terça-feira, agosto 23, 2005

Lisboa

Rossio, final de uma tarde de Agosto. Turistas melancólicos, possivelmente arrependidos de não terem ido antes passar férias à faixa de Gaza, deambulam entre mendigos dementes que exibem os seus aleijões. Abundam os pontos de interesse para o visitante curioso: a estação do Rossio fechada sem explicações; a fonte do Rossio pichada com letras cirílicas; o entulho e o lixo acumulados nas ruas circundantes; as igrejas fechadas; as duas enormes barracas de lona ponteagudas, eventualmente recuperadas do cerco turco a Viena; o chulo que conduz um Mercedes descapotável exibindo os decibéis da sua aparelhagem.Não me lembro de uma Lisboa tão imunda, desmazelada e caótica como esta de Carmona e Santana.

(visto no 'blogoexisto')

http://blogoexisto.blogspot.com/

sexta-feira, agosto 19, 2005

A origem do mal

COMO NASCE O TERRORISMO


Os israelitas estão agora a descobrir como também os seus podem sucumbir à raiva e ao desespero depois de se verem expulsos de terras que consideram suas. Ontem, um segundo atacante israelita alvejou palestinianos desarmados. Morreram quatro. De acordo com a polícia, estes ataques já eram esperados.
Agora, talvez os israelitas comecem a entender melhor como é que a expulsão de milhares e milhares de famílias palestinianas na década de 40 e atrocidades como Deir Yassin geraram multidões de fanáticos dispostos a matar e morrer como vingança.


visto no BdE

http://bde.weblog.com.pt/

sexta-feira, agosto 12, 2005

Clima

O maior reservatório subterrâneo de metano do planeta, que permanecia congelado há 11.000 anos, está a começar a derreter. Trata-se do pântano gigante de alcatrão da Sibéria ocidental, um milhão de quilómetros quadrados de uma espécie de lago de alcatrão congelado desde a última idade glaciar.

Cientistas russos e britânicos alertaram ontem na revista de divulgação científica New Scientist para este problema e dizem temer que o metano agora libertado possa contribuir para acelerar o aquecimento global do planeta.

O metano é um gás com um efeito de estufa 20 vezes mais potente que o dióxido de carbono e o pântano na tundra siberiana, do tamanho de França e Alemanha juntos, acumulou durante milhares de anos 70 mil milhões de toneladas de metano, um quarto de todo o metano aprisionado no solo do planeta.

Trata-se de uma área inóspita, uma das menos visitadas do planeta, mas que tem sido uma das maiores vítimas do aquecimento global. Estima-se que na Sibéria ocidental as temperaturas médias tenham subido três graus nos últimos 40 anos. O aquecimento deverá ser causado por uma mistura de factores, que incluem alterações causadas pelo homem, uma mudança cíclica na circulação atmosférica conhecida como circulação do Árctico e as consequências do derreter dos gelos, que deixa oceanos expostos à luz do Sol, que produzem mais calor.

Apesar de este perigo ser conhecido pela comunidade científica internacional, o aviso de que algo de novo se estava a passar partiu de um botânico russo, Serguei Kirpotin, da Universidade Estadual de Tomsk, juntamente com Judith Marquand, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

"É um desastre ecológico, provavelmente é irreversível e está sem dúvida ligado ao aquecimento global. Toda a região subárctica da Sibéria ocidental está a derreter-se, e tudo começou a acontecer nos últimos três ou quatro anos", disse Kirpotin à New Scientist. O que o que era uma imensa extensão de alcatrão congelado já apresenta lagos, alguns com um quilómetro de diâmetro.

Este aviso surge dois meses após um outro relatório que dizia que milhares de lagos na Sibéria oriental desapareceram nos últimos 30 anos. E nos territórios gelados do Alasca (no Norte da América), e do lado de lá do oceano Pacífico, está a acontecer algo semelhante.

"Este era um fenómeno esperado", diz Filipe Duarte Santos, físico da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, especialista em alterações climáticas e modelos de estudo do clima. "Estes fenómenos vêm confirmar que os modelos do sistema climático que defendem que o aquecimento global será maior nas latitudes elevadas, como o Árctico, estão certos."

O permafrost absorve mais calor do que o gelo de superfície ou a neve, ao contrário do que se possa pensar, e é mais afectado pelo aumento da temperatura.

Já no início deste ano uma equipa australiana, que coordena um projecto chamado Global Carbon Project, tinha dito que o permafrost é uma das principais causas de agravamento das alterações climáticas, precisamente pelos gases de efeito de estufa que pode libertar para a atmosfera ao derreter.

Filipe Duarte Santos explica ainda que a matéria orgânica presa durante milénios no permafrost, o solo gelado da tundra siberiana, entrará agora em contacto com o ar.

Se os pântanos secarem, à medida que forem derretendo, o metano vai reagir com o oxigénio do ar e escapar-se para a atmosfera como dióxido de carbono. Mas, se estas zonas pantanosas continuarem húmidas, como acontece hoje na Sibéria ocidental, o metano será directamente libertado para a atmosfera, onde terá efeitos mais potenciadores do efeito de estuda, sublinhou Karei Frei, da Universidade da Califórnia, citada pela New Scientist.

(Público on-line)

terça-feira, agosto 09, 2005

Às vezes penso que nunca mais vou escrever sobre a política. Que Sócrates e Vara, Santana e Guedes, o emperuado à espera de nova oportunidade, o lado esquerdo da bancada, são um problema vosso.Mas há dias em que não se pode. Eu sei que isto onde escrevo não é nada. Uma passagem para lado nenhum de alguns amigos que provavelmente pensam o mesmo. Mas houve sempre demasiado silêncio neste mundo. E escrever é refazer o mundo, fazer de conta, opor à força a resistência da reflexão. Como a esquerda não pensa ou não tem onde, tem vergonha ou está de férias, os amigos da bomba atómica andam aí à solta. Ontem o Fernandes, hoje o Pulido Valente. Compreende-se o à vontade. Sessenta anos é muito ano. Sobretudo se não há sobreviventes. Ou se falam japonês. Asseguro-vos: debaixo dos destroços de Hiroshima que as fotografias a sépia repetem, há corpos irreconhecíveis. São os corpos dos que tiveram a felicidade de morrer no primeiro minuto. Porque à medida que nos afastamos do epicentro, aumentam as penas de ter escapado. O Japão era um país feudal, governado por uma oligarquia despótica e que dera provas de imensa ferocidade em todos os países ocupados. Okinawa tinha sido terrível. Mas o Japão estava sozinho quando na Europa já se tinha festejado a libertação. Hitler, Mussolini e os seus cúmplices mortos, em fuga, ou a branquearem os alinhamentos anteriores, sem iniciativa. A arma atómica era uma coisa nova. Não se conheciam os efeitos, diz-se. Mas os cientistas que nela trabalharam- e que devem ser considerados criminosos de guerra, conjuntamente com os políticos e militares que deram a ordem da sua utilização - sabiam com que materiais trabalhavam. A radioactividade era conhecida, bem como a existência de efeitos a médio e longo prazo. O alvo e o ponto de deflagração das bombas foram escolhidos em função da maximização dos efeitos letais na população. Não apenas os objectivos eram civis como estava a ser utilizada uma arma sem paralelo nem correspondência histórica. Não que a história abunde de ética. Mas os fins não justificam os meios. E se sessenta anos não ensinaram nada aos nossos historiadores e líderes de opinião temos que tirar conclusões. Eles hoje não se opõem ao terrorismo islâmico por ser terrorista mas por ser islâmico. Fosse ele em favor dos sagrados objectivos do livre comércio e da democracia e seria justificado, pelos vistos. Os neo cons teorizaram assim quando propuseram a guerra preventiva. Os panfletos das escolas corânicas não devem dizer coisa muito diferente.No fim da segunda guerra mundial o campo aliado lutava contra o Eixo e lutava entre si para assegurar posições no futuro. Os golpes que vibravam à Alemanha e ao Japão tinham sempre um segundo objectivo estratético. Os soviéticos entraram na Alemanha com a bandeira vermelha e na caminhada de Berlim não se distinguiram muito das hordas nazis no seu solo, uns anos antes. O bombardeamento de Dresden pela RAF foi um crime. Mas usavam as mesmas armas dos inimigos. No Japão, há sessenta anos cometeu-se a outra face do Holocausto. A incineração dos amarelos. Lamento ter mostrado as cinzas. Não é coisa que se faça. Estes debates devem ser limpos, como as acções de formação nas universidades americanas, para ex- esquerdistas convertidos ao escutismo. Acontece que ter estado do lado vencedor não significa que deixe de se considerar a vida de Suzikura Aboe, uma rapariga de dezasseis anos que morreu no Hospital Central de Hiroshima (escolhido para o epicentro da deflagração), tão digna de apreço, tão barbaramente ceifada, como a de Anne Frank morta de exaustão e desgosto num campo perto de nós.

Em 'A natureza do mal'

http://anaturezadomal.blogspot.com/

Prato típico

visto no 'agrafo'

Incêndio florestal à portuguesa (versão curta, escrita ao som de uma sirene que não pára de tocar)
Escolha árvores de lucro rápido que larguem grandes quantidades de matéria altamente combustível durante todo o ano, por forma a tornar economicamente inviável a limpeza da «floresta». O pinheiro e o eucalipto têm sido as mais bem sucedidas, mas há outras igualmente desadequadas à formação de «floresta» no nosso clima que também podem, quem sabe, produzir bons resultados. Investigue, descubra. Por melhor que a festa esteja, a sua criatividade é sempre bem vinda. Plante as árvores ao molho, de preferência em grandes extensões de terreno sem grandes acessibilidades. Polvilhe com casario disperso. Se gostar da coisa mais condimentada, acrescente alguns interesses económicos pouco claros, meia dúzia de pirómanos e uns milhares de labregos de sortes variadas. Espere pelo calor e indigne-se com a ineficácia dos meios de combate perante o resultado obtido. Chore, berre, insulte. Veja as notícias tolhido/a pelo horror. Acima de tudo, não se esqueça de ficar espantado/a: é aí que reside o sentido do momento. Como já deve ter percebido, o incêndio florestal, mais que um prato típico, é um ritual.

http://agrafo.net/blog/

segunda-feira, agosto 08, 2005

Coincidências

visto no 'blogue de esquerda':

OS TERRENOS, OS ESTUDOS
Ah, e ainda mais isto:
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, foi sócio de uma das empresas que está a realizar estudos de consultoria técnica para o aeroporto da Ota. De acordo com o semanário O Independente, a Consulmar foi sócia de Mário Lino na Impacte-Ambiente e Desenvolvimento, uma outra empresa de consultadoria ambiental, entre 1991 e 1996. Mário Lino tinha uma quota de 20 por cento na Impacte e ocupou os cargos de sócio-gerente e director.
Ou Portugal é um bidé, em que é impossível toda a gente não estar ligada a tudo, ou...


http://bde.weblog.com.pt/

Relatividades

Não me lembro com precisão do ano, mas como nessa altura ainda vivia em Cascais, terá sido no Verão de 1996 ou 97. Um incêndio de grandes proporções na Quinta da Marinha, quem diria! As labaredas viam-se na Gandarinha e no Rosário, a um quilómetro de distância. O sobressalto foi medonho. Mobilizou-se este mundo e o outro, a tv interrompeu a novela para dar reportagem em directo, puseram-se a salvo os cavalos do centro hípico, uma famosa empresa de transportes retirou em tempo recorde valiosíssimas obras de arte de alguns residentes, a casa de um conhecido CEO (várias vezes ministro) foi pasto das chamas, mas felizmente foi só uma, rolos de fumo negro interditaram a marginal do Guincho, o parque de campismo da Areia teve de ser evacuado, mas como eram só freaks e casais soixante-huitard ninguém se preocupou, embora os respeitáveis moradores do Birre, entre eles um tonitruante general, assustados com a proximidade do fogo, tivessem apelado aos poderes fáticos. Uma noite de pesadelo. Um porta-voz de Champallimaud lembrou ao governo que «um desastre» teria consequências. A imprensa registou que as casas de Balsemão e Freitas do Amaral continuavam intactas. Comparado com a devastação sistemática dos últimos anos, o incêncio «da Quinta» foi uma brincadeira. Agora o país arde de Norte a Sul. Dois terços, ou coisa que o valha, da floresta, foram pró caneco. Em Ourém parece que arderam vinte casas. Noutro sítio qualquer, mais oito (porém desabitadas). Em qualquer dos casos, casas e haveres de gente pobre. Um amigo cínico diz-me que não é o país que arde, «são as traseiras do país». É por ser assim que ninguém se rala. É por ser assim que o ministro Costa tem o desplante de pedir aos empregadores que dêem folga aos «seus» bombeiros, como se o exercício da profissão de bombeiro pudesse ser um part-time, como se a extensão da calamidade pudesse resolver-se com o concurso de indivíduos decerto bem intencionados mas que devem perceber tanto de combate ao fogo como eu percebo de renda de bilros. No dia em que arder uma casa, uma só, e não é preciso que seja num resort da alta-sociedade, basta que seja numa «urbanização» de classe média, e os repórteres da televisão encontrarem pela frente, não, como tem acontecido, «Esta gente cujo rosto / Às vezes luminoso / e outras vezes tosco / / Ora me lembra escravos / Ora me lembra reis [...] a gente que tem / O rosto desenhado / Por paciência e fome...» (Sophia, Geografia, 1967), no dia em que os interlocutores desapossados forem gente das corporações estabelecidas, nesse dia, o enfado do ministro Costa encontra resposta à altura. Até lá, como me diz esse amigo cínico, «o fogo sempre ajuda a limpar a porcaria». Ou muito me engano, ou vai ser essa a conclusão do tal relatório previsto para 31 de Outubro.

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Quando Freitas do Amaral deu aquela controvertida entrevista ao DN, a tal do «Never say never», ficou toda a gente escandalizada com as afirmações do ministro acerca dos níveis de corrupção em Portugal, os quais poderiam aferir-se pelo padrão angolano. Muito inconveniente, de facto. Agora que o mensalão brasileiro tresanda, e não tarda temos aí uma delegação da CPI a fazer perguntas pouco próprias a uns senhores que não estão habituados ao crivo da opinião pública e às regras de transparência das sociedades evoluídas, tais afirmações começam a fazer sentido. Não é preciso fazer parte do inner circle de Freitas para perceber que não é pessoa de mandar bocas à toa, ainda para mais na qualidade de MNE. Só ainda não se percebeu o timing. Lá chegaremos. Ou muito me engano, ou a CPI é capaz de dar uma ajudinha. Se vier a saber-se que não houve um, mas vários jantares (e almoços) ao mais alto nível, a coisa fica preta. Em tudo isto, uma lição: o desassombro dos media brasileiros. A coisa é com eles, a gente sabe. Mas a conexão portuguesa é bem cabeluda. Talvez fosse altura de puxar uns cordelinhos. O problema é que isso não faz parte da «nossa» tradição jornalística. Quando as Polícias e o MP dão uma mãozinha, há manchetes e sangue. Caso contrário, faz-se edit às «notícias» de agência. O Brasil foi capaz de impugnar um Presidente. Lembram-se? Collor de Mello foi destituído, impedido de concorrer a cargos elegíveis e de exercer cargos públicos durante oito anos, tendo sido acusado de formação de quadrilha e corrupção. Por este andar, o Brasil prepara-se para repetir a dose. Certo, nós por cá ainda não chegámos... ao Brasil. De todo. Mas era bom ver os media com outra genica.

(Eduardo Pitta em 'Da Literatura')

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Comparar alhos e bugalhos

Terrorismo Cristão

No programa de rádio da organização «Focus on the Family» do passado dia 3 de Agosto, dedicado à discussão da blasfema investigação em células estaminais, James C. Dobson, fundador e presidente da maior organização teocrata americana e uma das mais radicais, comparou a investigação em células estaminais embrionárias com as experiências nazis conduzidas com pacientes vivos, durante e antes do Holocausto. Dobson sugeriu ainda que as experiências nazis também poderiam resultar em descobertas que «beneficiariam a humanidade» quando igualou os defensores da investigação a médicos nazis:«Sabe, aquilo que significa tanto para mim neste assunto é que as pessoas falam no potencial para o bem que vem da destruição destes pequenos embriões e como poderemos resolver o problema da diabetes juvenil (...) Mas eu tenho de perguntar: Na Segunda Guerra Mundial os nazis fizeram experiências em seres humanos de formas terríveis nos campos de concentração, e eu imagino, se quiser dispender o tempo para ler sobre isso, que poderiam ter ocorrido experiências que beneficiariam a humanidade».Como é óbvio, as reacções de indignação pública às observações de puro terrorismo psicológico do «piedoso» pastor, ouvidas por cerca de 220 milhões de pessoas no mundo inteiro, não se fizeram esperar. Nomeadamente exigindo um pedido de desculpas público pela enormidade de comparar investigação numa célula, obtida a partir da junção de duas células, com experiências que torturaram e mataram de forma ignóbil incontáveis pessoas! Mais concretamente um pedido de desculpa aos sobreviventes do Holocausto, suas famílias e todos os que sintam ofendidos pela ignóbil comparação. Pedido de desculpas que Dobson se recusou a pronunciar, uma vez que para a «Focus on the Family», como diz a respectiva analista de assuntos éticos, Carrie Gordon Earll:«A analogia com as experiências Nazis é correcta e apropriada. Se algumas desculpas são devidas, são os advogados da destruição de seres humanos embrionários que as deviam fazer».Quanto a Dobson, depois de disponível para comentar as inúmeras críticas, tentou menorizar as suas afirmações, dizendo que tinham sido «exageradas pelos ultra-liberais que não se importam com a vida humana». Mas reafirmou os supostos «exageros» quando, embora concedendo que os embriões, ao contrário das vítimas nazis não sentem dor ou sofrimento, concluiu que as macabras experiências nazis e a investigação em células estaminais são «moralmente equivalentes uma à outra»! E continuou atacando especialmente o Senador Bill Frist, o líder da bancada Republicana no Senado, que num volte face inesperado para os teocratas que se consideram atraiçoados, se declarou a favor de um reforço no financiamento federal para a investigação em células estaminais.Assim Dobson negou-se categoricamente a pedir quaisquer desculpas à comunidade judaica pelas suas afirmações. E Carrie Gordon Earll justificou esta recusa do seu presidente afirmando que a comunidade judaica «deveria ser sensível» às «atrocidades» da investigação.Para azar dos piedosos cristãos, a religião judaica é a única das religiões do livro completamente a favor deste tipo de investigação. Pelo menos os judeus americanos, já que longe de se oporem, a Union of Orthodox Jewish Congregations of America assegurou o reforço do seu apoio à investigação em células estaminais embrionárias. Aliás uma carta da organização endereçada ao Senado assevera isso mesmo.

no 'Diário Ateísta'

http://www.ateismo.net/diario/

E que tal uma queixa por descriminação?

No hospital de Santa Maria, internamento das urgências obstétricas, estão muito avançados para a época: as grávidas têm direito a apoio do marido, parceiro, namorado, em horário de visita muito alargado, caso tenham marido, parceiro, namorado. Se forem grávidas em produção independente, lésbicas com inseminação artificial, se o marido estiver em missão no Iraque, se o parceiro trabalhar em Inglaterra na apanha do morango, se o namorado tiver dado de frosques, já não precisam de apoio algum e, portanto, nada de irmãs, mães, amigas. Desenrasquem-se sozinhas, porque passarinha não entra.
Irmãos, primos, tios, avós, se assumirem o papel do macho responsável pela obra, podem permanecer. Ninguém confirma identidades. Interessa é ser homem. Até pode ser travesti
. Se tem o selo, pertence ao clube dos eleitos.
E que bom é estar na enfermaria, de perna aberta, respondendo às questões íntimas postas pela senhora enfermeira, que depois efectua a muda dos pensos e nos mostra a arrastadeira, e tudo e mais alguma coisa - isto, para poupar pormenores - enquanto os marmanjos amolecidos, em "apoio" às camas do lado, os quais não conhecemos de lado nenhum, e pedimos a Deus que nunca no-los dê a conhecer!, ouvem a data da nossa última menstruação, ficam a saber se somos certas, quantas vezes por dia vamos à casa-de-banho, e tudo e mais alguma coisa - isto, para poupar pormenores.
Este é o mundo que observo: perfeito!

visto em 'O mundo perfeito'

http://omundoperfeito.blogspot.com/

Lê-se e custa a acreditar. Quero dizer, custaria a acreditar se não estivessemos em Portugal. Um país em que, há poucos anos, duas irmãs se viram 'em palpos de aranha' para comprarem casa juntas. Parece que por serem duas mulheres, não podiam...
Quando é que estes casos começam a chegar às instâncias competentes, nacionais e europeias, acompanhados das respectivas queixas de descriminação?

Os filhos...

O filho de Teixeira dos Santos; a filha de Edite Estrela; o irmão de Santana Lopes; o filho de Jorge Sampaio; o filho de Guterres; o filho de Marcelo Rebelo de Sousa; o filho de Otelo; e, e, e... trabalham na PT.

visto no 'Os tempos que correm'

http://valedealmeida.blogspot.com/
Do mal o menos

A sondagem publicada no Expresso sobre os actuais índices de popularidade dos orgãos de soberania e líderes partidários demonstra que muito embora as pessoas estejam desapontadas com o curso de eventos, com as incogruências que vêm do governo e com o estado geral das coisas, acham que Sócrates é o menor dos males, especialmente, quando comparado com o líder do PPD/PSD e respectiva clique. A interrogação que fica é: quanto tempo pode um país, que não crê nos seus políticos, subsistir, pacificamente, com base no raciocínio do menor dos males?

http://paraladebagdade.blogspot.com/

Isto anda tudo ligado

visto no 'Para lá de Bagdade':

Ler os outros: No Bloguítica uma série de posts especulando sobre as possíveis

ligações entre a saída de Campos e Cunha, a entrada do novo Ministro, as suas ligações a Macau e a Stanley Ho, o qual por sua vez está a desenvolver um mega projecto junto à Portela (o qual muito beneficiaria em ter uma melhor ligação ao resto da cidade) e as nomeações para a Caixa, organismo fundamental, enquanto financiador de tudo isto e mais alguma coisa...

http://paraladebagdade.blogspot.com/

(lembram-se da canção do Sérgio Godinho?)

Desenrasquem-se

visto no 'Plasticina'

Parece que há uma associação de agricultores franceses que ofereceu 4 toneladas de palha para a alimentação do nosso gado.

Parece que a nossa associação de agricultores pediu ao governo para disponibilizar meios para o transporte da dita oferta.

Parece que o nosso governo se descartou desse serviço e propôs aos agricultores usarem os meios de crédito bancário para o efeito.


Nem vou comentar, pois não conseguiria fazê-lo sem ser num tom demasiado desagradável.


http://plasticinina.blogspot.com/

deixa arder...

A indústria dos incêndios

visto no 'Chuinga.i'

A evidência salta aos olhos: o país está a arder porque alguém quer que ele arda. Ou melhor, porque muita gente quer que ele arda. Há uma verdadeira indústria dos incêndios em Portugal. Há muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, da terra queimada.
Oficialmente, continua a correr a versão de que não há motivações económicas para a maioria dos incêndios. Oficialmente continua a ser dito que as ocorrências se devem a negligência ou ao simples prazer de ver o fogo. A maioria dos incendiários seriam pessoas mentalmente diminuídas. Mas a tragédia não acontece por acaso. Vejamos:


1 - Porque é que o combate aéreo aos incêndios em Portugal é TOTALMENTE concessionado a empresas privadas, ao contrário do que acontece noutros países europeus da orla mediterrânica? Porque é que os testemunhos populares sobre o início de incêndios em várias frentes imediatamente após a passagem de aeronaves continuam sem investigação após tantos anos de ocorrências? Porque é que o Estado tem 700 milhões de euros para comprar dois submarinos e não tem metade dessa verba para comprar uma dúzia de aviões Cannadair? Porque é que há pilotos da Força Aérea formados para combater incêndios e que passam o Verão desocupados nos quartéis? Porque é que as Forças Armadas encomendaram novos helicópteros sem estarem adaptados ao combate a incêndios? Pode o país dar-se a esse luxo?

2 - A maior parte da madeira usada pelas celuloses para produzir pasta de papel pode ser utilizada após a passagem do fogo sem grandes perdas de qualidade. No entanto, os madeireiros pagam um terço do valor aos produtores florestais. Quem ganha com o negócio? Há poucas semanas foi detido mais um madeireiro intermediário na Zona Centro, por suspeita de fogo posto. Estranhamente, as autoridades continuam a dizer que não há motivações económicas nos incêndios...

3 - Se as autoridades não conhecem casos, muitos jornalistas deste país, sobretudo os que se especializaram na área do ambiente, podem indicar terrenos onde se registaram incêndios há poucos anos e que já estão urbanizados ou em vias de o ser, contra o que diz a lei.

4 - À redacção da SIC e de outros órgãos de informação chegaram cartas e telefonemas anónimos do seguinte teor: "enquanto houver reservas de caça associativa e turística em Portugal, o país vai continuar a arder". Uma clara vingança de quem não quer pagar para caçar nestes espaços e pretende o regresso ao regime livre.

5 - Infelizmente, no Norte e Centro do país ainda continua a haver incêndios provocados para que nas primeiras chuvas os rebentos da vegetação sejam mais tenros e atractivos para os rebanhos. Os comandantes de bombeiros destas zonas conhecem bem esta realidade.
Há cerca de um ano e meio, o então ministro da Agricultura quis fazer um acordo com as direcções das três televisões generalistas em Portugal, no sentido de ser evitada a transmissão de muitas imagens de incêndios durante o Verão. O argumento era que, quanto mais fogo viam no ecrã, mais os incendiários se sentiam motivados a praticar o crime... Participei nessa reunião. Claro que o acordo não foi aceite, mas pessoalmente senti-me indignado. Como era possível que houvesse tantos cidadãos deste país a perder o rendimento da floresta - e até as habitações - e o poder político estivesse preocupado apenas com um aspecto perfeitamente marginal?
Estranhamente, voltamos a ser confrontados com sugestões de responsáveis da administração pública no sentido de se evitar a exibição de imagens de todos os incêndios que assolam o país.

Há uma indústria dos incêndios em Portugal, cujos agentes não obedecem a uma organização comum mas têm o mesmo objectivo - destruir floresta porque beneficiam com este tipo de crime. Estranhamente, o Estado não faz o que poderia e deveria fazer:

1 - Assumir directamente o combate aéreo aos incêndios o mais rapidamente possível. Comprar os meios, suspendendo, se necessário, outros contratos de aquisição de equipamento militar.

2 - Distribuir as forças militares pela floresta, durante todo o Verão, em acções de vigilância permanente. (Pelo contrário, o que tem acontecido são acções pontuais de vigilância e combate às chamas).

3 - Alterar a moldura penal dos crimes de fogo posto, agravando substancialmente as penas, e investigar e punir efectivamente os infractores.

4 - Proibir rigorosamente todas as construções em zona ardida durante os anos previstos na lei.

5 - Incentivar a limpeza de matas, promovendo o valor dos resíduos, mato e lenha, criando centrais térmicas adaptadas ao uso deste tipo de combustível.

6 - E, é claro, continuar a apoiar as corporações de bombeiros por todos os meios. Com uma noção clara das causas da tragédia e com medidas simples mas eficazes, será possível acreditar que dentro de 20 anos a paisagem portuguesa ainda não será igual à do Norte de África. Se tudo continuar como está, as semelhanças físicas com Marrocos serão inevitáveis a breve prazo.

José Gomes Ferreira - Sub-director de Informação SIC

http://sic.sapo.pt/online/noticias/opiniao/20050804+-+A+industria+dos+incendios.htm

A oportunidade à ignorância

W. Bush acha que a América deve dar, nas escolas, tanta oportunidade à ciência como à ignorância.
Foi no Texas que o presidente, reacendendo a polémica, voltou a defender que nas escolas oficiais se deve pôr o ensino da teoria científica da evolução das espécies a par do ensino da doutrina religiosa do criacionismo: Deus Nosso Senhor criou os homens e, suponho que as mulheres, tal como hoje por aí andam. Umas revelando uma nesga da barriguinha outras de burca até aos pés.
Fred Spilhaus, director da União Geofísica Americana acha que o presidente está a colocar as crianças norte-americanas em risco (de comerem gato por lebre - resumo eu).
O conselheiro científico da Casa Branca John Marburger bem pode declarar ao NYT que o criacionismo não tem base científica e que pelo contrário a teoria da evolução é a pedra angular do biologia moderna. W. Bush faz orelhas moucas e parece-lhe que não tem mais razão do que os pregadores evangélicos que o rodeiam e lhe angariaram boa parte dos dinheiros da campanha eleitoral. [aqui no NYT]ou [aqui no Público]

no 'Puxapalavra'

http://puxapalavra.blogspot.com/

Ensaios Clínicos

Ensaios clínicos efectuados com a utilização do ácido acetilsalisílico na prevenção de doenças cardíacas, demonstrou que esta substância administrada em pequenas quantidades mostra-se ineficaz em utentes do sexo feminino ao contrário do que aconteçe em relação aos utentes masculinos. Agora, segundo um artigo da European Heart Journal, é lançado um alerta aos responsáveis pela programação dos ensaios clínicos destinados a testar substâncias para o tratamento de doenças do coração, sobre a necessidade de incluirem mais mulheres (uma vez que a sua participação nestes ensaios é, normalmente, muito reduzida) para que seja possível apurar a diferença de actuação destas substâncias (eficácia, efeitos adversos) nos homens e nas mulheres.

http://saudesa.blogspot.com/

Votos

Visto no 'Saúde S.A.':

A situação está feia. Apesar da Maioria Absoluta, surgem sintomas preocupantes de que o Governo de José Sócrates poderá deixar de ter condições de governar a curto prazo. O que se seguirá?
Saldanha Sanches interroga-se sobre o futuro do XVII Governo Constitucional num artigo publicado no no Semanário Expresso n.º 1710 de 06.08.05. :
O engenheiro Sócrates começou o seu mandato com medidas impopulares e corajosas..Um largo leque de economistas aplaudiu as suas medidas.A OTA e o TGV alteraram tudo. A mesma coligação que tinha justificado o aumento do IVA e aplaudido os primeiros passos de Sócrates voltou a falar para condenar sem apelo nem agravo os novos investimentos públicos.Só com uma fé ilimitada na intervenção do Estado na economia se pode aplaudir o investimento público português.Quando o pobre eleitor vê que um investimento de milhões e milhões como o Metro do Porto continua a ter à sua frente o major Valentim “batatas” Loureiro.O PS tem a maioria absoluta, mas está a perder de dia para dia aquele mínimo de legitimidade que poderia permitir-lhe fazer as reformas a que não tem maneira de escapar.Vai encontrar em Outubro uma situação social degradada e um sector privado exangue e incapaz de continuar a sustentar o sector público com os seus direitos adquiridos e inviáveis.Crise económica, crise política. Se a perda do ministro das finanças for apenas a primeira perda de um ministro das Finanças e tivermos aquela tão sul-americana dança de cadeiras nas pastas económicas, saberemos também que, com ou sem maioria, o Governo está a prazo.Mas depois de Sócrates o quê ? Um outro governo PS? Não se vê qual. Novas eleições e governo PSD? Sabe-se lá como reagiriam os eleitores e qual seria o nível de abstenção.Seja como for as perspectivas são todas más. Que PSD poderia ser alternativa a este se o Governo deixar de conseguir governar ?Sintomas de que isso pode acontecer não faltam.A OTA e o TGV são a busca desesperada de alternativas. É uma mudança de rumo que pode ser o fim do Governo.Se o fizer perder o único crédito que tinha -a coragem de tomar medidas difíceis – sem que desapareça a necessidade de as tomar, como vai conseguir governar ?

(Saldanha Sanches)

O colapso prematuro do XVII Governo Constitucional constituirá, qualquer que seja a solução seguinte, um sério revés para o país e para a Saúde em particular.
Se imaginarmos o cenário: um novo governo de maioria PSD, Cavaco Silva, presidente da República, e Luís Filipe Pereira, ministro da Saúde, podemos facilmente antever o que acontecerá ao SNS.
Mas o pior cenário possível será o da sucessão de Governos minoritários sem capacidade de manobra a tentarem fazer o que podem.
A coisa está feia e o futuro incerto. Fazemos votos para que o primeiro ministro, José Sócrates, regressado das férias no Quénia, abandone o seu ar empertigado de prima dona, ponha por algum tempo de lado os fatinhos novinhos em folha, irritantemente engomados, as gravatinhas sempre a condizer, como os delegados dos laboratórios farmacêuticos, arregaçe as mangas, vista o fato de trabalho e faça as reformas díficeis a que não podemos fugir para equilibrar esta geringonça.

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Pouco provável, infelizmente

A eventual candidatura [embora pouco provável] de Manuel Alegre seria um bom modo de desmascarar a partidarização obscena da República e para dar expressão a quem não se identifica com o cinismo de Cavaco Silva nem como o oportunismo de Mário Soares, e muito menos aceita as manobras fraudulentas de um líder socialista que quer, a todo custo, calar a ala esquerda do PS.
Se se candidatar, votarei em Manuel Alegre. Até porque acredito que, como em muitas outras coisas da vida, a reciclagem também tem limites.

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E (digo eu) quem garante que Soares seja mais capaz de congregar a esquerda do que Manuel Alegre?
O pior é que, se lhe saír o tiro pela culatra, quem se lixa somos nós. Como já aqui referi anteriormente, antes Soares que Cavaco.

O preço da dança das cadeiras

Dúvida

Quanto custou aos cofres do Estado a remodelação da administração da CGD, ou será que querem que acreditemos que os mandatos foram interrompidos sem serem pagas quaisquer indemnizações?

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