os canalhas e patifes que os inventaram. Como não odeio, apenas digo: não se atrevam a colocar em Portugal esta vergonha. Campos de concentração temporários na Europa do século XXI, não, obrigado.

www.miguelportas.net

A propósito da lei da despenalização do aborto

Um texto excepcional, no controversamaresia.blogspot.com:

"lá vem a história do aborto
e já se cheira a polémica à distância.
Assim sendo, e porque nunca é demais repeti-lo: sim, sou a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às doze semanas. Sim, sou ainda mais a favor da mesma, incondicionalmente, desde que fui mãe. Aliás, custa-me a aceitar que uma mãe que goste dos seus filhos, não o seja, também, incondiconalmente. Vou mais longe: não só sou a favor do aborto, mas sou, ainda, a favor da esterilização forçada em situações limite, como no caso das drogadas com sida que se prostituem e engravidam sistematicamente. Sou a favor da prisão efectiva para pais, e encarregados de educação em geral, que maltratam os filhos, que os põem na mendicidade, que os usam como arremesso aquando do divórcio, que os deixam nos infantários até às oito da noite, que nunca lhes cozinham uma refeição e os alimentam a hamburgueres e batatas fritas de pacote, que não vão a uma reunião no colégio, que nunca lhes deram um banho, uma papa, um biberão, nem lhes cortaram um bife aos bocadinhos.
Sou a favor do aborto quando a mulher é mulher, adulta e responsável, tenha ou não dinheiro, e quando é uma miúda novinha, aterrorizada ou iludida, quando não quer ou não sabe se quer, e também quando a mulher é mãe de um, dois, três, dez, quando está cansada, quando é doente, quando fez mal as contas, quando o pai não quer ser pai, quando acha que não iria resultar, quando se quer dedicar por inteiro ao trabalho, quando não gosta de crianças, quando o relógio biológico não lhe bate nem por nada, quando, quando, QUANDO.

Informação? Educação sexual? Sim, sempre. A prevenção é o caminho e a responsabilização, fundamental. Quantos menos abortos consentidos, melhor, que o trauma que acarretam, pá, só nós é que sabemos, que ninguém os faz por gosto ou como contracepção (os que dizem que sim, são pura e simplesmente, imbecis).

Mas, na urgência desse desgoverno carnal entre dois seres humanos que é a cópula, uma coisa muito animal, por vezes irreflectida e nem sempre desejada (e muitas vezes não planeada), descuidos e azares, acontecem. E estar o resto das vidas (das nossas e das deles) a pagar por isso, é demasiado cruel. É estupidamente cruel. Pronto."

sexta-feira, julho 01, 2005

Erik Satie



80 anos passados sobre a morte de Satie, importa recordar o autor de Gymnopédies e Gnossiénes, um percursor do minimalismo, cuja música foi praticamente ignorada até aos anos 60. Pianista nos cabarés de Montmartre no final do século XIX, Satie classificava-se a si mesmo como 'fonometrógrafo' e encarava a sonoridade com perspectiva científica. As suas obras, porém, são plenas de harmonia e sensibilidade. Foi o inventor da música ambiente, que ele chamava de 'musique d'ameublement'.

Obras para piano

Trois Gymnopédies 1888 - calma, suave, delicada, melodia estranhamente bela, deixando que o silêncio se mostre entre cada som. Debussy foi dos primeiros a descobrir e admirar essas peças, tanto que orquestrou a primeira e a terceira, e Roland-Manuel orquestrou a segunda.
Trois Gnossiennes 1890 exóticas, estilo oriental, a terceira foi orquestrada por Poulenc.
Allegro 1884
Fantaisie-valse 1885
Valse-ballet 1885
4 Ogives 1886
3 Sarabandes 1887
Première pensée Rose+Croix 1891
Fete donnée par des Chevaliers Normands en l'honneur d'une jeune demoiselle 1892
Danses gothiques 1893
Modéré 1893
Vexations 1893
Deux Pièces froides 1897
Poudre d'or 1901
Trois Morceaux en forme de poire 1903, escreveu quando foi acusado de compor músicas que não tinham nenhuma forma.
Le Piccadilly 1904- um misto de vaudeville e jazz.
Passacaille 1906
Prélude en tapisserie 1906
Nouvelle pièces froides 1910
En habit de cheval 1911
Trois véritables préludes flasques (pur un chien) 1912
4 préludes flasques (pour un chien) 1912
Les Pantins dansent 1913
Chapitres tournés en tous sens 1913
Croquis et agaceries d'un gros bonhomme en bois 1913
Embryons desséchés 1913 - tem duas partes: uma forte e rápida e outra lenta e melodiosa. Termina repetindo várias vezes o mesmo acorde.
Enfantillages pittoresques 1913
Menus propos enfantins 1913
Peccadilles importunes 1913
Vieux sequins et vieilles cuirasses 1913
Heures séculaires et instantanées 1914
Les 3 valses du précieux dégouté 1914
Sports et divertissements 1914
Trois Valses distinguées du précieux dégoûté 1914
Trois poèmes d'amour 1914
Choses vues à droite et à gauche, sans lunettes 1914
Avant-dernières pensées 1915
Trois maladies 1916
Sonatine bureaucratique - uma paródia bem humorada de Clementi, escrita como uma sátira à onda neoclássica que começava a aparecer. 1917
5 Nocturnes 1919
Premier menuet 1920
Reverie de l'enfance de Pantagruel 1920
Ludions, 5 mélodies 1923

Todos contra todos

Ainda do infelizmente quase extinto Barnabé

Fraco contra fraco
Um dos aspectos mais chocantes do governo de Durão Barroso: ser forte contra os fracos e fraco contra os fortes.

Mais rapidamente do que desejaria vou perdendo a esperança de que Sócrates inverta esta tendência. O novo primeiro-ministro prometeu ser forte contra todos, fracos ou fortes. O resultado do discurso, até agora, tem sido colocar todos contra todos. Especialmente trágico, para a esquerda, é ver fracos contra fracos: desempregados contra imigrantes, sub-empregados contra mal pagos, privados contra públicos, jovens contra velhos, recibos verdes contra contratos a prazo.

Dizem-me que nada neste país se resolve enquanto não se resolver a questão orçamental. À cautela, lá vou acreditando que sim.

Mas o problema está noutro lado. Um país não suporta viver ano após ano após ano a ser governado como se estivesse nas mãos de uma comissão liquidatária. Enquanto isso, vai-se instalando a ideia – essa sim verdadeiramente mortal – de que a solução para isto não está nas mãos de quem aqui vive. Temos andado a dizer às pessoas que elas são o problema. Antes que elas se convençam que o seu dever patriótico é suicidarem-se aos sessenta anos para não sobrecarregar o orçamento e fazerem quatro ou cinco filhos à antiga para os deixar passar fome, temos de saber dizer-lhes como é que só elas podem ser a solução.

Sem isso não vamos lá, e já tarda.

(Rui Tavares)

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