A grande "novidade" (...) com honras de 1ª página, é o facto de termos o telefone fixo mais caro da UE (mais do dobro).
Mas quem é que ainda não sabia disto?
Pois, se eu quiser saber como anda a minha tia-avó, só pago 1 cêntimo por minuto... tenho é que a acordar a meio da noite, mas isso é apenas um pormenor. A PT é amiga, e como vou matar a senhora do coração, poupo na mensalidade do lar!(...)
Também temos a Internet 5 vezes mais cara (e provavelmente com 5 vezes menos qualidade). Pagamos os megazitos disponíveis a peso de ouro e qualquer medidor on-line nos dirá que nem a um terço da velocidade contratada navegamos... mas isso é apenas um pormenor.
Se reclamamos, é claro que a culpa é do nosso equipamento. (...)
no 'Pandora's Box'
quarta-feira, julho 27, 2005
Argumentos da treta
As críticas a Soares
Ou há qualquer coisa que me escapa nas objecções que se levantam à candidatura de Mário Soares ou, na verdade, não existe nenhum problema. Alegam que a idade de Soares é demasiado avançada. Será avançada. Estatisticamente, já há uns anos que nem por cá deveria continuar a andar. Mas vai andando, activo e lúcido. Quanto a isso ninguém quererá fazer vingar tese contrária. E se mantém a lucidez, não vejo como se possa dizer que a sua idade é demasiado avançada. Nem vejo como se possa estabelecer o que é uma idade demasiado avançada. Ou uma pessoa mantém as suas faculdades ou não. Ponto final. É verdade que na sua idade há maior probabilidade de ter problemas de saúde que o impossibilitem de desempenhar o cargo e que a CRP não prevê a destituição de funções por esse motivo. Mas a CRP, que é uma boa constituição, ao contrário do que muitas vezes se ouve, não se preocupou com a idade máxima dos presidentes por boas razões. Nomeadamente, porque, em última análise, ter esse factor em consideração lançar-nos-ia num trajecto semi-inquisitorial quanto aos comportamentos de risco dos candidatos. Se é lícito equacionar a idade, também é lícito equacionar o tabagismo, a alimentação, o comportamento sexual, etc., etc. Da mesma forma, se não faz sentido equacionar estes comportamentos, também não fará equacionar a idade como factor determinante do desempenho.
A outra objecção que levantam contra Soares é o facto de representar uma imagem do passado. Ora, com um pequeno esforço de memória recordamos que Soares saiu da vida política nacional precisamente ao mesmo tempo que Cavaco. Em rigor, até um pouco depois. Nenhum representa, nesse sentido, mais passado do que o outro. Aliás, em termos de actividade recente, menos relacionada com os interesses de uma eventual candidatura, Soares tem-se mostrado muito mais interventivo que Cavaco.
Neste esforço de querer dar por expirado o prazo de validade de Mário Soares, querem mesmo colar o espaço de acção do ex-presidente quase exclusivamente à revolução de Abril. Esta tentativa constitui uma dupla falácia. Nem o espaço de acção de Soares se esgotou na revolução ou nos seus episódios posteriores nem a sua actuação, nessas alturas, evidenciou qualquer extremismo político. De resto, qualquer simpatizante dos partidos à esquerda do PS não hesitará em tecer duras críticas a Soares e, até, em apelidá-lo de contra-revolucionário. O que sobressai das primeiras acusações é, mais uma vez, uma vontade mal disfarçada de querer dar por terminadas as conquistas políticas e sociais que a revolução trouxe. Pretende-se menosprezar o valor dos que, antes e depois de 1974, lutaram pela implantação da democracia, uma vez que esta não correspondeu, e provavelmente ainda não corresponde, aos seus anseios económicos ultra-liberais. Mas a realidade é bem diferente. As acções anti-fascistas que culminaram no 25 de Abril e na posterior instauração da democracia não se esgotaram nesses dias. Tudo o que agora somos a elas se deve. E, se alguma razão de queixa temos, é em relação aos tiques que nos sobraram de 48 anos de ditadura.
O último reparo que igualmente fazem a Soares é a sua provável actuação como Presidente. Imaginam-no demasiado interventivo, talvez mesmo um foco de instabilidade. É previsível que Soares não tenha muitas razões para os calculismos políticos que caracterizam a actuação de quem depende das reeleições. É sabido que possui ideias que o distanciam da corrente política de onde provém o governo de José Sócrates. Também é praticamente garantido que assumirá um papel mais activo que Sampaio. Mas daí a querer transformá-lo em foco de instabilidade vai um salto gigantesco. Muito mais distante esteve Soares dos governos de Cavaco, também com maioria absoluta, e não foi por isso que se registou qualquer instabilidade. Nem sequer se pode dizer que as relações institucionais tenham sido afectadas. Não se pode recusar a sapiência e o pragmatismo políticos que Soares possui, coisas que vêm com a experiência e com a argúcia. É difícil imaginar Soares a criar mais problemas a um governo PS do que a um governo PSD. Não é descabido que continue a operar nos bastidores políticos, como todos fazem, para defender os seus interesses, sobretudo dentro do PS. Contudo, não há que recear mais de Soares do que de qualquer outro político nestas condições, sob pena de se cair numa ingenuidade gritante.
Ao falarmos destas questões já nos estamos a aproximar de uma discussão política mais razoável. Deixamos o campo da geriatria amadora e da reacção contra Abril para passarmos a discutir princípios e expectativas de desempenho mais palpáveis. Quem não quer voltar a ver Mário Soares na presidência que critique o que há para criticar: que é muito de esquerda, que não é suficientemente de esquerda, que tem uma visão errada do direito internacional, etc. Criticá-lo porque tem mais de oitenta anos, lutou contra a ditadura e esteve ligado ao pós-25 de Abril, isso não.
visto no 'Viva Espanha'
Ou há qualquer coisa que me escapa nas objecções que se levantam à candidatura de Mário Soares ou, na verdade, não existe nenhum problema. Alegam que a idade de Soares é demasiado avançada. Será avançada. Estatisticamente, já há uns anos que nem por cá deveria continuar a andar. Mas vai andando, activo e lúcido. Quanto a isso ninguém quererá fazer vingar tese contrária. E se mantém a lucidez, não vejo como se possa dizer que a sua idade é demasiado avançada. Nem vejo como se possa estabelecer o que é uma idade demasiado avançada. Ou uma pessoa mantém as suas faculdades ou não. Ponto final. É verdade que na sua idade há maior probabilidade de ter problemas de saúde que o impossibilitem de desempenhar o cargo e que a CRP não prevê a destituição de funções por esse motivo. Mas a CRP, que é uma boa constituição, ao contrário do que muitas vezes se ouve, não se preocupou com a idade máxima dos presidentes por boas razões. Nomeadamente, porque, em última análise, ter esse factor em consideração lançar-nos-ia num trajecto semi-inquisitorial quanto aos comportamentos de risco dos candidatos. Se é lícito equacionar a idade, também é lícito equacionar o tabagismo, a alimentação, o comportamento sexual, etc., etc. Da mesma forma, se não faz sentido equacionar estes comportamentos, também não fará equacionar a idade como factor determinante do desempenho.
A outra objecção que levantam contra Soares é o facto de representar uma imagem do passado. Ora, com um pequeno esforço de memória recordamos que Soares saiu da vida política nacional precisamente ao mesmo tempo que Cavaco. Em rigor, até um pouco depois. Nenhum representa, nesse sentido, mais passado do que o outro. Aliás, em termos de actividade recente, menos relacionada com os interesses de uma eventual candidatura, Soares tem-se mostrado muito mais interventivo que Cavaco.
Neste esforço de querer dar por expirado o prazo de validade de Mário Soares, querem mesmo colar o espaço de acção do ex-presidente quase exclusivamente à revolução de Abril. Esta tentativa constitui uma dupla falácia. Nem o espaço de acção de Soares se esgotou na revolução ou nos seus episódios posteriores nem a sua actuação, nessas alturas, evidenciou qualquer extremismo político. De resto, qualquer simpatizante dos partidos à esquerda do PS não hesitará em tecer duras críticas a Soares e, até, em apelidá-lo de contra-revolucionário. O que sobressai das primeiras acusações é, mais uma vez, uma vontade mal disfarçada de querer dar por terminadas as conquistas políticas e sociais que a revolução trouxe. Pretende-se menosprezar o valor dos que, antes e depois de 1974, lutaram pela implantação da democracia, uma vez que esta não correspondeu, e provavelmente ainda não corresponde, aos seus anseios económicos ultra-liberais. Mas a realidade é bem diferente. As acções anti-fascistas que culminaram no 25 de Abril e na posterior instauração da democracia não se esgotaram nesses dias. Tudo o que agora somos a elas se deve. E, se alguma razão de queixa temos, é em relação aos tiques que nos sobraram de 48 anos de ditadura.
O último reparo que igualmente fazem a Soares é a sua provável actuação como Presidente. Imaginam-no demasiado interventivo, talvez mesmo um foco de instabilidade. É previsível que Soares não tenha muitas razões para os calculismos políticos que caracterizam a actuação de quem depende das reeleições. É sabido que possui ideias que o distanciam da corrente política de onde provém o governo de José Sócrates. Também é praticamente garantido que assumirá um papel mais activo que Sampaio. Mas daí a querer transformá-lo em foco de instabilidade vai um salto gigantesco. Muito mais distante esteve Soares dos governos de Cavaco, também com maioria absoluta, e não foi por isso que se registou qualquer instabilidade. Nem sequer se pode dizer que as relações institucionais tenham sido afectadas. Não se pode recusar a sapiência e o pragmatismo políticos que Soares possui, coisas que vêm com a experiência e com a argúcia. É difícil imaginar Soares a criar mais problemas a um governo PS do que a um governo PSD. Não é descabido que continue a operar nos bastidores políticos, como todos fazem, para defender os seus interesses, sobretudo dentro do PS. Contudo, não há que recear mais de Soares do que de qualquer outro político nestas condições, sob pena de se cair numa ingenuidade gritante.
Ao falarmos destas questões já nos estamos a aproximar de uma discussão política mais razoável. Deixamos o campo da geriatria amadora e da reacção contra Abril para passarmos a discutir princípios e expectativas de desempenho mais palpáveis. Quem não quer voltar a ver Mário Soares na presidência que critique o que há para criticar: que é muito de esquerda, que não é suficientemente de esquerda, que tem uma visão errada do direito internacional, etc. Criticá-lo porque tem mais de oitenta anos, lutou contra a ditadura e esteve ligado ao pós-25 de Abril, isso não.
visto no 'Viva Espanha'
Ainda sobre o terrorismo de Londres
Desculpe se o matei: foi sem querer...
Ao terror acéfalo dos bombistas, sucede-se a paranóia neurótica da polícia inglesa.
Estou convencido que aquilo que aconteceu com o cidadão brasileiro poderia ter acontecido com qualquer outro. Bastaria para tanto que, nas palavras da polícia inglesa, andasse de casaco grosso num dia de calor. Calor para os londrinos, claro, não para alguém habituado ao clima tropical. Seria talvez suficiente que uns tipos à paisana corressem aos berros atrás dele, para que se assustasse receando algum episódio de xenofobia.
Depois, receando que fosse um bombista suicida, alveja-se com oito tiros: não sou perito em bombas, mas tenho a impressão que disparar sobre um eventual bombista num local cheio de gente, não será grande receita.
Terá ainda, nos termos das explicações da polícia, saído de um bloco de apartamentos sob suspeita e vigilância. Então porque não o interpelaram logo à saída de casa?
Foi uma precipitação da polícia londrina, contrastante com a tão propalada fleuma.
Que estão submetidos a uma enorme pressão compreende-se, sobretudo quando descobrem que de muito pouco lhes serve o controle quase delirante que fazem nos aeroportos, dado que o perigo convive com eles. Quando concluem que uma câmara de vigilância em cada esquina não é suficiente para evitar ataques hediondos.
Não se compreende que atirem a matar sobre o primeiro indivíduo que lhes pareça suspeito.
Fica aqui um conjunto de recomendações para quem nos próximos tempos visitar Londres.
1º Se alguém vos berrar qualquer coisa, mesmo que não percebam o que diz, parem: vale mais ser assaltado, levar um enxerto de pancada de uns hooligans do que ser baleado.
2º Mesmo que tenham frio, não se esqueçam que para os londrinos o nosso Outono é Verão, por isso andem de T-shirt, camisa, etc. e, se não resistirem ao frio, candidatem-se a abrir falência deslocando-se num dos exorbitantemente caros táxis londrinos, mas de metro nunca com um casaco.
3º Uma boa solução para contornar todos estes problemas será pintarem-se de loiros ou disfarçarem-se de punks: ficarão então uns londrinos perfeitos. Se estiverem dispostos a apanhar uma bebedeira na noite de Picadilly, então o disfarce estará completo.
Se nada disto resultar, fiquem tranquilos que, depois de mortos, a polícia inglesa pede-vos desculpa. Pelo menos são bem educados: desculpe se o matei, sim?
visto 'Votem nas putas, que nos filhos não resultou'
Ao terror acéfalo dos bombistas, sucede-se a paranóia neurótica da polícia inglesa.
Estou convencido que aquilo que aconteceu com o cidadão brasileiro poderia ter acontecido com qualquer outro. Bastaria para tanto que, nas palavras da polícia inglesa, andasse de casaco grosso num dia de calor. Calor para os londrinos, claro, não para alguém habituado ao clima tropical. Seria talvez suficiente que uns tipos à paisana corressem aos berros atrás dele, para que se assustasse receando algum episódio de xenofobia.
Depois, receando que fosse um bombista suicida, alveja-se com oito tiros: não sou perito em bombas, mas tenho a impressão que disparar sobre um eventual bombista num local cheio de gente, não será grande receita.
Terá ainda, nos termos das explicações da polícia, saído de um bloco de apartamentos sob suspeita e vigilância. Então porque não o interpelaram logo à saída de casa?
Foi uma precipitação da polícia londrina, contrastante com a tão propalada fleuma.
Que estão submetidos a uma enorme pressão compreende-se, sobretudo quando descobrem que de muito pouco lhes serve o controle quase delirante que fazem nos aeroportos, dado que o perigo convive com eles. Quando concluem que uma câmara de vigilância em cada esquina não é suficiente para evitar ataques hediondos.
Não se compreende que atirem a matar sobre o primeiro indivíduo que lhes pareça suspeito.
Fica aqui um conjunto de recomendações para quem nos próximos tempos visitar Londres.
1º Se alguém vos berrar qualquer coisa, mesmo que não percebam o que diz, parem: vale mais ser assaltado, levar um enxerto de pancada de uns hooligans do que ser baleado.
2º Mesmo que tenham frio, não se esqueçam que para os londrinos o nosso Outono é Verão, por isso andem de T-shirt, camisa, etc. e, se não resistirem ao frio, candidatem-se a abrir falência deslocando-se num dos exorbitantemente caros táxis londrinos, mas de metro nunca com um casaco.
3º Uma boa solução para contornar todos estes problemas será pintarem-se de loiros ou disfarçarem-se de punks: ficarão então uns londrinos perfeitos. Se estiverem dispostos a apanhar uma bebedeira na noite de Picadilly, então o disfarce estará completo.
Se nada disto resultar, fiquem tranquilos que, depois de mortos, a polícia inglesa pede-vos desculpa. Pelo menos são bem educados: desculpe se o matei, sim?
visto 'Votem nas putas, que nos filhos não resultou'
Burroso
"Um espectáculo de terror político"
Artigo do "Financial Times" arrasa liderança de Durão Barroso na Comissão Europeia
27.07.2005 - 11h24 PUBLICO.PT
Um artigo publicado no jornal "Financial Times" acusa Durão Barroso de falta de liderança na presidência da Comissão Europeia. O jornal cita vários líderes europeus e até membros da equipa do ex-primeiro-ministro português, que pedem mais acção no desempenho do cargo.
De acordo com o artigo, assinado pelo jornalista George Parker, o presidente da Comissão Europeia foi instado pelo chanceler alemão, Gerhard Schroeder, a alterar a forma como está a conduzir o executivo comunitário, durante um encontro num hotel em Aachen.
Segundo uma fonte não identificada pelo jornal, Schroeder pediu a Barroso que "mostre capacidade de liderança" e que faça frente ao primeiro-ministro britânico enquanto este presidir à União Europeia, já que Tony Blair tem como objectivo "destroçar a Europa". Durão Barroso terá então respondido que não abrirá mão de trabalhar em conjunto com Tony Blair.
O "Financial Times" afirma que as críticas à liderança de Barroso partem também do Parlamento Europeu e do interior da sua própria equipa, que o descrevem como "uma figura remota" que "não conseguiu dominar a máquina de Bruxelas".
O comissário europeu do Comércio, o britânico Peter Mandelson, afirmou durante um discurso proferido na semana passada, em Bruxelas, que "neste Outono a Comissão terá de ser ousada".
Depois de classificar os 12 meses da presidência Barroso como "um espectáculo de terror político", o artigo do "Financial Times" descreve algumas das situações que considera mais demonstrativas da alegada falta de liderança do ex-primeiro-ministro português: a escolha do italiano Rocco Buttiglione para comissário da Justiça; as suas férias a bordo do iate do milionário grego Spiros Latsis; e a posição em relação ao resultado dos referendos sobre a Constituição europeia em França e na Holanda - o jornal diz mesmo que o Presidente francês, Jacques Chirac, aconselhou Barroso a não se manifestar publicamente sobre o referendo em França -.
Apesar das críticas, o "Financial Times" admite que o trabalho de Durão Barroso está mais dificultado pelo facto de ter sido o primeiro presidente eleito sem o total apoio de França e da Alemanha.
"Ele entende o seu papel de forma diferente da visão paternalista da Comissão Europeia no passado", afirma um dos membros da sua equipa que o "Financial Times" também não identifica. "Se ele consegue trabalhar com os nossos amigos britânicos, tanto melhor", considera a mesma fonte.
(Público on-line)
Artigo do "Financial Times" arrasa liderança de Durão Barroso na Comissão Europeia
27.07.2005 - 11h24 PUBLICO.PT
Um artigo publicado no jornal "Financial Times" acusa Durão Barroso de falta de liderança na presidência da Comissão Europeia. O jornal cita vários líderes europeus e até membros da equipa do ex-primeiro-ministro português, que pedem mais acção no desempenho do cargo.
De acordo com o artigo, assinado pelo jornalista George Parker, o presidente da Comissão Europeia foi instado pelo chanceler alemão, Gerhard Schroeder, a alterar a forma como está a conduzir o executivo comunitário, durante um encontro num hotel em Aachen.
Segundo uma fonte não identificada pelo jornal, Schroeder pediu a Barroso que "mostre capacidade de liderança" e que faça frente ao primeiro-ministro britânico enquanto este presidir à União Europeia, já que Tony Blair tem como objectivo "destroçar a Europa". Durão Barroso terá então respondido que não abrirá mão de trabalhar em conjunto com Tony Blair.
O "Financial Times" afirma que as críticas à liderança de Barroso partem também do Parlamento Europeu e do interior da sua própria equipa, que o descrevem como "uma figura remota" que "não conseguiu dominar a máquina de Bruxelas".
O comissário europeu do Comércio, o britânico Peter Mandelson, afirmou durante um discurso proferido na semana passada, em Bruxelas, que "neste Outono a Comissão terá de ser ousada".
Depois de classificar os 12 meses da presidência Barroso como "um espectáculo de terror político", o artigo do "Financial Times" descreve algumas das situações que considera mais demonstrativas da alegada falta de liderança do ex-primeiro-ministro português: a escolha do italiano Rocco Buttiglione para comissário da Justiça; as suas férias a bordo do iate do milionário grego Spiros Latsis; e a posição em relação ao resultado dos referendos sobre a Constituição europeia em França e na Holanda - o jornal diz mesmo que o Presidente francês, Jacques Chirac, aconselhou Barroso a não se manifestar publicamente sobre o referendo em França -.
Apesar das críticas, o "Financial Times" admite que o trabalho de Durão Barroso está mais dificultado pelo facto de ter sido o primeiro presidente eleito sem o total apoio de França e da Alemanha.
"Ele entende o seu papel de forma diferente da visão paternalista da Comissão Europeia no passado", afirma um dos membros da sua equipa que o "Financial Times" também não identifica. "Se ele consegue trabalhar com os nossos amigos britânicos, tanto melhor", considera a mesma fonte.
(Público on-line)
segunda-feira, julho 25, 2005
Praga, Florença, Paris...
A colecção O Escritor e a Cidade (publicado originalmente na inglesa Bloomsbury) tem um conceito simples convidar um autor conhecido para redigir um livrinho sobre uma cidade da sua predilecção: a cidade em que vive, geralmente, mas também outra que conheça e ame. Não são roteiros de viagem: são percursos pessoais pelos espaços e pelos tempos destas capitais do mundo, nos quais encontramos sobretudo os temas e obsessão de cada escritor. Já foram publicados em tradução portuguesa Paris, os Passeios de um Flâneur (Edmund White), Florença, um Caso Delicado (David Leavitt) e agora Imagens de Praga (John Bainville). E também há um Rio de Janeiro , pelo brasileiro Ruy Castro, biógrafo de Garrincha e Nelson Rodrigues. O irlandês Bainville, que nasceu em 1945 e publicou, entre outros, O Livro da Confissão (1989), traça um retrato da mais bela cidade da Europa Central, com a sua história acidentada, de Rodolfo II a Havel, e os seus magníficos escritores, como Kafka, Seifert ou Kundera. E junta algumas impressões ou memórias pessoais "Quando era mais novo, pensava que para conhecermos genuinamente um lugar tínhamos de nos apaixonar lá. Quantas cidades pareceram estender-se diante de mim nos contornos do corpo da amada. Solipsismo. Há tantas Pragas quantos olhos para a olharem - mais: uma infinidade de Pragas. Confuso e subitamente sorumbático, retomo o caminho para o hotel. A geada transformou o meu rosto em vidro."
Não conheço o Rio. No meu top, entre as cidades mencionadas estão, em primeiro lugar Praga, depois Florença, e só depois Paris.
Não conheço o Rio. No meu top, entre as cidades mencionadas estão, em primeiro lugar Praga, depois Florença, e só depois Paris.
Pois...
A OTA E O RAMALZINHO
Sou dos que consideram precipitado o projecto do novo aeroporto da OTA porque ainda ninguém me convenceu da bondade da decisão. A entrevista que o ministro das Obras Públicas deu ontem ao Expresso, um amontoado de lugares-comuns, revela o grau de leviandade da coisa. Perguntado sobre a ligação do futuro aeroporto a Lisboa, Mário Lino respondeu: «A linha do Norte está quadruplicada até Alverca. Há que prolongá-la até ao nó de Vila Franca de Xira — que já está nos planos, não é feito agora por causa da OTA — e depois é fazer um ramalzinho de poucos quilómetros para ir para lá. Fica uma linha dedicada com um vaivém de quinze em quinze minutos, vai para lá e vem para cá, não tem problema nenhum. E existe a A1, a A8, o IC21...» Portanto, um ramalzinho. A gente lê e pasma. Afinal, nos três mil milhões de euros previstos para o novo complexo aeroportuário, dos quais 650 milhões só para estudos de engenharia, expropriações e preparação de terrenos, não está incluído o custo de uma nova e indispensável auto-estrada, ficando a ligação ferroviária por conta do tal ramalzinho para Vila Franca de Xira. Só por anedota. O ministro tem um currículo heterodoxo: depois da licenciatura no Instituto Superior Técnico, foi para a Universidade do Colorado (USA), aí obtendo o grau de mestre em Hidrologia e Recursos Hídricos; foi presidente do conselho de administração das editoras Caminho e Avante; leccionou engenharia sanitária na Universidade Eduardo Mondlane (Maputo) e, até 2002, ocupou o cargo de presidente do grupo Águas de Portugal. Sem esgotar a folha de serviços, técnicos e políticos, isto dá a medida da versatilidade. Nada contra. Entendo que um ministro é um decisor político, responsável por um gabinete que se presume tecnicamente qualificado, interagindo directamente com os directores-gerais do «seu» ministério. Ninguém exige dele que domine o vasto mundo da aviação comercial. Porém, tendo a obrigação de defender politicamente essa opção, terá de fazê-lo com argumentos técnicos irrefutáveis. Quando vemos que considera exequível ligar Lisboa ao novo aeroporto através das actuais ligações rodoviárias, percebemos até que ponto está desfasado da realidade. Ir pela A1 ou pela A8...? Eu não sei como vai ser em 2015, mas sei que já hoje, entre Lisboa e o Carregado, extensa área que abrange Alverca e Vila Franca de Xira, a A1 tem uma densidade de tráfego próxima da saturação. Certo, estas coisas não se vêem lá de cima (do gabinete e do avião), mas, se Mário Lino não vê, os seus assessores têm de ver. A simples ideia de um ramalzinho para o tal vaivém entre o aeroporto e Vila Franca de Xira, com o ser esdrúxula, suscita um problema: uma vez «despejados», os passageiros fazem o quê? Esperam pelo comboio que vem do Porto? Não é preciso ser especialista para perceber que «a OTA», já hoje, mas daqui a dez anos por maioria de razão, obriga a uma nova auto-estrada (com um valor de portagem que seja dissuasor da sua eventual utilização como itinerário alternativo), e um ramal ferroviário directo, não obrigatoriamente TGV, mas necessariamente de alta velocidade. É preciso saber se os três mil milhões de euros vão ser enterrados no meio de nenhures, ou se «a OTA» vai ser, de facto, o aeroporto «de Lisboa». Mais depressa o aeroporto de Badajoz, em ritmo acelerado de expansão, servirá de placa giratória... Todos sabemos que a discussão em torno da OTA começou nos anos 1960, tendo sido considerada «estabilizada» em 1973. O dossiê ficou em stand by por causa do 25 de Abril, até que Guterres o colocou de novo em agenda. Desaparecido Guterres, o PSD e Durão Barroso caucionaram (com ligeira dilação de prazo) o projecto, Santana idem, e agora outra vez o PS, por decisão de Sócrates, com nova prorrogação. Consenso alargado, portanto. A esse respeito, o discurso farisaico do PPD-PSD e do CDS-PP é um triste sintoma dos nossos hábitos políticos. Uma coisa é exigir a divulgação dos estudos de oportunidade, viabilização e eficácia, porque obras de tal monta não se fazem à revelia da sociedade, outra bem diferente bancar a virgem surpreendida com o elefante branco. Construir um grande aeroporto internacional, ou, nas palavras do ministro, «uma plataforma de grande mobilidade», implica cativar investimento privado para actividades económicas associadas a tais estruturas: hotéis (a Portela prescinde deles porque há oferta variada e de qualidade a 10 minutos de carro); agências de viagem e rent-a-car; comércio de todo o tipo, com e sem taxas; cafés, bares e restaurantes; health clubs; táxis de gama alta; autocarros rápidos; terminal rodoviário; «aldeia» para equipas de turno; uma clínica bem equipada (a Portela nem de uma farmácia dispõe...), capela para serviços religiosos; etc. O que é que vai ser feito para colocar «a OTA» na rota das companhias de longo curso? E com que argumentos? É que a partir da Portela não é possível fazer voos directos para inúmeros destinos: Japão, China, Hong Kong, Havaí, Nova-Zelândia, Austrália, Tailândia, Indonésia, Índia, Paquistão, Turquia, Egipto, Quénia, Madagáscar, Grécia, Finlândia, México, Chile, Argentina, Canárias, Gibraltar, Mónaco, Córsega, Sicília, Malta, etc. (estou a falar de voos regulares; os charters de Verão não contam). A única cidade dos Estados Unidos com voo directo a partir da Portela é Nova Iorque. As conexões para Chicago, São Francisco, L.A., Miami, etc., são feitas a partir de NY. Para o resto do mundo vai-se forçosamente através de Londres, Frankfurt, Amesterdão, Paris, Madrid e, quem diria?, Palma de Maiorca. A Portela é um anacronismo. Deve atingir este ano os 11 milhões de passageiros, plafond irrelevante em termos europeus, se pensarmos que Málaga, que tem uma área metropolitana equivalente à do Porto, atingiu 15 milhões o ano passado. Madrid vai nos 40 milhões. A Portela, nas actuais condições, aguenta mais três ou quatro anos. Para aguentar mais dez necessita de 450 milhões de euros de investimento. Nunca deixará de ser um aeroporto paroquial: porque está entalado na cidade, porque a procura é residual. A defesa de um novo aeroporto, um aeroporto a sério, é sedutora. Resta saber em que termos. Por exemplo, não vale agitar o espantalho dos novos Airbus A380, com capacidade para mais de 600 passageiros, os quais, pela logística inerente à sua envergadura, e óbvias razões de mercado, vão, a partir de 2006, servir quatro, e para já apenas quatro, cidades europeias: Londres (Heathrow), Amesterdão (Schiphol), Paris (Charles de Gaulle) e Frankfurt, embora a cidade alemã esteja dependente de uma pista adicional cuja construção foi embargada pelos tribunais. Ou seja, aeroportos com tráfego anual superior a 100 milhões de passageiros. Madrid quer entrar no lote com o argumento dos fluxos para a América latina, mas se calhar quem leva a palma é Palma de Maiorca, cujo volume de tráfego é superior ao de Paris. Isto para dizer que o argumento do A380 não colhe. É preciso divulgar estas coisas para percebermos do que falamos quando falamos de «uma plataforma de grande mobilidade». Era bom que os especialistas viessem explicar. Quando o governo diz que o Estado «apenas» comparticipa com 30% dos custos, está a dizer o quê? São 30% de três mil milhões de euros? Nesse caso, seriam 900 milhões de euros. Mas não deve ser exactamente assim, pois só para estudos de engenharia, expropriações e preparação de terrenos, são necessários 650 milhões de euros. E os privados não vão estudar e preparar terrenos, nem fazer expropriações. Os privados, na melhor das hipóteses, vão contruir, e depois gerir a estrutura aeroportuária e actividades correlatas. Portanto, é de prever que os 30% do Estado sejam sobre os 2,350 mil milhões de euros remanescentes, o que dá a módica quantia de 705 milhões de euros. Assim sendo, a factura final corresponderia a 1,605 mil milhões de euros: 650+705 milhões de euros. Isto, claro, mantendo as actuais acessibilidades (sonho de uma noite de Verão). O facto, é que ainda ninguém contabilizou o custo de uma nova auto-estrada e de um ramal ferroviário directo. Para quê? Um ramalzinho não é mesmo uma graça?
posted by Eduardo Pitta em 'da literatura'
Sou dos que consideram precipitado o projecto do novo aeroporto da OTA porque ainda ninguém me convenceu da bondade da decisão. A entrevista que o ministro das Obras Públicas deu ontem ao Expresso, um amontoado de lugares-comuns, revela o grau de leviandade da coisa. Perguntado sobre a ligação do futuro aeroporto a Lisboa, Mário Lino respondeu: «A linha do Norte está quadruplicada até Alverca. Há que prolongá-la até ao nó de Vila Franca de Xira — que já está nos planos, não é feito agora por causa da OTA — e depois é fazer um ramalzinho de poucos quilómetros para ir para lá. Fica uma linha dedicada com um vaivém de quinze em quinze minutos, vai para lá e vem para cá, não tem problema nenhum. E existe a A1, a A8, o IC21...» Portanto, um ramalzinho. A gente lê e pasma. Afinal, nos três mil milhões de euros previstos para o novo complexo aeroportuário, dos quais 650 milhões só para estudos de engenharia, expropriações e preparação de terrenos, não está incluído o custo de uma nova e indispensável auto-estrada, ficando a ligação ferroviária por conta do tal ramalzinho para Vila Franca de Xira. Só por anedota. O ministro tem um currículo heterodoxo: depois da licenciatura no Instituto Superior Técnico, foi para a Universidade do Colorado (USA), aí obtendo o grau de mestre em Hidrologia e Recursos Hídricos; foi presidente do conselho de administração das editoras Caminho e Avante; leccionou engenharia sanitária na Universidade Eduardo Mondlane (Maputo) e, até 2002, ocupou o cargo de presidente do grupo Águas de Portugal. Sem esgotar a folha de serviços, técnicos e políticos, isto dá a medida da versatilidade. Nada contra. Entendo que um ministro é um decisor político, responsável por um gabinete que se presume tecnicamente qualificado, interagindo directamente com os directores-gerais do «seu» ministério. Ninguém exige dele que domine o vasto mundo da aviação comercial. Porém, tendo a obrigação de defender politicamente essa opção, terá de fazê-lo com argumentos técnicos irrefutáveis. Quando vemos que considera exequível ligar Lisboa ao novo aeroporto através das actuais ligações rodoviárias, percebemos até que ponto está desfasado da realidade. Ir pela A1 ou pela A8...? Eu não sei como vai ser em 2015, mas sei que já hoje, entre Lisboa e o Carregado, extensa área que abrange Alverca e Vila Franca de Xira, a A1 tem uma densidade de tráfego próxima da saturação. Certo, estas coisas não se vêem lá de cima (do gabinete e do avião), mas, se Mário Lino não vê, os seus assessores têm de ver. A simples ideia de um ramalzinho para o tal vaivém entre o aeroporto e Vila Franca de Xira, com o ser esdrúxula, suscita um problema: uma vez «despejados», os passageiros fazem o quê? Esperam pelo comboio que vem do Porto? Não é preciso ser especialista para perceber que «a OTA», já hoje, mas daqui a dez anos por maioria de razão, obriga a uma nova auto-estrada (com um valor de portagem que seja dissuasor da sua eventual utilização como itinerário alternativo), e um ramal ferroviário directo, não obrigatoriamente TGV, mas necessariamente de alta velocidade. É preciso saber se os três mil milhões de euros vão ser enterrados no meio de nenhures, ou se «a OTA» vai ser, de facto, o aeroporto «de Lisboa». Mais depressa o aeroporto de Badajoz, em ritmo acelerado de expansão, servirá de placa giratória... Todos sabemos que a discussão em torno da OTA começou nos anos 1960, tendo sido considerada «estabilizada» em 1973. O dossiê ficou em stand by por causa do 25 de Abril, até que Guterres o colocou de novo em agenda. Desaparecido Guterres, o PSD e Durão Barroso caucionaram (com ligeira dilação de prazo) o projecto, Santana idem, e agora outra vez o PS, por decisão de Sócrates, com nova prorrogação. Consenso alargado, portanto. A esse respeito, o discurso farisaico do PPD-PSD e do CDS-PP é um triste sintoma dos nossos hábitos políticos. Uma coisa é exigir a divulgação dos estudos de oportunidade, viabilização e eficácia, porque obras de tal monta não se fazem à revelia da sociedade, outra bem diferente bancar a virgem surpreendida com o elefante branco. Construir um grande aeroporto internacional, ou, nas palavras do ministro, «uma plataforma de grande mobilidade», implica cativar investimento privado para actividades económicas associadas a tais estruturas: hotéis (a Portela prescinde deles porque há oferta variada e de qualidade a 10 minutos de carro); agências de viagem e rent-a-car; comércio de todo o tipo, com e sem taxas; cafés, bares e restaurantes; health clubs; táxis de gama alta; autocarros rápidos; terminal rodoviário; «aldeia» para equipas de turno; uma clínica bem equipada (a Portela nem de uma farmácia dispõe...), capela para serviços religiosos; etc. O que é que vai ser feito para colocar «a OTA» na rota das companhias de longo curso? E com que argumentos? É que a partir da Portela não é possível fazer voos directos para inúmeros destinos: Japão, China, Hong Kong, Havaí, Nova-Zelândia, Austrália, Tailândia, Indonésia, Índia, Paquistão, Turquia, Egipto, Quénia, Madagáscar, Grécia, Finlândia, México, Chile, Argentina, Canárias, Gibraltar, Mónaco, Córsega, Sicília, Malta, etc. (estou a falar de voos regulares; os charters de Verão não contam). A única cidade dos Estados Unidos com voo directo a partir da Portela é Nova Iorque. As conexões para Chicago, São Francisco, L.A., Miami, etc., são feitas a partir de NY. Para o resto do mundo vai-se forçosamente através de Londres, Frankfurt, Amesterdão, Paris, Madrid e, quem diria?, Palma de Maiorca. A Portela é um anacronismo. Deve atingir este ano os 11 milhões de passageiros, plafond irrelevante em termos europeus, se pensarmos que Málaga, que tem uma área metropolitana equivalente à do Porto, atingiu 15 milhões o ano passado. Madrid vai nos 40 milhões. A Portela, nas actuais condições, aguenta mais três ou quatro anos. Para aguentar mais dez necessita de 450 milhões de euros de investimento. Nunca deixará de ser um aeroporto paroquial: porque está entalado na cidade, porque a procura é residual. A defesa de um novo aeroporto, um aeroporto a sério, é sedutora. Resta saber em que termos. Por exemplo, não vale agitar o espantalho dos novos Airbus A380, com capacidade para mais de 600 passageiros, os quais, pela logística inerente à sua envergadura, e óbvias razões de mercado, vão, a partir de 2006, servir quatro, e para já apenas quatro, cidades europeias: Londres (Heathrow), Amesterdão (Schiphol), Paris (Charles de Gaulle) e Frankfurt, embora a cidade alemã esteja dependente de uma pista adicional cuja construção foi embargada pelos tribunais. Ou seja, aeroportos com tráfego anual superior a 100 milhões de passageiros. Madrid quer entrar no lote com o argumento dos fluxos para a América latina, mas se calhar quem leva a palma é Palma de Maiorca, cujo volume de tráfego é superior ao de Paris. Isto para dizer que o argumento do A380 não colhe. É preciso divulgar estas coisas para percebermos do que falamos quando falamos de «uma plataforma de grande mobilidade». Era bom que os especialistas viessem explicar. Quando o governo diz que o Estado «apenas» comparticipa com 30% dos custos, está a dizer o quê? São 30% de três mil milhões de euros? Nesse caso, seriam 900 milhões de euros. Mas não deve ser exactamente assim, pois só para estudos de engenharia, expropriações e preparação de terrenos, são necessários 650 milhões de euros. E os privados não vão estudar e preparar terrenos, nem fazer expropriações. Os privados, na melhor das hipóteses, vão contruir, e depois gerir a estrutura aeroportuária e actividades correlatas. Portanto, é de prever que os 30% do Estado sejam sobre os 2,350 mil milhões de euros remanescentes, o que dá a módica quantia de 705 milhões de euros. Assim sendo, a factura final corresponderia a 1,605 mil milhões de euros: 650+705 milhões de euros. Isto, claro, mantendo as actuais acessibilidades (sonho de uma noite de Verão). O facto, é que ainda ninguém contabilizou o custo de uma nova auto-estrada e de um ramal ferroviário directo. Para quê? Um ramalzinho não é mesmo uma graça?
posted by Eduardo Pitta em 'da literatura'
domingo, julho 24, 2005
História Natural
“O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso”
Álvaro de Campos
'Após a expansão quinhentista e um pouco à semelhança de outras nações europeias com tradições igualmente expansionistas, foram reunidas em Portugal vastas colecções de história natural (minerais, fósseis, plantas, animais) que constituem um património riquíssimo e único. Acima de tudo, fazem parte da nossa memória colectiva. O mesmo se passa com as colecções actuais, que mesmo antes de fazerem parte da história, nos fornecem informações preciosas sobre o que ainda temos e o que podemos fazer para continuarmos a tê-lo.
Em Portugal, as colecções de história natural alojam-se tradicionalmente em museus associados a instituições universitárias onde são ministrados cursos ligados às ciências naturais. De facto, nunca existiu um verdadeiro museu nacional de história natural (embora exista um com esse nome que depende da Universidade de Lisboa), independente destas instituições e com uma missão própria, como acontece na maioria dos países europeus.
O desinvestimento nestas áreas tem sido tal, que muitas das colecções estão em grave risco de perda total, por total falta de manutenção e por falta de preparação dos decisores directos no que respeita às medidas a tomar. Situações anedóticas de exemplares deitados para o lixo, ou literalmente comidos pela traça são infelizmente frequentes.
Numa época em que as questões relativas à biodiversidade começam a ter um tratamento sério e a ser alvo de uma preocupação real incluída nas políticas europeias, julgo estarmos por cá em franca regressão. Acredito que só com uma redefinição de políticas concretas de âmbito nacional, seja possível pôr termo a esta sangria desenfreada a que passivamente assistimos.
Se é verdade que com a democratização das novas tecnologias, o conceito tradicional de museu, no que à parte de exposições públicas diz respeito, necessita de uma reavaliação, muitos passos já foram dados nesse sentido um pouco por toda a parte. Neste campo não é necessário ser inovador. Apenas imitar os melhores. Eles certamente não se importarão. Os museus de história natural de Londres, Nova Iorque ou Madrid não deixaram de ter visitantes… Ao mesmo tempo, estas instituições são o albergo de muitas sociedades científicas, que reúnem um manancial humano de conhecimento demasiado precioso para ser desprezado.
Em muitos países europeus, os museus de história natural estão ligados a uma instituição estatal de investigação (por exemplo o CNRS em França, o CNR em Itália, ou o CSIC em Espanha). Creio que o que mais se assemelha a tal organismo em Portugal é a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, embora com muito menos valências. No quadro orgânico que conheço, penso que a solução para o problema passa pela criação de uma rede de museus de história natural que por si só adquira o estatuto de laboratório associado, sendo para isso definidas as competências e as valências de cada unidade. Só deste modo é que programas internacionais como a “GBIF - Sistema de informação da Biodiversidade Global” ou a “Iniciativa Global sobre Taxonomía” promovida pela Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas, terão no nosso país um interlocutor forte e abrangente, podendo tirar proveito dos projectos que surgem.
Está também por fazer um levantamento rigoroso de todas as instituições públicas e privadas que reúnem um espólio de história natural merecedor de atenção especial. Sem isso, será muito difícil definir as principais linhas de actuação com vista à preservação do património encontrado.
Cuidar das colecções de história natural é cuidar da nossa memória colectiva. Se não nos passa pela cabeça deixar ao abandono os escritos de Fernão Lopes, a Custódia de Belém, ou a Bíblia dos Jerónimos, por que razão é que permitimos que isso se passe com as colecções de história natural?'
(Gonçalo Calado no 'Conta-Natura')



(Fotos de Franclim Ferreira)
O que há é pouca gente para dar por isso”
Álvaro de Campos
'Após a expansão quinhentista e um pouco à semelhança de outras nações europeias com tradições igualmente expansionistas, foram reunidas em Portugal vastas colecções de história natural (minerais, fósseis, plantas, animais) que constituem um património riquíssimo e único. Acima de tudo, fazem parte da nossa memória colectiva. O mesmo se passa com as colecções actuais, que mesmo antes de fazerem parte da história, nos fornecem informações preciosas sobre o que ainda temos e o que podemos fazer para continuarmos a tê-lo.
Em Portugal, as colecções de história natural alojam-se tradicionalmente em museus associados a instituições universitárias onde são ministrados cursos ligados às ciências naturais. De facto, nunca existiu um verdadeiro museu nacional de história natural (embora exista um com esse nome que depende da Universidade de Lisboa), independente destas instituições e com uma missão própria, como acontece na maioria dos países europeus.
O desinvestimento nestas áreas tem sido tal, que muitas das colecções estão em grave risco de perda total, por total falta de manutenção e por falta de preparação dos decisores directos no que respeita às medidas a tomar. Situações anedóticas de exemplares deitados para o lixo, ou literalmente comidos pela traça são infelizmente frequentes.
Numa época em que as questões relativas à biodiversidade começam a ter um tratamento sério e a ser alvo de uma preocupação real incluída nas políticas europeias, julgo estarmos por cá em franca regressão. Acredito que só com uma redefinição de políticas concretas de âmbito nacional, seja possível pôr termo a esta sangria desenfreada a que passivamente assistimos.
Se é verdade que com a democratização das novas tecnologias, o conceito tradicional de museu, no que à parte de exposições públicas diz respeito, necessita de uma reavaliação, muitos passos já foram dados nesse sentido um pouco por toda a parte. Neste campo não é necessário ser inovador. Apenas imitar os melhores. Eles certamente não se importarão. Os museus de história natural de Londres, Nova Iorque ou Madrid não deixaram de ter visitantes… Ao mesmo tempo, estas instituições são o albergo de muitas sociedades científicas, que reúnem um manancial humano de conhecimento demasiado precioso para ser desprezado.
Em muitos países europeus, os museus de história natural estão ligados a uma instituição estatal de investigação (por exemplo o CNRS em França, o CNR em Itália, ou o CSIC em Espanha). Creio que o que mais se assemelha a tal organismo em Portugal é a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, embora com muito menos valências. No quadro orgânico que conheço, penso que a solução para o problema passa pela criação de uma rede de museus de história natural que por si só adquira o estatuto de laboratório associado, sendo para isso definidas as competências e as valências de cada unidade. Só deste modo é que programas internacionais como a “GBIF - Sistema de informação da Biodiversidade Global” ou a “Iniciativa Global sobre Taxonomía” promovida pela Convenção da Diversidade Biológica das Nações Unidas, terão no nosso país um interlocutor forte e abrangente, podendo tirar proveito dos projectos que surgem.
Está também por fazer um levantamento rigoroso de todas as instituições públicas e privadas que reúnem um espólio de história natural merecedor de atenção especial. Sem isso, será muito difícil definir as principais linhas de actuação com vista à preservação do património encontrado.
Cuidar das colecções de história natural é cuidar da nossa memória colectiva. Se não nos passa pela cabeça deixar ao abandono os escritos de Fernão Lopes, a Custódia de Belém, ou a Bíblia dos Jerónimos, por que razão é que permitimos que isso se passe com as colecções de história natural?'
(Gonçalo Calado no 'Conta-Natura')
(Fotos de Franclim Ferreira)
Terror
(ontem) um "presumível" bombista suicida foi abatido pela polícia britânica. Na estação de Stockwell os passageiros foram evacuados e o pânico instalou-se. O presumível terrorista será agora investigado (depois de devidamente batido) para a polícia "provar" por A mais B que o homem que transportava um embrulho suspeito era, de facto, um suicida que transportava uma bomba e assim possam dormir descansados e em paz com as suas consciências.
O pânico instalou-se em Londres, qualquer individuo que entre numa qualquer estação de metro ou autocarro empunhando um "package" que seja considerado suspeito é um alvo a abater. Se for muçulmano, usar barba, tez mais morena e, que por azar tenha ido ao sapateiro buscar os sapatos que na véspera tinha posto a arranjar, o melhor é deslocar-se a pé.
A polícia em Londres já não pergunta, executa. Este é o mundo em que vivemos.
Primeiro abate-se depois pergunta-se, as justificações virão a seguir, ninguém pense que um alvo abatido será alguma vez considerado inocente, nem a verdade reposta.O sr. Bush e o sr. Tony Blair sabem que assim é.
visto n'A outra face do espelho'
O pânico instalou-se em Londres, qualquer individuo que entre numa qualquer estação de metro ou autocarro empunhando um "package" que seja considerado suspeito é um alvo a abater. Se for muçulmano, usar barba, tez mais morena e, que por azar tenha ido ao sapateiro buscar os sapatos que na véspera tinha posto a arranjar, o melhor é deslocar-se a pé.
A polícia em Londres já não pergunta, executa. Este é o mundo em que vivemos.
Primeiro abate-se depois pergunta-se, as justificações virão a seguir, ninguém pense que um alvo abatido será alguma vez considerado inocente, nem a verdade reposta.O sr. Bush e o sr. Tony Blair sabem que assim é.
visto n'A outra face do espelho'
Bons ventos de Espanha
Um magnífico artigo do escritor Mário Vargas Llosa, no DNA sobre os casamentos gay em Espanha. Tão bom que merece destaques.
"Esta medida é um acto de justiça, que reconhece o direito dos cidadãos a escolher a sua opção sexual no exercício da sua soberania, sem serem discriminados por isso, e que reconhece aos casais homossexuais o mesmo direito de se unirem e constituírem família e terem descendência que as leis reconhecem aos casais heterosexuais"
"Todas as sondagens são inequívocas: quase dois terços dos espanhóis aprovam o casamento gay,e, apesar desta aprovação diminuir um pouco na adopção de crianças pelos casais homossexuais, também este aspecto é validado por uma maioria.Bom indício que a democracia criou raízes em Espanha e de que, por mais injuriada que seja da boca para fora, a cultura liberal vai impregnando pouco a pouco a sociedade espanhola"
"Um preconceito idêntico (ao dos casamentos) sustenta que as crianças adoptadas por casais homossexuais sofrerão e terão uma formação deficiente e anómala, já que uma criança para ser "normal" necessita de um pai e uma mãe, não de dois pais e duas mães. A esta afirmação dogmática e sem o menor sustento psicológico respondeu Edurne Uriarte da melhor forma possível: uma criança necessita é de amor e não de abstracção".
visto na 'Grande Loja dos Trezentos'

(Angie Buckley)
"Esta medida é um acto de justiça, que reconhece o direito dos cidadãos a escolher a sua opção sexual no exercício da sua soberania, sem serem discriminados por isso, e que reconhece aos casais homossexuais o mesmo direito de se unirem e constituírem família e terem descendência que as leis reconhecem aos casais heterosexuais"
"Todas as sondagens são inequívocas: quase dois terços dos espanhóis aprovam o casamento gay,e, apesar desta aprovação diminuir um pouco na adopção de crianças pelos casais homossexuais, também este aspecto é validado por uma maioria.Bom indício que a democracia criou raízes em Espanha e de que, por mais injuriada que seja da boca para fora, a cultura liberal vai impregnando pouco a pouco a sociedade espanhola"
"Um preconceito idêntico (ao dos casamentos) sustenta que as crianças adoptadas por casais homossexuais sofrerão e terão uma formação deficiente e anómala, já que uma criança para ser "normal" necessita de um pai e uma mãe, não de dois pais e duas mães. A esta afirmação dogmática e sem o menor sustento psicológico respondeu Edurne Uriarte da melhor forma possível: uma criança necessita é de amor e não de abstracção".
visto na 'Grande Loja dos Trezentos'

(Angie Buckley)
sábado, julho 23, 2005
Carlos Paredes
Faz hoje precisamente um ano que Carlos Paredes fechou os olhos pela última vez. Tinha 79 anos, a maior parte deles passados com o corpo curvado sobre a guitarra portuguesa, da qual foi o seu executante maior.
Entretanto, anteontem, numa sucursal do Millenium BCP na Rua do Ouro, em Lisboa, foi inaugurada a exposição "Arte para Carlos Paredes".
Trata-se de mais uma homenagem ao guitarrista. E exibe obras de 11 conceituados artistas contemporâneos. A saber Júlio Pomar, Álvaro Lapa, Ana Hatherly, Ângelo de Sousa, João Abel Manta, Pedro Cabrita Reis, Pedro Proença, Rogério Ribeiro, Rui Sanches, Sara Maia e Miguel Palma. A exposição está patente até ao dia 4 de Agosto, podendo ser visitada entre as 8.30 e as 15.30 horas.
Os eventuais interessados poderão, se assim o desejarem, comprar serigrafias das obras expostas.Em quantidade limitada a 10 unidades cada uma, o preço é unico - 500 euros.
Segundo o MilleniumBCP, uma percentagem do valor das vendas será revertida a favor do projecto Movimentos Perpétuos, de forma a promover os "recursos necessários para investigar e recolher material espalhado por várias instituições nacionais e estrangeiras, tratar informaticamente o seu espólio, permitir a construção de caixas expositoras com caracteríticas adequadas à conservação das suas guitarras e criar e manter um site".
"Este foi um ano em que houve uma certa tranquilidade nesse aspecto", disse, ao JN, ontem, Luísa Amaro, viúva do músico, referindo-se às homenagens de que tem sido alvo nos últimos anos.
Optando por não falar sobre a exposição porque ainda não pôde visitá-la, Luísa Amaro destacou e elogiou a recente inauguração do Auditório Municipal Carlos Paredes, em Vila Nova de Paiva, "um teatro muito bonito como nem sequer temos em Lisboa".
Mas ainda houve mais. Cidades como Coimbra e Tavira homenagearam o músico ao atribuir o seu nome a ruas, entre outras iniciativas. Para além disso, Luísa Amaro frisou ainda o facto de os alunos da Escola Secundária Carlos Paredes, em Santo António dos Cavaleiros, terem feito um hino dedicado ao maior guitarrista português de sempre "Um hino lindíssimo".
Com algum atraso relativamente à data prevista, está a edição de um DVD da autoria do realizador Edgar Pêra.
O artista que, em Fevereiro passado, participou num "Cine- concerto tributo a Carlos Paredes", ao lado de músicos como os Dead Combo, Tó Trips (antigo guitarista e vocalista da banda Lulu Blind), Nuno Rebelo, João Lima e Jean Marc-Dercle, está ainda a retocar os últimos pormenores da sua produção.
Entretanto, hoje, a partir das 22 horas, o Cine-Teatro de Alcobaça vai ser cenário de mais uma homenagem.
Trata-se d e um concerto intitulado «Tributo a Carlos Paredes», pelo quarteto de saxofones Artemsax, o trio de Artur Caldeira e Paulo Soares.
Ainda há bilhetes para o concerto ao preço único de 10 euros.

- Estudo para retrato de Carlos Paredes", de Júlio Pomar, é uma das obras que pode ser vista na exposição -
(JN online)
Entretanto, anteontem, numa sucursal do Millenium BCP na Rua do Ouro, em Lisboa, foi inaugurada a exposição "Arte para Carlos Paredes".
Trata-se de mais uma homenagem ao guitarrista. E exibe obras de 11 conceituados artistas contemporâneos. A saber Júlio Pomar, Álvaro Lapa, Ana Hatherly, Ângelo de Sousa, João Abel Manta, Pedro Cabrita Reis, Pedro Proença, Rogério Ribeiro, Rui Sanches, Sara Maia e Miguel Palma. A exposição está patente até ao dia 4 de Agosto, podendo ser visitada entre as 8.30 e as 15.30 horas.
Os eventuais interessados poderão, se assim o desejarem, comprar serigrafias das obras expostas.Em quantidade limitada a 10 unidades cada uma, o preço é unico - 500 euros.
Segundo o MilleniumBCP, uma percentagem do valor das vendas será revertida a favor do projecto Movimentos Perpétuos, de forma a promover os "recursos necessários para investigar e recolher material espalhado por várias instituições nacionais e estrangeiras, tratar informaticamente o seu espólio, permitir a construção de caixas expositoras com caracteríticas adequadas à conservação das suas guitarras e criar e manter um site".
"Este foi um ano em que houve uma certa tranquilidade nesse aspecto", disse, ao JN, ontem, Luísa Amaro, viúva do músico, referindo-se às homenagens de que tem sido alvo nos últimos anos.
Optando por não falar sobre a exposição porque ainda não pôde visitá-la, Luísa Amaro destacou e elogiou a recente inauguração do Auditório Municipal Carlos Paredes, em Vila Nova de Paiva, "um teatro muito bonito como nem sequer temos em Lisboa".
Mas ainda houve mais. Cidades como Coimbra e Tavira homenagearam o músico ao atribuir o seu nome a ruas, entre outras iniciativas. Para além disso, Luísa Amaro frisou ainda o facto de os alunos da Escola Secundária Carlos Paredes, em Santo António dos Cavaleiros, terem feito um hino dedicado ao maior guitarrista português de sempre "Um hino lindíssimo".
Com algum atraso relativamente à data prevista, está a edição de um DVD da autoria do realizador Edgar Pêra.
O artista que, em Fevereiro passado, participou num "Cine- concerto tributo a Carlos Paredes", ao lado de músicos como os Dead Combo, Tó Trips (antigo guitarista e vocalista da banda Lulu Blind), Nuno Rebelo, João Lima e Jean Marc-Dercle, está ainda a retocar os últimos pormenores da sua produção.
Entretanto, hoje, a partir das 22 horas, o Cine-Teatro de Alcobaça vai ser cenário de mais uma homenagem.
Trata-se d e um concerto intitulado «Tributo a Carlos Paredes», pelo quarteto de saxofones Artemsax, o trio de Artur Caldeira e Paulo Soares.
Ainda há bilhetes para o concerto ao preço único de 10 euros.
- Estudo para retrato de Carlos Paredes", de Júlio Pomar, é uma das obras que pode ser vista na exposição -
(JN online)
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado...
'A eleição presidencial é muito mais importante do que se imagina.
O regime semi-presidencialista, pelo andar da nação, se uma certa pessoa que penso ganhar as eleições, pode virar o regime e transformá-lo em presidencialista. Mesmo que do ponto de vista formal se mantenha o semi-presidencialismo, basta trabalhar no sentido de colocar no Governo quem mais favorece as pretensões de governar o país a partir de Belém.
Bastam dois passos. Primeiro, ganhar as presidenciais. Segundo, derrubar este Governo e convocar, lá para 2007, quando a credibilidade deste executivo estiver completamente nas ruas da amargura, eleições. Depois, é o regresso do modelo e dos rostos do passado.
Um Presidente que delineia e um Primeiro-Ministro que segue o indicado por Belém.
É uma década garantida. Belém ordena e São Bento acata e executa.
Como a Fazenda pública está, com a apologia que muitos fabricaram ao longo dos últimos anos de credibilizar a personalidade na área da Fazenda, que hoje parece intocável a sua sapiência em matéria de contas públicas, só falta uma onda de gente sair à rua e gritar pelo salvador da pátria. Pena que se esqueçam dos valores da época.
O regresso do passado está ao virar da esquina.'
Post de CMC no 'Tugir'
O regime semi-presidencialista, pelo andar da nação, se uma certa pessoa que penso ganhar as eleições, pode virar o regime e transformá-lo em presidencialista. Mesmo que do ponto de vista formal se mantenha o semi-presidencialismo, basta trabalhar no sentido de colocar no Governo quem mais favorece as pretensões de governar o país a partir de Belém.
Bastam dois passos. Primeiro, ganhar as presidenciais. Segundo, derrubar este Governo e convocar, lá para 2007, quando a credibilidade deste executivo estiver completamente nas ruas da amargura, eleições. Depois, é o regresso do modelo e dos rostos do passado.
Um Presidente que delineia e um Primeiro-Ministro que segue o indicado por Belém.
É uma década garantida. Belém ordena e São Bento acata e executa.
Como a Fazenda pública está, com a apologia que muitos fabricaram ao longo dos últimos anos de credibilizar a personalidade na área da Fazenda, que hoje parece intocável a sua sapiência em matéria de contas públicas, só falta uma onda de gente sair à rua e gritar pelo salvador da pátria. Pena que se esqueçam dos valores da época.
O regresso do passado está ao virar da esquina.'
Post de CMC no 'Tugir'
sexta-feira, julho 22, 2005
O fogo
Em Setembro esquecemos o fogo e o cheiro da terra queimada.
Em Outubro a chuva já levou a cinza.
Em Novembro apercebemo-nos de que já não encontramos a árvore onde escrevemos a canivete o nome do nosso primeiro amor.
Em Dezembro decoramos a sala com um pequeno pinheiro de plástico.
E então em Junho do ano seguinte os dias voltam a ser mais curtos e o fumo cobre-nos o corpo, entranha-se na roupa, tolhe-nos a visão.
in 'Na morte de Solvstag'

(Debbie Caffery)
Em Outubro a chuva já levou a cinza.
Em Novembro apercebemo-nos de que já não encontramos a árvore onde escrevemos a canivete o nome do nosso primeiro amor.
Em Dezembro decoramos a sala com um pequeno pinheiro de plástico.
E então em Junho do ano seguinte os dias voltam a ser mais curtos e o fumo cobre-nos o corpo, entranha-se na roupa, tolhe-nos a visão.
in 'Na morte de Solvstag'

(Debbie Caffery)
Relembrar
Greenpeace alerta
para degelo acelerado de glaciar na Gronelândia
Investigadores da Universidade do Maine, Estados Unidos, descobriram que o glaciar Kangerdlugssuag, na costa oriental da Gronelândia está a derreter-se a um ritmo mais rápido do que o esperado, alertou hoje a organização ecologista Greenpeace.
A Greenpeace lembrou que mais de 70 por cento da população mundial vive nas zonas costeiras e que onze das 15 maiores cidades situam-se na costa e nos estuários.
in lua.weblog.com.pt

(Ben Altman)
Investigadores da Universidade do Maine, Estados Unidos, descobriram que o glaciar Kangerdlugssuag, na costa oriental da Gronelândia está a derreter-se a um ritmo mais rápido do que o esperado, alertou hoje a organização ecologista Greenpeace.
A Greenpeace lembrou que mais de 70 por cento da população mundial vive nas zonas costeiras e que onze das 15 maiores cidades situam-se na costa e nos estuários.
in lua.weblog.com.pt

(Ben Altman)
quinta-feira, julho 21, 2005
Faço minhas estas palavras
«(...) A direita não pode perdoar ao Ministro dos Negócios Estrangeiros a sua participação num Governo PS; a esquerda não lhe perdoa nem o seu passado nem a sua independência presente.
Uma entrevista notável -- nomeadamente na parte que se refere à política externa -- é transformada num acto de traição ao Governo e de candidatura à Presidência. Mas basta ler a entrevista na sua integralidade para se perceber que nada disso tem qualquer fundamento. Solidariedade governamental: repetidamente afirmada; mesmo quando há laivos de crítica, Freitas do Amaral apresenta-se como co-responsável pelos eventuais erros cometidos -- que se relacionariam, aliás, mais com a estratégia de comunicação do que com o conteúdo das medidas difíceis adoptadas pelo executivo. Candidatura presidencial: Freitas do Amaral não exclui a hipótese de se candidatar (e porque deveria fazê-lo) mas afirma claramente que esse assunto não é prioritário para si. (...) Por outro lado, não há qualquer inibição no apoio às medidas impopulares tomadas pelo Governo que são consideradas necessárias, justas e equilibradas. Tudo foi feito «com muita ponderação, conta, peso e medida»...
(...) Freitas do Amaral é um homem que tem um currículo que envergonha a maior parte dos seus actuais críticos. Seria, para mim, um excelente Presidente da República (e eu não teria qualquer dúvida em votar nele), como será um excelente Ministro dos Negócios Estrangeiros. O que espanta é que este país prefira certas nulidades a pessoas com passado, cultura e inteligência. Isso é que é o sinal da (falta de) qualidade das nossas elites (...).»
José Pedro Pessoa e Costa - Correio dos leitores
no 'Causa Nossa'
Inserido por VM (Vital Moreira) 21.7.05
Até que enfim!
Confesso que me tenho fartado de ver/ouvir/ler tanto burburinho a propósito de nada.
Uma entrevista notável -- nomeadamente na parte que se refere à política externa -- é transformada num acto de traição ao Governo e de candidatura à Presidência. Mas basta ler a entrevista na sua integralidade para se perceber que nada disso tem qualquer fundamento. Solidariedade governamental: repetidamente afirmada; mesmo quando há laivos de crítica, Freitas do Amaral apresenta-se como co-responsável pelos eventuais erros cometidos -- que se relacionariam, aliás, mais com a estratégia de comunicação do que com o conteúdo das medidas difíceis adoptadas pelo executivo. Candidatura presidencial: Freitas do Amaral não exclui a hipótese de se candidatar (e porque deveria fazê-lo) mas afirma claramente que esse assunto não é prioritário para si. (...) Por outro lado, não há qualquer inibição no apoio às medidas impopulares tomadas pelo Governo que são consideradas necessárias, justas e equilibradas. Tudo foi feito «com muita ponderação, conta, peso e medida»...
(...) Freitas do Amaral é um homem que tem um currículo que envergonha a maior parte dos seus actuais críticos. Seria, para mim, um excelente Presidente da República (e eu não teria qualquer dúvida em votar nele), como será um excelente Ministro dos Negócios Estrangeiros. O que espanta é que este país prefira certas nulidades a pessoas com passado, cultura e inteligência. Isso é que é o sinal da (falta de) qualidade das nossas elites (...).»
José Pedro Pessoa e Costa - Correio dos leitores
no 'Causa Nossa'
Inserido por VM (Vital Moreira) 21.7.05
Até que enfim!
Confesso que me tenho fartado de ver/ouvir/ler tanto burburinho a propósito de nada.
America
'America is the only country that went from barbarism to decadence without civilization in between.'
(Oscar Wilde)
(Oscar Wilde)
Ignorância e tacanhez americana
Contestação ao Nobel de Egas Moniz nos EUA
Fundação Nobel diz não às exigências de alguns familiares de lobotomizados
Setenta anos depois de o primeiro Prémio Nobel português ter iniciado as suas investigações sobre psicocirurgia, reacende-se o debate sobre a prática da lobotomia. Familiares de pacientes que foram submetidos a lobotomias querem que o Nobel atribuído a Egas Moniz seja revogado. A fundação que atribui o prémio mais prestigiado do mundo já garantiu que isso "é impossível".
Para o neurologista e investigador português Alexandre Castro Caldas, que nos últimos 25 anos dirigiu o Centro de Estudos Egas Moniz, no Hospital de Santa Maria, a reivindicação desse grupo de familiares revela "uma grande ignorância científica". E explica "O prémio Nobel foi-lhe atribuído por um trabalho que abriu portas a um desenvolvimento científico e não pela prática clínica. Nos anos 30, a leucotomia representou um progresso enorme no conhecimento de funções cerebrais. Foi aí que se estabeleceu pela primeira vez uma relação directa entre a doença mental e a estrutura cerebral".
Egas Moniz começou a praticar a leucotomia pré-frontal em 1936, em Lisboa, em pacientes com problemas psiquiátricos graves. A operação consistia em realizar incisões em fibras nervosas que ligam o lobo frontal a outras regiões do cérebro e era praticada através de orifícios feitos no crânio.
Pioneiro da angiografia cerebral, e internacionalmente respeitado por isso, Egas Moniz participara em 1935 no II Congresso Internacional de Neurologia, em Londres, onde foram apresentados os trabalhos de James Watts e Carlyle Jacobson, da Universidade de Yale, sobre os resultados da destruição em laboratório dos lobos frontais de chimpanzés. A capacidade de aprendizagem dos animais ficava substancialmente reduzida e os seus estados emocionais alterados. Isso levou Egas Moniz a perguntar se a remoção do lobo frontal poderia evitar o desenvolvimento de neuroses experimentais em animais, eliminando os sintomas de frustração. "Não será viável diminuir os estados de ansiedade no homem por meios cirúrgicos?", questionou o neurologista português. A resposta de Watts de que isso seria "um passo formidável", levou-o a iniciar os estudos que conduziriam à leucotomia, assim que regressou a Lisboa. Em 1949 recebia o Nobel.
Ao saber das experiências realizadas em Portugal, o médico americano Walter Freeman apressou--se a divulgar o método nos Estados Unidos. A leucotomia, que foi depois designada por lobotomia, tornou-se ali muito popular e nos 40 anos seguintes foram feitas umas 50 mil lobotomias nos EUA.
Freeman fazia-as onde calhava. Primeiro no seu escritório, depois numa carrinha transformada, na qual percorria o país, o "lobotomobile". Watts, que inicialmente fez parelha com Freeman, afastou-se por não concordar com a rudeza dos instrumentos usados por aquele para fazer as aberturas nos crânios, por vezes com picões de gelo e maletes de borracha comprados na loja da esquina.
Em 10% das cirurgias os pacientes mostraram melhoras. Mas nos outros 90% os resultados foram mais ou menos desastrosos. Familiares de alguns desses casos de insucesso querem agora o que consideram ser a reposição da justiça. Como é tarde para compensações financeiras ou outras, lançaram um movimento para que seja retirado o Nobel a Egas Moniz.
Iniciado por Christine Johnson, cuja avó, Behula Jones, foi lobotomizada em 1954 e passou o resto da vida internada em estabelecimentos psiquiátricos, até morrer, em 1989, o movimento para tirar o prestigiado galardão a Egas Moniz ganho terreno.
Michael Sohl, o director-executivo da Fundação Nobel, já descartou completamente, no entanto, essa hipótese. "Não há qualquer possibilidade de o fazermos", garantiu publicamente. E sublinhou não se recordar de nenhum outro Nobel da Medicina que tenha sido contestado.
A Carta Nobel, por outro lado, não contém nenhuma cláusula que preveja a revogação de um prémio e a fundação ignora habitualmente as críticas, como aconteceu quando foi atribuído a Yasser Arafat o Nobel da Paz.
Depois disso, o movimento liderado por Johnson tentou que fosse retirado do site da Fundação Nobel o artigo em que Bengt Jansson faz o elogio do cientista português, e no qual explica que o português "iniciou e conseguiu entusiasmo para a importância da leucotomia pré-frontal no tratamento de algumas psicoses". Para concluir "De facto, não tenho dúvidas de que Moniz mereceu o Prémio Nobel".
Mas também a essa pretensão do grupo de familiares a fundação já respondeu com um rotundo não. Perante esta nova recusa, Johnson quer agora obter a adesão de outros galardoados com o Nobel à sua campanha. Aparentemente sem qualquer sucesso, também.
"A aplicação errada da técnica desenvolvida por Egas Moniz não lhe pode ser imputada", sublinha, por seu lado, Castro Caldas.
De outra maneira - ironia das ironias - Alfred Nobel, que por testamento deixou ao mundo o prémio com o seu nome, sairia beliscado pela sua própria invenção da dinamite.
Enquanto neurologista, Egas Moniz escreveu diversos livros , destacando-se Diagnóstico dos tumores cerebrais (1931), Angiografia cerebral (1934), Leucotomia prefrontal (1937) e Ao lado da Medicina (1940). Egas Moniz recebeu diversas condecorações. Faleceu seis anos depois de ter recebido o Nobel,a 13 de Dezembro de 1955.
(DN online)

(angiografia cerebral - foto do 'Barnabé')
Fundação Nobel diz não às exigências de alguns familiares de lobotomizados
Setenta anos depois de o primeiro Prémio Nobel português ter iniciado as suas investigações sobre psicocirurgia, reacende-se o debate sobre a prática da lobotomia. Familiares de pacientes que foram submetidos a lobotomias querem que o Nobel atribuído a Egas Moniz seja revogado. A fundação que atribui o prémio mais prestigiado do mundo já garantiu que isso "é impossível".
Para o neurologista e investigador português Alexandre Castro Caldas, que nos últimos 25 anos dirigiu o Centro de Estudos Egas Moniz, no Hospital de Santa Maria, a reivindicação desse grupo de familiares revela "uma grande ignorância científica". E explica "O prémio Nobel foi-lhe atribuído por um trabalho que abriu portas a um desenvolvimento científico e não pela prática clínica. Nos anos 30, a leucotomia representou um progresso enorme no conhecimento de funções cerebrais. Foi aí que se estabeleceu pela primeira vez uma relação directa entre a doença mental e a estrutura cerebral".
Egas Moniz começou a praticar a leucotomia pré-frontal em 1936, em Lisboa, em pacientes com problemas psiquiátricos graves. A operação consistia em realizar incisões em fibras nervosas que ligam o lobo frontal a outras regiões do cérebro e era praticada através de orifícios feitos no crânio.
Pioneiro da angiografia cerebral, e internacionalmente respeitado por isso, Egas Moniz participara em 1935 no II Congresso Internacional de Neurologia, em Londres, onde foram apresentados os trabalhos de James Watts e Carlyle Jacobson, da Universidade de Yale, sobre os resultados da destruição em laboratório dos lobos frontais de chimpanzés. A capacidade de aprendizagem dos animais ficava substancialmente reduzida e os seus estados emocionais alterados. Isso levou Egas Moniz a perguntar se a remoção do lobo frontal poderia evitar o desenvolvimento de neuroses experimentais em animais, eliminando os sintomas de frustração. "Não será viável diminuir os estados de ansiedade no homem por meios cirúrgicos?", questionou o neurologista português. A resposta de Watts de que isso seria "um passo formidável", levou-o a iniciar os estudos que conduziriam à leucotomia, assim que regressou a Lisboa. Em 1949 recebia o Nobel.
Ao saber das experiências realizadas em Portugal, o médico americano Walter Freeman apressou--se a divulgar o método nos Estados Unidos. A leucotomia, que foi depois designada por lobotomia, tornou-se ali muito popular e nos 40 anos seguintes foram feitas umas 50 mil lobotomias nos EUA.
Freeman fazia-as onde calhava. Primeiro no seu escritório, depois numa carrinha transformada, na qual percorria o país, o "lobotomobile". Watts, que inicialmente fez parelha com Freeman, afastou-se por não concordar com a rudeza dos instrumentos usados por aquele para fazer as aberturas nos crânios, por vezes com picões de gelo e maletes de borracha comprados na loja da esquina.
Em 10% das cirurgias os pacientes mostraram melhoras. Mas nos outros 90% os resultados foram mais ou menos desastrosos. Familiares de alguns desses casos de insucesso querem agora o que consideram ser a reposição da justiça. Como é tarde para compensações financeiras ou outras, lançaram um movimento para que seja retirado o Nobel a Egas Moniz.
Iniciado por Christine Johnson, cuja avó, Behula Jones, foi lobotomizada em 1954 e passou o resto da vida internada em estabelecimentos psiquiátricos, até morrer, em 1989, o movimento para tirar o prestigiado galardão a Egas Moniz ganho terreno.
Michael Sohl, o director-executivo da Fundação Nobel, já descartou completamente, no entanto, essa hipótese. "Não há qualquer possibilidade de o fazermos", garantiu publicamente. E sublinhou não se recordar de nenhum outro Nobel da Medicina que tenha sido contestado.
A Carta Nobel, por outro lado, não contém nenhuma cláusula que preveja a revogação de um prémio e a fundação ignora habitualmente as críticas, como aconteceu quando foi atribuído a Yasser Arafat o Nobel da Paz.
Depois disso, o movimento liderado por Johnson tentou que fosse retirado do site da Fundação Nobel o artigo em que Bengt Jansson faz o elogio do cientista português, e no qual explica que o português "iniciou e conseguiu entusiasmo para a importância da leucotomia pré-frontal no tratamento de algumas psicoses". Para concluir "De facto, não tenho dúvidas de que Moniz mereceu o Prémio Nobel".
Mas também a essa pretensão do grupo de familiares a fundação já respondeu com um rotundo não. Perante esta nova recusa, Johnson quer agora obter a adesão de outros galardoados com o Nobel à sua campanha. Aparentemente sem qualquer sucesso, também.
"A aplicação errada da técnica desenvolvida por Egas Moniz não lhe pode ser imputada", sublinha, por seu lado, Castro Caldas.
De outra maneira - ironia das ironias - Alfred Nobel, que por testamento deixou ao mundo o prémio com o seu nome, sairia beliscado pela sua própria invenção da dinamite.
Enquanto neurologista, Egas Moniz escreveu diversos livros , destacando-se Diagnóstico dos tumores cerebrais (1931), Angiografia cerebral (1934), Leucotomia prefrontal (1937) e Ao lado da Medicina (1940). Egas Moniz recebeu diversas condecorações. Faleceu seis anos depois de ter recebido o Nobel,a 13 de Dezembro de 1955.
(DN online)

(angiografia cerebral - foto do 'Barnabé')
Contra a limitação das liberdades individuais
Com a 'Linha dos Nodos': Ferozmente contra a limitação das liberdades individuais
Igualdade na morte
1/3 dos 25.000 civis mortos no Iraque desde o início da intervenção para acabar com o terrorismo internacional foram vítimas das tropas da coligação.
São mais de oito mil mortos civis.
Esta notícia mereceu breves segundos nos serviços informativos das várias televisões.
Fica uma pergunta inspirada noutra de Sartre em "O Diabo e o Bom Deus": quantos mortos civis iraquianos serão precisos para se obter o impacto informativo das bombas de Londres?
E isto não quer dizer que eu apoie o terrorismo ou o considere justificado pelas mortes iraquianas ou a questão da Palestina, seus comentadores precipitados: apenas acho que os civis iraquianos e os londrinos são igualmente pessoas.
Ou não?
Ou os fins justificam os meios? E as vítimas...
Texto do 'Votem nas putas que nos filhos não resultou'

(Thomas Dworzak - IRAQ. Falluja. June 13, 2005. al-Anbar province. Joint patrol. 2nd MEF (Second Marine Expeditionary Force), US Marines from Camp Lejune, North Carolina. 4th Marine Reserve)
São mais de oito mil mortos civis.
Esta notícia mereceu breves segundos nos serviços informativos das várias televisões.
Fica uma pergunta inspirada noutra de Sartre em "O Diabo e o Bom Deus": quantos mortos civis iraquianos serão precisos para se obter o impacto informativo das bombas de Londres?
E isto não quer dizer que eu apoie o terrorismo ou o considere justificado pelas mortes iraquianas ou a questão da Palestina, seus comentadores precipitados: apenas acho que os civis iraquianos e os londrinos são igualmente pessoas.
Ou não?
Ou os fins justificam os meios? E as vítimas...
Texto do 'Votem nas putas que nos filhos não resultou'
(Thomas Dworzak - IRAQ. Falluja. June 13, 2005. al-Anbar province. Joint patrol. 2nd MEF (Second Marine Expeditionary Force), US Marines from Camp Lejune, North Carolina. 4th Marine Reserve)
quarta-feira, julho 20, 2005
Fronteiras
ARAME FARPADO: 1 - POEIRA PARA OS OLHOS: Já se sabe que os tempos não estão para liberdades. Ainda assim, surpreende-me que ninguém esteja muito ralado com a suspensão dos Acordos de Schengen pela França. Por várias razões.
Em primeiro lugar, porque não devemos olhar para aquela decisão como meros observadores externos, que comentam actos alheios: Portugal é Parte na Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen. Uma convenção cria direitos e obrigações e, até ao momento, os cidadãos portugueses tinham direito a entrar em França sem estar sujeitos a controlos fronteiriços (obviamente, desde que não viessem de fora do Espaço Schengen). O que significa que a decisão da França afecta a liberdade de circulação dos cidadãos portugueses.
Seguidamente, há que saber se ela foi tomada de acordo com o que se prevê na Convenção de Aplicação (art. 2º, nº 2), onde, de facto, se permite a reintrodução temporária dos controlos fronteiriços por razões de "ordem pública ou de segurança nacional". A este propósito, é elucidativo o soundbyte emitido por Sarkozy: "se não reforçarmos os controlos nas fronteiras quando cerca de 50 pessoas são mortas em Londres, não sei quando o faremos".
Sim, esta justificação é muito apelativa na sua manhosa simplicidade. Mas se a olharmos mais detidamente, vemos que: 1) a França não reintroduziu os controlos fronteiriços no 11 de Março, onde morreu mais gente, mais perto, e não parece que isso lhe tenha trazido grandes problemas; 2) o problema da França com as bombas de Londres não parece ser maior do que o (ou diferente do) dos restantes países europeus - pode até ser menor, atendendo à sua política externa relativamente ao Iraque e ao conflito israelo-palestiniano; 3) é uma manipulação levantar o medo contra o que vem de fora a propósito de atentados cometidos por quem era de dentro; 4) ninguém no seu perfeito juízo acredita que os controlos fronteiriços sejam um meio eficaz de evitar a entrada de terroristas daquele calibre.
De maneira que a França, dando rédea solta ao pior da sua tradicional pulsão isolacionista, acaba de violar, com o beneplácito dos restantes Países, os deveres que assumiu na Convenção de Aplicação de Schengen.
Claro, há sempre quem se sinta mais seguro por ter de mostrar o passaporte quando vai comprar caramelos a Fuentes d'Oñoro.
PS: A suspensão da liberdade de circulação não implica a suspensão do Sistema de Informação Schengen (SIS), que continua a funcionar em pleno. Obviamente.
No 'Mar Salgado'
Em primeiro lugar, porque não devemos olhar para aquela decisão como meros observadores externos, que comentam actos alheios: Portugal é Parte na Convenção de Aplicação do Acordo de Schengen. Uma convenção cria direitos e obrigações e, até ao momento, os cidadãos portugueses tinham direito a entrar em França sem estar sujeitos a controlos fronteiriços (obviamente, desde que não viessem de fora do Espaço Schengen). O que significa que a decisão da França afecta a liberdade de circulação dos cidadãos portugueses.
Seguidamente, há que saber se ela foi tomada de acordo com o que se prevê na Convenção de Aplicação (art. 2º, nº 2), onde, de facto, se permite a reintrodução temporária dos controlos fronteiriços por razões de "ordem pública ou de segurança nacional". A este propósito, é elucidativo o soundbyte emitido por Sarkozy: "se não reforçarmos os controlos nas fronteiras quando cerca de 50 pessoas são mortas em Londres, não sei quando o faremos".
Sim, esta justificação é muito apelativa na sua manhosa simplicidade. Mas se a olharmos mais detidamente, vemos que: 1) a França não reintroduziu os controlos fronteiriços no 11 de Março, onde morreu mais gente, mais perto, e não parece que isso lhe tenha trazido grandes problemas; 2) o problema da França com as bombas de Londres não parece ser maior do que o (ou diferente do) dos restantes países europeus - pode até ser menor, atendendo à sua política externa relativamente ao Iraque e ao conflito israelo-palestiniano; 3) é uma manipulação levantar o medo contra o que vem de fora a propósito de atentados cometidos por quem era de dentro; 4) ninguém no seu perfeito juízo acredita que os controlos fronteiriços sejam um meio eficaz de evitar a entrada de terroristas daquele calibre.
De maneira que a França, dando rédea solta ao pior da sua tradicional pulsão isolacionista, acaba de violar, com o beneplácito dos restantes Países, os deveres que assumiu na Convenção de Aplicação de Schengen.
Claro, há sempre quem se sinta mais seguro por ter de mostrar o passaporte quando vai comprar caramelos a Fuentes d'Oñoro.
PS: A suspensão da liberdade de circulação não implica a suspensão do Sistema de Informação Schengen (SIS), que continua a funcionar em pleno. Obviamente.
No 'Mar Salgado'
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