segunda-feira, agosto 08, 2005

Terrorismo e Liberdade

O fim das teses multiculturalistas

A tese do multiculturalismo, em voga na última década e meia no Ocidente, parece estar a chegar ao fim. A posição assumida por britânicos e franceses, de repatriar todos aqueles que incitam o terrorismo e a defesa dos diversos actos perpetrados pelas redes terroristas, tem a sua validade.As sociedades, mesmo as democráticas, não podem ser excessivamente flexíveis e permitir que no seu seio existam defensores da destruição dessa mesma sociedade.No entanto, e a propósito das medidas britânicas e gaulesas, de expulsão de vários imigrantes ou descendentes de imigrantes por causa de palavras de ordem expressas em público, como referiu correctamente o Mayor de Londres, Ken Livingstone, deve ter-se em consideração que as medidas agora anunciadas se tivessem entrado em vigor há duas décadas, todos aqueles que defendiam o preso Nelson Mandela estavam sujeitos a ser deportados.É uma faca de dois gumes. Reconheça-se. Não é fácil. E, ao mínimo golpe, a ferida é profunda. Tanto no seio da sociedade, fazendo virar os nativos contras os imigrantes, qualquer que seja a comunidade; como nas sociedades dos países árabes, onde o extremismo procurará fazer valer o ponto de vista de que os ocidentais estão contra o islamismo. As sociedades democráticas devem prevenir e saber proibir, dentro das regras estritamente democráticas, todo e qualquer estímulo ao ódio.Não podem, porém, engalfinhar a sociedade num colete-de-forças, sob pena de a Liberdade, apanágio de qualquer país livre, ser cerceada. A grande diferença entre sociedades continua a residir na existência ou não de Liberdade.

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clientelismo

De cada vez que o Governo toma uma medida para aumentar as receitas do Estado, pela via da sobrecarga dos impostos e de outras prestações dos contribuintes, está a recusar-se a fazê-lo funcionar de forma eficiente (a fiscalização é uma das suas funções) e a reduzir a sua despesa. Porque não interessa às suas clientelas que o Estado funcione bem.— Caros amigos e camaradas — foi assim que Sócrates iniciou o seu primeiro discurso de vitória nas últimas eleições legislativas, e logo ali me cheirou a esturro.

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Isenção

Para uns é "rentreé", e para os outros é o quê?
Por: Daniel Arruda

Para alguns a política em Portugal resume-se a PS e PSD. O DN faz um artigo com o facto de PS e PSD anteciparem as suas rentreés políticas para o 1º Fim de Semana de Setembro. Mandava o bom rigor jornalistico que informassem também os seus leitores que o PCP faz a sua rentreé nesse mesmo fim de semana com a Festa do Avante e que o Bloco de Esquerda realiza nos mesmos dias no Porto uma conferência nacional aberta a tod@s que nela queiram participar e que também funcionará como ínicio de mais um ano político.
O país é mais do que alguns gostariam que fosse, por muito que lhes custe
.


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Evolução

Quem é que disse que Portugal não evoluia?

Por: Daniel Arruda

Sabíamos que o governo PPD-PSD/CDS-PP tinha sido muito mau. Sabiamos que tinha governado em larga medida aem favor dos lobbys que o tolhiam.
O que não sabiamos é que esse governo tinha sido conivente e parte activa no maior escândalo de corrupção do Brasil.
Parece que a corrupção em Portugal já se internacionalizou. Estamos no bom caminho para a plena integração na nova ordem mundial.
Quem é que disse que Portugal não evoluia?

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Fogo

Para quê ter exército?
Por: Daniel Arruda

Alguém me explica porque é que temos exército?
Estamos em plena época de fogos e os meios que temos no terreno são claramente insuficientes, pese a boa vontade e o emorme esforço dos bombeiros. No meio deste cenário não será altura de os militares deixarem os quarteis e irem para o mato combater este inimigo da nação chamado fogo.
É para mim mais importante do que irem para o Afeganistão defenderem o cú dos americanos.


O ministro António Costa apela à mobilização dos cidadãos na prevenção de incêndios .
E que tal por o exército na rua. A ajudar as populaçoes e os bombeiros. O povo faz o que pode. Alerta, ajuda mas não se pode pedir que se largue os trabalhos e as familias quando os que são pagos pelo estado, com o dinheiro de todos nós estão refastelados nos quarteis ou então em missão no Iraque ou Afeganistão.
António Costa deveria ser o primeiro a ter vergonha e a dar o exemplo e fazer o que lhe compete. Governar.

no 'Troll Urbano'

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Governar para o 'centrão cinzentão'

Crónica de uma desilusão anunciada

Só se desilude quem acalentou esperanças. A hipótese de ter José Sócrates à frente do PS sempre representou um regresso ao pior do guterrismo. Prognosticava-se que daria, como deu, para ganhar as eleições com larga margem. Todos os outros indicadores, que não prenunciavam nada de bom, foram, por isso, menosprezados. As consequências estão à vista, e nem demoraram muito tempo a fazer-se notar.Não se pode dizer que os sectores do PS que apoiaram Sócrates na sua candidatura à liderança do partido o tenham feito discretamente. Pelo contrário, mostraram a cara e todos puderam ver quem eram. No final de Setembro do ano passado, o Público identificava, na primeira fila da recepção ao novo líder, António Costa, Jorge Coelho, Vitalino Canas, Edite Estrela, Jaime Gama, Sérgio Sousa Pinto, Capoulas Santos, Armando Vara e Miranda Calha. As distritais e os autarcas do PS também apoiaram em peso a sua candidatura. Não havia como ser enganado. De resto, ainda antes das eleições, Miranda Calha escrevia, também no Público, um artigo de opinião a declarar o seu apoio a Sócrates. Miranda Calha prognosticava a vitória de Sócrates e avançava quatro razões para isso, sendo a última delas perfeitamente exemplar do que da sua liderança se poderia esperar em relação ao aparelho partidário. Essa quarta razão consistia, muito resumidamente, no facto de Sócrates ter uma visão para o partido, visão essa que não aviltava o aparelho. Sócrates estava com o aparelho e o aparelho estava com Sócrates. Perante os acontecimentos verificados em menos de meio ano de governo Sócrates, chegou a hora de falar claramente. Esta liderança do PS e este governo não têm o valor que afirmam ter. Não contribuem para a credibilidade da governância, não contribuem para a credibilidade do PS e não contribuem para a credibilidade de uma alternativa política à esquerda.
É verdade que não estamos perante uma reedição dos governos PSD-PP, que ainda podem classificar-se como o pior que nos aconteceu nestas últimas décadas. Mas o rumo do país continua a afastar-se, contra as mais elementares regras do bom senso, do trilho que deveria percorrer. O futuro está longe de corresponder aos legítimos desejos de progresso social e económico de qualquer sociedade.
. E o pior é que a luz ao fundo do túnel parece cada vez mais ténue.

O texto, uma vez mais, do 'viva espanha'; e ainda o comentário do autor:

Quero acreditar que a coligação PSD-PP, ou melhor, Barroso/Santana-Portas, representou um marco especialmente baixo da governação. Quero acreditar que ainda estamos num patamar superior à desgraça em que mergulhámos, especialmente com a segunda versão da coligação. Quero acreditar que, no meio deste governo PS, ainda haja alguém de esquerda com poder e vontade para implementar meia dúzia de medidas positivas. Quero acreditar que, por muito baixo que se venha ainda a andar, e isso vai acontecer, não se atingirá esse limite. Cá estarei para dar o braço a torcer se me enganar.(...) Esta maioria absoluta não contou com o meu voto. Daí que não pertença ao grupo dos desiludidos. Sócrates não me convenceu na altura e não fez nada que alterasse essa situação entretanto. Mas não deixa de ser penoso, para quem se define de esquerda, ver o PS enjeitar as oportunidades douradas que se lhe apresentam.

O Risco

Linha de água

O estado a que está a chegar o exercício da política é preocupante. A prática política, tal como tem vindo a ser feita, ganhou uma conotação extremamente negativa. O descrédito instalou-se e ameaça conduzir a uma perspectiva nihilista generalizada. Para o eleitorado, a classe política, na sua generalidade, deixa de merecer confiança. Por arrasto, todo o sistema político sofre também um descrédito e as instituições deixam de merecer respeito. Perdem-se os pontos de referência e as escalas de valores porque, em última análise, resulta tudo no mesmo, quaisquer que sejam os partidos no poder e os detentores efectivos dos cargos.Esta generalização, como todas as generalizações, não é correcta nem justa. Mas cada nova suspeita, cada caso de negligência ou incompetência, cada caso de favorecimento, contribui para o avolumar desta percepção e essa é uma realidade tão incontornável quanto perigosa.A sombra que paira sobre a classe política tende a afastar os mais competentes e sérios. Por exclusão, sendo estes menos, sobram mais dos outros. Não é justo afirmar que a classe política é, no seu todo, ou sequer na sua maioria, incompetente ou desonesta. Mas pode esperar-se que o estigma que a vai cercando impeça a aproximação de caras e ideias novas. Um fenómeno que tende a agravar-se com as redes de influências e de interesses características dos aparelhos partidários, as quais tendem, naturalmente, a salvaguardar-se e a cristalizar as estruturas vigentes. Existe, neste momento, uma necessidade urgente de transparência e ética na prática política. O fantasma da ingovernabilidade já paira no ar, tal como já se levantam vozes que questionam a legitimidade e a longevidade desta República. Duas visões que são, no mínimo, precipitadas. O problema não está tanto no sistema político quanto nos seus representantes. Encontrem-se formas de responsabilizar e manter afastados os maus exemplos e todo o sistema respirará melhor. Não havendo dúvidas sobre o diagnóstico actual, resta ainda um problema nada negligenciável. Este reside no facto ter de se conseguir impor parâmetros éticos fundamentais sem abrir espaço ao aproveitamento populista e demagógico que o tema facilmente suscita. Ninguém pretende que o remédio saia pior que a doença.

em http://vivaespanha.blogspot.com

Lamentavelmente, é muito ténue a linha que nos separa da procura de um remédio pior que a doença. Estão a criar-se condições para que engrosse o número daqueles que clamam por um 'salvador da pátria'. A memória é curta e o desconhecimento da História leva a que o risco não seja negligenciável. Temo que sejamos poucos a recordar o que estes 'Messias' têm feito pelos 'rebanhos' que por eles anseiam.

(Nota: percebi hoje como se inserem links no texto; é tão fácil que vou ali pintar a minha cara de preto e já volto... :/ )

Rolling Heads

Decapitação

Reconheço em mim, olhando para a política nacional, duas tendências distintas. Uma, a de imaginar com facilidade cenários negros. Outra, a de pensar que deveriam rolar cabeças com muita frequência. Por enquanto, não estão visíveis todas as linhas. Nem sequer todos os pontos que elas unem. Mas não há-de faltar muito. E a continuarmos assim, não parece de todo improvável que se possa vir a pedir a maior cabeça de todas.

(ainda do 'Viva Espanha')

O pior (digo eu...) é o cenário que se nos apresentará na continuidade, depois de rolarem as cabeças.

O descrédito do estado

A utilidade do descrédito

A maior notoriedade que os casos de conflitos de interesses e práticas políticas de ética duvidosa têm registado não expressa, forçosamente, um acréscimo, em frequência ou intensidade, desses mesmos comportamentos. Pelo contrário, é possível fazer uma leitura mais positiva e conceber que a tolerância e o silêncio sobre estes assuntos começam a deixar de ser dominantes. A sociedade começa, finalmente, a perder o receio de manifestar publicamente o seu desconforto.
Este é o lado positivo. O lado negativo é que, não havendo responsabilização de todos os que comprovadamente incorrem nestes actos, generaliza-se um sentimento de impunidade. Nada de novo, aliás. Trata-se de algo que se verifica nos mais variados cenários. Sem determinismos, claro, mas igualmente sem ingenuidades. Generalizando-se esse sentimento de impunidade, duas consequências podem surgir em simultâneo. Desde logo, aí sim, uma tendência para aumentarem esses mesmos comportamentos. Em segundo lugar, fruto do péssimo exemplo, uma tendência para aumentarem os incumprimentos para com o Estado, tantas vezes confundido com os homens que, mal ou bem, o representam. E como o descrédito do Estado serve perfeitamente os interesses dos ultra-liberais, daí a defender-se novamente a alienação das suas funções sociais básicas, quer no campo da prestação de serviços quer no campo da regulação e intervenção na economia, irá um pequeno passo. Um pequeno passo que, bem vistas as coisas, acaba também por não ser propriamente novo.

em http://vivaespanha.blogspot.com

domingo, agosto 07, 2005

Foi há 60 anos. O bombardeiro norte-americano B-29 Enola Gay largava às 8:15 da manhã, sobre a cidade japonesa de Hiroshima, a primeira bomba nuclear utilizada em situação de guerra, baptizada "Little Boy". 80 mil pessoas morreram instantaneamente, 48 mil dos 76 mil edifícios da cidade foram destruídos (incluíndo 52 dos 55 hospitais). Sem palavras ao ver o cogumelo originado pela explosão (que provocou no seu epicentro uma onda de calor 900 vezes superior à da superfície solar), que se elevou a 15 quilómetros de altitude, o piloto do Enola Gay só conseguiu dizer: "My God, what have we done?"
Três dias depois, o cenário apocalíptico de Hiroshima repetia-se em Nagasaki. O Japão capitulava, o fim da Segunda Guerra Mundial aproximava-se, e o mundo acordava para o pavor da era nuclear. Estima-se que perto de meio milhão de pessoas tenha morrido nas duas explosões e nos cancros que se originaram entre a população das duas cidades.

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada
(Vinicius, na voz de Ney Matogrosso)

sábado, agosto 06, 2005

Hiroshima



O Japão assinala hoje os 60 anos da explosão da bomba atómica em Hiroxima, que matou 120 mil pessoas, destruiu esta cidade do Sul do país e levou à capitulação nipónica na II Guerra Mundial. Tóquio aproveitou a data para pedir a eliminação completa das armas nucleares através de um projecto de resolução que irá apresentar na ONU.Para assinalar esta data, o Governo japonês reviu a minuta que entrega anualmente desde 1994, simplificando o texto e sublinhando a prioridade de restabelecer a confiança no Tratado de não Proliferação Nuclear. O céu de Hiroxima encheu-se ontem com dez mil balões em forma de pomba com mensagens de paz de membros do Greenpeace, em homenagem aos que morreram no bombardeamento. Voluntários japoneses e estrangeiros, entre eles familiares das vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001 nos EUA, realizaram a "marcha da pedra". Na sua peregrinação de 600 quilómetros, estes voluntários levaram de Nagasáqui a Hiroxima uma estela em pedra de 700 quilos em homenagem a "todos os civis desconhecidos mortos na guerra"."Nós, americanos, pedimos perdão pelas atrocidades de 6 e 9 de Agosto cometidas contra os habitantes de Hiroxima e Nagasáqui", disse Andrea LeBlanc, cujo marido morreu no segundo avião que explodiu contra as Torres Gémeas.Hoje recorda-se um acontecimento que 60 anos depois "continua a destruir o corpo e o coração das suas vítimas", explicou Sunao Tsuboi, um dos últimos hibakusha, como são conhecidos os sobreviventes de Hiroxima.Muitos deles afirmam ter sido vítimas duplas dos americanos e dos seus próprios compatriotas, pela incompreensão de que foram alvo depois da catástrofe. Naquela altura acreditava-se que a radiação era contagiosa e, por isso, as vítimas da explosão nuclear foram discriminadas. teses. Apesar de terem passado 60 anos, a decisão do presidente Harry Truman de usar bombas atómicas em Hiroxima e Nagasáqui ainda deixa os historiadores divididos entre os que falam de uma genial decisão militar e os que a apelidam de crime contra a humanidade.A tese tradicional defende que Truman, uma vez na posse da bomba nuclear, não tinha outra opção senão usá-la contra os japoneses.Segundo cálculos contemporâneos, perto de 250 mil soldados aliados poderiam ter morrido em caso de invasão do Japão, um número demasiado pesado numa guerra que já durava há seis anos.Mesmo em 1945, os responsáveis americanos estavam divididos sobre o recurso à bomba atómica. Sete cientistas do Projecto Manhattan pediram que fosse dada uma hipótese aos japoneses de capitular.O ex-presidente Herbert Hoover intercedeu junto de Truman para prometer aos japoneses que poderiam manter o imperador se o Japão capitulasse. No entanto, para Peter Kuznick, historiador da American University, em Washington, os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui são "crimes contra a humanidade".Segundo Kuznick, a Administração Truman não tomou a decisão em função dos cálculos de baixas numa possível invasão, mas porque queria acabar com a guerra antes que a União Soviética pudesse participar na invasão do Japão, o que teria provocado problemas geopolíticos na Ásia do pós-guerra. O professor Tsuyoshi Hasegawa, da Universidade da Califórnia, defende igualmente esta tese, dizendo que a entrada da URSS na guerra do Pacífico teria sido o factor decisivo para o bombardeamento de Hiroxima e Nagasáqui.

sexta-feira, agosto 05, 2005

Homenagem

Quino condecorado pelo governo espanhol.O pai da irreverente Mafalda, o humorista argentino Joaquin Salvador Lavado – mais conhecido como Quino – vai ser condecorado este domingo, pelo governo espanhol pelos seus méritos «extraordinários de carácter civil».Quino vai recever a Encomienda de Isabel la Católica das mãos do cônsul-geral de Espanha em Buenos Aires, durante uma cerimónio no âmbito do fim da exposição Quino – 50 anos em Mendonza, que decorre naquela província argentina, de onde é natural.

(visto no 'Lua')

Direitos (des)humanos

Segundo um recente relatório da Amnistia Internacional, os Estados Unidos mantêm 70 000 pessoas presas em diversos países do mundo, sem julgamento, sujeitas a torturas físicas e psicológicas, algumas acorrentadas, vendadas e sem direito a alimentos.

visto no blogue de esquerda

quinta-feira, agosto 04, 2005

Vergonha na cara

56 deputados de todos os partidos com exepção do BE, vão receber 1,350 milhões de euros como subsídio de reintegração, o que dá uma média de 24.100 Euros por deputado afectado.
1,350 milhões de euros como subsídio de reintegração?!?!?!?!
Pode até parecer uma gota de água no Orçamento de Estado, mas que é de uma imoralidade gritante disso não existe a menor dúvida. Reintegração de quê? No seu próprio escritório de advogados que nunca largaram? Nas universidades onde estavam de licença sem vencimento? Das consultadorias que continuaram a dar ao longo dos anos? Dos empregos que não perderam porque estavam requisitados pelo Estado?
Tenham vergonha.

(Daniel Arruda, no Troll Urbano, sobre uma uma notícia do Diário Digital)

Recordações do cavaquismo

O declínio do PSD, em meados da década de 90, que culminou na vitória de Guterres, confunde-se com o declínio do cavaquismo. Não foi tanto Fernando Nogueira que perdeu essas eleições legislativas em 95. Foi Cavaco e o seu modelo de governação, o que viria a confirmar-se, se existissem dúvidas, quando perdeu igualmente as eleições presidenciais. A aura de competência e rigor que Cavaco arrasta não tem equivalência com o que foram os seus governos, muito especialmente o segundo mandato. Um primeiro-ministro é o chefe do governo e o seu responsável último. É ele que responde pela equipa governativa e pelas políticas implementadas. Não se pode, por isso, deixar de associar Cavaco Silva aos muitos e muito maus ministros que teve nos seus governos. Ao nível das políticas por eles seguidas, e tendo presente as entradas significativas de dinheiro proveniente da UE, há muito a criticar. Durante os seus mandatos a aposta centrou-se no betão e no alcatrão. Não houve preocupações ambientais, sociais ou éticas. O interior foi progressivamente abandonado, não se fazendo nada para diminuir a desertificação, o envelhecimento da população e o êxodo rural. O litoral foi deixado aos predadores do sector imobiliário e do (mau) turismo, tendo os autores de toda a espécie de crimes ambientais ficado impunes. A já fraca agricultura foi completamente hipotecada aos interesses dos países do Norte e do centro da Europa. A educação foi deixada para segundo plano e nunca passou de uma pasta para queimar ministros. A qualificação da mão-de-obra foi desleixada praticamente até à obsolescência das competências. Verificaram-se fraudes gigantescas na atribuição dos subsídios à agricultura, à indústria e à formação, o que abalou de tal forma a sua credibilidade que ainda hoje existe esse estigma em relação aos apoios comunitários. Em suma, não ficou um único projecto estruturante digno desse nome, com mais valias a médio e longo prazo. Sobrou uma rede de auto-estradas que permite chegar mais depressa a locais onde não existe nada.Da mesma forma, não se pode esquecer a desconsideração perante o parlamento e as oposições e o sistemático bloqueio às suas iniciativas. Os governos de Cavaco não conviveram bem com a pluralidade, o que, independentemente das putativas capacidades técnicas, é sempre um mau indicador democrático. Ao mesmo tempo, alimentaram-se as clientelas partidárias e o caciquismo autárquico, do qual o cavaquistão foi um dos melhores exemplos.A governação de Cavaco Silva também ficou marcada por um estilo muito particular. Os governos de Cavaco sempre evidenciaram sinais de arrogância e de paternalismo, não só perante a oposição, mas também perante todo o país. Criou-se uma separação entre a elite governativa e os eleitores (“deixem-nos trabalhar”), no que isso pode ter de negativo em transparência e em confiança. Algo que a campanha do PS aproveitou muito bem em 1995 e que foi sintetizado em traços distintivos do guterrismo, como o diálogo e a relação com o eleitorado, se bem que mais tarde tenha tido também o seu lado negativo. A imagem que Cavaco cultivou, mais para si do que para os seus governos, tem muito de bafio salazarista: ascética, sobranceira, moralista e autoritária. Uma imagem que continua a cultivar e que pretende acrescentar valor à sua candidatura presidencial. Em verdade se diga, a crise económica que Portugal atravessa e com a crise de identidade que os países ocidentais experimentam em consequência do contexto internacional favorece este tipo de figura. Nos momentos de aflição surgem sempre figuras dispostas a dar o melhor de si para guiarem de novo as nações até ao bom caminho. Os períodos conturbados e nebulosos são solo fértil para o messianismo político.Tanto as hipotéticas candidaturas de Cavaco e de Soares têm, assim, algo de messiânico. O messianismo não é, de forma alguma, um bom sintoma da saúde democrática. Esta é a maior e mais legítima crítica que se pode fazer às orquestrações postas em movimento para transformar em realidade o confronto que não foi possível fazer em 1996. Outras poderão ser feitas tendo por base a falta de renovação dentro dos partidos. Desde logo, para apurar se estes deixaram de conseguir atrair pessoas com perfil político relevante ou se, por outro lado, passaram a reservar as oportunidades políticas para um grupo muito restrito de militantes. Em qualquer dos casos, uma deficiência a necessitar de urgente correcção.O descrédito da política passa, numa grande parte, pelo desfasamento com a sociedade. Nestas eleições joga-se uma carta importante neste capítulo. Sem comprometimento mútuo entre a política e a sociedade não há estratégia de evolução que medre.

Texto do 'Viva Espanha'

E ainda, no mesmo blogue:

Entre Cavaco e Soares
É provável que a reincidência neste tema me conote com o soarismo, seja lá isso o que for. Não é correcto. Serei, em vez disso, anti-Cavaquista. Convictamente, por princípio e por memória.

Subscrevo. Integralmente.

terça-feira, agosto 02, 2005

Pasmem!

"Neste país cada vez mais seco e queimado, apurámos que nenhuma das pessoas levadas a tribunal entre 1998 e 2003 por suspeitas de fogo posto foi condenada a pena de prisão, já que todos viram essa pena ser trocada por uma multa, e que em alguns casos até esta chegou a ser suspensa. Sabemos que se trata de uma área de dificil investigação já que os eventuais vestígios do crime acabam consumidos pelo fogo, mas não se conhecer nenhum culpado num universo de 28222 crimes é algo um pouco constrangedor para este país à beira mar...queimado."

Texto do Feedback (fidback.blogspot.com)


Cheira a esturro, não é?
Porque será?
Até parece que não se deseja efectivamente punir os culpados...será que 'valores mais altos se levantam'? Por estranha associação de ideias, penso em madeireiros e no lobby da construção...

Será desta?

Os portugueses concordam com a iniciativa do PS de ver realizado um referendo sobre a despenalização do aborto ainda este ano. De acordo com os dados da sondagem da Marktest para o DN e TSF, 49,2 por cento dos inquiridos estão de acordo com a realização da consulta popular no último trimestre deste ano, entre as autárquicas de Outubro e as presidenciais de Janeiro. Contra estão 36,8 por cento dos portugueses. A sondagem permite verificar que é entre os jovens (60,3 por cento), e nas regiões da Grande Lisboa (53,9) e do Grande Porto (57,6), que mais se apoia a iniciativa socialista. A maior oposição vem do interior norte do País (45,1). A classe média é a maior defensora do referendo e as classes altas quem mais está contra.

O PS defende a despenalização da interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas e prometeu que a questão iria ser levada aos portugueses durante a legislatura. Antes do Verão, os socialistas avançaram com uma proposta, que foi rejeitada pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, por a consulta poder cair em cima dos meses de férias dos portugueses (com a consequência de uma provável elevada abstenção). Agora, o PS promete voltar à carga em meados de Setembro, com a reapresentação de uma resolução para a realização do referendo. Mas conta, desde já, com a firme oposição do PSD e do CDS/PP.

(DN online)

IMPORTANTE É QUE NÃO SE ENCOLHA OS OMBROS E SE VOTE NO REFERENDO PARA ACABAR DE VEZ COM AS DESIGUALDADES E AS HIPOCRISIAS, COM AS MORTES, COM AS MÁS CONDIÇÕES, COM OS JULGAMENTOS...!

Bastidores da politica

A "maior concentração de estadistas jamais realizada na Suécia", resumia o jornal Afton- bladet, conta o antigo dirigente do PS Rui Mateus, entretanto caído em desgraça no interior do seu partido, no livro Contos Proibidos. Memórias de um PS Desconhecido (Dom Quixote), quando relata pormenorizadamente a criação do Comité de Amizade e Solidariedade com a Democracia e o Socialismo em Portugal.

Face à eventualidade de se implantar uma "Cuba europeia" e de se confirmar a tese de Kissinger de que Soares se tornaria num segundo Kerensky - "comentário não muito diplomático", admitirá, mais tarde, o poderoso secretário de Estado americano, na sua obra Anos de Renovação (Gradiva) -, Olof Palme convidou os primeiro-ministros britânico Harold Wilson, alemão Helmudt Schmidt, austríaco Bruno Kreisky, holandês Joop den Uyl, norueguês Trygve Bratteli, dinamarquês Anker Joergensen, israelita Ytzhak Rabin. Mas também se encontravam nessa cimeira de Haga (arredores de Estocolmo), naquele dia 2 de Agosto de 1975, o então presidente da Internacional Socialista (IS), Hans Janitschek, o seu sucessor e ex-chanceler alemão, Willy Brandt, o ministro dos Negócios Estrangeiros inglês, James Callagham (autor do plano com o seu nome, que deveria ser accionado, com o apoio da CIA e do MI6, no caso de o PCP e seus aliados tentarem tomar, de facto, o poder), os líderes do Partido Socialista Francês, François Mitterrand, e do Partido Socialista Italiano, Bettino Craxi. Além, obviamente, do convidado de honra, Mário Soares.

A reunião, realça Rui Mateus, foi organizada por Rolf Theorin, a quem os camaradas chamavam o "Fellini Sueco", "devido às suas reconhecidas qualidades de realizador de eventos políticos espectaculares". De resto, esse secretário adjunto para a organização do partido sueco, como regista Juliet Antunes Sablosky, no livro PS e a transição para a democracia (Notícias), foi "visita assídua" em Portugal desde 1974 até finais de 1977.

"Logo após a sua chegada à capital da Suécia [ Soares] afirmaria, com a força de quem tem por detrás de si o mundo ocidental, que 'se os militares no poder em Portugal escolherem a violência e introduzirem uma política de repressão, o Povo Português resistirá'", escreve Mateus naquele livro que, a crer na longa entrevista a Maria João Avillez (Soares. Ditadura e Revolução, Público), o (então) secretário-geral do PS nunca terá lido.

Juliet Sablosky frisa que os "estudos já publicados" põem a tónica apenas no apoio financeiro concedido ao partido de Soares. E, no entanto, um "olhar mais atento revela que o aconselhamento técnico, o apoio moral e as iniciativas diplomáticas, conduzidas no sentido de ajudar Portugal em questões bilaterais ou multilaterais, foram tão ou mais importante" para o PS.

A real importância desta cimeira - apesar da projecção deste inequívoco apoio político da Internacional Socialista ao seu filiado português -, foi sendo tratada com pinças nos primeiros tempos, decerto pelos acordos sobre actividades diplomáticas mais discretas e pelos fundos disponibilizados.

Bruno Kreisky, em Liberdade para Portugal (edição portuguesa da Bertrand), escrevia, no início de 1976 "Foi um encontro bastante sério e decisivo e Soares, presente como convidado, deu-nos uma imagem sombria da situação. Ficou então decidido criar um Comité de Amizade, sob a orientação de Willy Brandt. Mas sob esta designação ocultava-se - se assim lhe posso chamar - uma concentração de forças solidárias das sociais-democracias europeias com a democracia em Portugal e o Partido Socialista."

"E esta solidariedade teve grande significado", prosseguia o governante austríaco da época da revolução dos cravos; "significou que os governos democráticos deviam ajudar Portugal sem quaisquer condições políticas, pois não se queria ferir o orgulho do povo Português com a impressão de paternalismo político. Mais significou a intervenção social-democrata junto do Governo dos Estados Unidos, no sentido de estes não intervirem e prestarem a sua ajuda, incondicionalmente; para os países membros da EFTA, a que Portugal pertencia desde o início, ela significou a concessão de um fundo de desenvolvimento industrial para Portugal no valor de cem milhões de dólares."

"Por outro lado", concluía Kreisky, "constituiu também para os extremistas um aviso contra os exageros. Mais ainda, pretendeu demonstrar a muitos elementos do exército que não estariam sozinhos, caso se dispusessem a definir-se politicamente no sentido do socialismo democrático." Afinal, o encontro de Haga foi no dia 2 e o "Documento dos Nove" (a facção moderada do MFA, próxima do PS) seria publicado cinco dias depois.

Também Willy Brandt se mostrou prudente ao abordar, em 1978, este assunto do contrapoder face aos comunistas nas suas memórias (People and Politics The Years 1960-1975, citado por Sablosky). "O esforço de auxílio que ali se seguiu faz parte de uma história que ainda não pode ser completamente revelada. Foi produto da colaboração secreta entre uns quantos dirigentes partidários sociais-democratas. Não inaugurámos novas sedes e evitámos a publicidade. Em seu lugar, empenhámo-nos em oferecer apoio político e moral concreto, em combater o derrotismo que se estava a apoderar de círculos influentes no Ocidente" - numa clara alusão a Kissinger.

Em 1979, numa entrevista colectiva que resultaria no livro O Futuro Será o Socialismo Democrático (Europa-América), Mário Soares retorquia a uma pergunta "Nós somos um partido da Internacional Socialista e aí contamos com bastantes amigos. Evidentemente, eu sou amigo pessoal do Schmidt, do Willy Brandt, do Callaghan, do Olof Palme, do Yoergensen, do Kreisky, do Mitterrand, etc. Posso pegar em qualquer momento no telefone e falar com eles." Pode-se estabelecer um paralelo com a afirmação de Guterres, quando o ainda líder da oposição disse que tratava por "tu" vários primeiro-ministros europeus.

Mas, na época, parece que Soares ainda optava por não revelar toda a importância desse encontro, que estaria na origem, em Março seguinte, do célebre comício no Palácio de Cristal, no Porto, denominado 'Europa connosco', onde se juntaram Brandt e Palme, Kreisky e Uyl, Mitterrand e González.

Em Outubro de 1992, num texto escrito para o Nouvel Observateur sobre a morte de Brandt (incluído em Intervenções/7, Imprensa Nacional), já Soares era mais claro. O comité de auxílio "foi a advertência da Europa democrática à União Soviética para que não estimulasse o PCP, e os militares do MFA por ele instrumentalizados, a persistir na sua política aventureirista de conquista do poder; mas foi também uma tomada de posição clara em direcção a Washington, onde Kissinger desenvolvia a bizarra teoria de que a conquista do poder pelos comunistas, em Portugal, seria uma verdadeira 'vacina anticomunista' para o resto da Europa."

Em síntese no dia seguinte à Acta Final da Conferência de Helsínquia - onde Costa Gomes juntou o seu nome às assinaturas de Ford e Brejnev (a conferência juntou 33 países europeus, os EUA e o Canadá) nesse compromisso de uma détente na Europa -, a Internacional Socialista, não só tomava uma posição de confronto perante Moscovo (o que tinha sido sempre evitado), como disputava a influência com Washington. E, depois da experiência portuguesa, onde teria êxito, a IS seguiria o mesmo modelo para lidar com as transições espanhola e grega e com as tentativas de democratização na América Latina e no Leste da Europa.




(DN online)

'Boas intenções...'

As esmolas dos G8 e as boas intenções "pop"
Em Julho, os gran­des deste mundo –G8 (e Comissão Europeia) - de­clararam querer acabar com a po­breza em Africa. Cantores e gru­pos «pop» juntaram-se à intenção....
As dí­vidas ao Banco Mundial e ao Banco Africano de De­senvolvimento de 15 dos países africanos mais po­bres foram perdoadas .
(Em África) a sida é devastadora ... mas a malária mata ainda mais gen­te. Metade da população vive com menos de 1 dó­lar por dia. Só 58% da população tem acesso a água potável.
A tanta pobreza, porém, juntam-se fabulo­sas riquezas ... de homens de Estado africanos: Abacha (Nigéria) 20 mil milhões de dólares; Houphouet Boigny (Costa do Marfim), 6; Babangida (Ni­géria), 5; Mobutu (Zai­re), 4; Traore (Mali), 2....
Por is­so, antes de dar mais dinheiro a África, conviria interromper a rou­balheira sistemática de fundos até agora consignados ... Conviria também acabar com o subsídio escandaloso de produ­tos agrícolas europeus e nor­te-americanos que põe fora do mercado mundial a produção dos agricultores africanos e que há de­zenas de anos os vem arruinando.
Estas medidas - contra os clepto­cratas africanos por um lado e o proteccionismo euro-americano por outro - ajudariam mais Afri­ca que mais alguns milhões de dólares, pouco e mal usados.

José Cutileiro. Expresso. Internacional 30-7-2005

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